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sábado, 13 de janeiro de 2018

O suplício dos Tàvoras


O suplício dos Távoras

A 13 de Janeiro de 1759, há 259 anos, foram executados os acusados de estarem implicados no atentado ao rei D. José I, ocorrido uns meses antes, a 3 de Setembro de 1758.
Após um processo sumário, a sentença final, proferida a 12 de Janeiro de 1759 no Palácio da Ajuda, considerou o veredicto que todos os réus eram, de facto, culpados.


O documento apresenta o patíbulo montado em Belém, no qual foram sacrificados e mortos D. Francisco de Assis de Távora e D. Leonor (marqueses ‘velhos’ de Távora) José Maria de Távora, Luís Bernardo de Távora (filhos dos Marqueses de Távora), D. José de Mascarenhas (duque de Aveiro), D. Jerónimo de Ataíde (conde de Atouguia), Manuel Alvares Ferreira (guarda roupa do duque de Aveiro), Brás José Romeiro (cabo da Esquadra da Companhia do Marquês de Távora), João Miguel (moço de acompanhar o duque de Aveiro) e José Policarpo de Azevedo, queimado figurativamente em estátua, porque andava foragido.


Bem hajam
Carlos Fernandes

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Comendadeiras de Santiago . Mosteiro de Santos o Novo


COMENDADEIRA, s. f. Mulher que tem comenda; comendadora: "veio à côrte D. Jorge, mestre das ordens de Santiago e de Aviz, e se aposentou em Santos o Novo, onde estava a comendadeira sua mãe", Francisco de Andrade, Crónica de D. João III, IV, cap. 43, p. 169.
HIST. Comendadeiras de Santos: Uma velha tradição diz ter o rio Tejo arrojado a uma das praias da sua margem direita, que depois se ficou chamando de Santos, os corpos dos santos mártires Veríssimo, Máximo e Júlia, irmãos, naturais de Lisboa, filhos de pais nobres e ricos, mandados martirizar por Públio Daciano, legado do imperador Diocleciano. No local, pela tradição indicado, mandou D. Afonso Henriques edificar a Igreja de Santos, e D. Sancho I um mosteiro, destinado aos cavaleiros da Ordem de Santiago da Espada. Mais tarde, tendo estes recebido de D. Afonso III as vilas de Mértola, Alcácer do Sal e Palmela, foi o mosteiro concedido a algumas senhoras parentes dos cavaleiros de Santiago, a quem D. Afonso Henriques concedera o título de Comendadeira e que por êsse tempo viviam reunidas numa quinta em Arruda dos Vinhos.
Largos anos estiveram essas donas e donzelas no mosteiro de Santos, sendo conhecidas vulgarmente nessa época por mulheres da obrigação dos cavaleiros de Santiago. Porém, em 1470, D. João II mandou que essas senhoras passassem para a ermida de Nossa Senhora do Paraíso, entre os conventos de Santa Clara e Xabregas, enquanto se construia, o de Santos-o-Novo, edificado na calçada da Cruz da Pedra, freg. de Santa Engrácia. Em 1475 entraram as comendadeiras naquele novo e vasto convento, com bons dormitórios, grande claustro arborizado, tendo o espaçoso edifício muitos compartimentos e 365 janelas. E anos depois, foram solene e processionalmente transportadas para o convento de Santos-o-Novo as relíquias dos Santos Mártires, que desde o reinado de D. Afonso Henriques estavam guardadas na igreja de Santos-o-Velho, que assim passara a denominar-se a igreja antiga. As relíquias foram encerradas em cofres de prata, colocados à direita do altar-mor da igreja. As senhoras recolhidas naquele mosteiro gozavam de muitas honras e privilégios, não sendo consideradas freiras. Eram pessoas nobres, que podiam ter criadas ao seu serviço. Algumas delas professavam votos iguais aos cavaleiros da mesma Ordem de Santiago. Pertenceram à Ordem senhoras de nobre estirpe, como D. Auzenda Egas, descendente de Egas Moniz e D. Sancha Martins Peres, que foi a primeira superiora. Como D. Afonso Henriques recomendara em uma carta para Arruda dos Vinhos, quando as senhoras das famílias dos cavaleiros de Santiago ali se encontravam, que usassem toucados honestos, as comendadeiras seguiram sempre essa recomendação, vestindo trajos de sêda preta colocando sôbre êles mantos brancos de tule com as cruzes de Santiago e toucados também brancos nos cabelos. A princípio ocuparam, cada uma, várias dependências do convento, mas, pouco a pouco, foram vivendo mais modestamente, contentando-se cada uma com mais reduzido número de compartimentos; e o título de comendadeira chegou ao séc. XIX apenas como honorífico.


O terramoto de 1755 arruinou bastante o edifício, chegando as senhoras ali recolhidas a terem que armar barracas na cêrca do convento para ali se abrigarem, até se reedificarem os seus dormitórios. Em 1833, o mosteiro podia acomodar 500 pessoas. Mas nesse mesmo ano D. Pedro IV ordenou que as religiosas de todos os conventos recolhessem para dentro das linhas de defesa de Lisboa, e a maior parte das comendadeiras de Santo-o-Novo recolheu ao mosteiro da Encarnação, da Ordem de S. Bento de Aviz. Terminadas as lutas civis, as comendadeiras regressaram ao seu convento.
O edifício do convento de Santos é actualmente (1941) património do Estado e destinado a recolhimento de viúvas e filhas de oficiais do Exército e da Armada e funcionários públicos, dependendo da Direcção Geral de Assistência Pública. No edifício estão também escolas primárias e o Instituto Presidente Sidónio Pais, do Prefessorado Primário (secção masculina).

Bem hajam 
Carlos Frnandes

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

As Lupercales , São Valentim .


Era no dia 15 de fevereiro que, na Roma Antiga, se celebrava aquela que era a maior festividade de cariz sexual da época. Chamava-se “Lupercales” e consistia em deixar os jovens andar nus pelas ruas a chicotear as mulheres que encontravam pelo caminho com tiras de couro de cabra. Uma festa demasiado “lasciva” e “obscena” para o cristianismo que emergia, e que acabou por ser cancelada no ano de 494, tendo sido antecipada um dia e substituída então pela festa em homenagem ao sacerdote Valentim.

A forte carga sexual das “Lupercales” levou o Papa de então, Gelásio I, a condenar esta festa pagã substituindo-a pela celebração de São Valentim, mártir que morreu no dia 14 de fevereiro do ano de 270. De acordo com a lenda, São Valentim era um sacerdote cristão que tinha sido um dos maiores opositores da lei que proibia os soldados de se casarem. O sacerdote, que também era médico, terá celebrado o casamento de vários jovens apaixonados à revelia das ordens do imperados Cláudio II. Como consequência, o imperador terá ordenado a morte de Valentim.
De acordo com o jornal espanhol ABC, que recorda a comemoração das “Lupercales”, a festividade religiosa em homenagem ao mártir São Valentim foi celebrada até ao ano de 1969, altura em que a Igreja Católica decidiu eliminar o dia de São Valentim do calendário religioso, passando então a assinalar-se a data à mesma (associada a um santo) mas não do ponto de vista religioso.
O nome “Lupercales” está associado à palavra “lobo”, animal que representava Fauno Luperco, romanização do grego Pan, Deus da fertilidade e da sexualidade masculina. O lobo acabaria por se tornar um animal chave na mitologia da fundação da cidade de Roma, associada à lenda dos gémeos Rómulo e Remo.
Bem hajam 
Carlos Fernandes

sábado, 2 de julho de 2016

Os seareiros

Quando em 1921 um grupo de intelectuais funda uma revista à qual dá o título de Seara Nova, a situação do país era profundamente instável e socialmente injusta, onde as convulsões a corrupção o desemprego a miséria eram como assim dizer a marca que prevalecia.
Desse grupo de intelectuais faziam parte homens de grande valor como Raul Proença, escritor e filósofo, Jaime Cortesão, professor e historiador, António Sérgio, professor e ensaísta, Aquilino Ribeiro , Câmara Reis  , Ezequiel  de Campos e tantos outros.A preocupação com o que se passava em Portugal era enorme, este grupo de intelectuais, publicava artigos com críticas sobre diversos assuntos e a partir de 1923 sentiu-se na obrigação de pôr a inteligência e cultura ao serviço do país de uma forma mais explícita: resolveu apresentar propostas alternativas que permitissem não só estancar as convulsões que se sucediam ininterruptamente, como salvar a República e a democracia.
O facto de os homens da Seara Nova serem pessoas de saber, informadas fazia-os temer que a instabilidade permanente e em crescendo conduzisse Portugal a resvalar para uma ditadura fascista, tal como acontecera com a Itália com a tomada do poder por Benito Mussolini em 1922 e em Espanha com António Pinto Riviera em 1923.
Consideravam os seareiros que os intelectuais não podiam manter-se alheados da política, deviam intervir .
Ao tempo as instituições criadas pela república não se mostravam capazes de resolver os problemas e por isso tinham perdido a legitimidade.  A insegurança em que as pessoas viviam punha em causa a autoridade do estado.
Na opinião do seareiros, tudo se resolveria com uma reforma profunda das mentalidades, com uma aposta forte na educação .Contudo conscientes que soluções dessa natureza levariam tempo, propunham que a curto prazo que se fizesse uma reforma da administração pública que tornasse os serviços mais eficazes e que garantisse o seu funcionamento, independentemente da política .Fosse qual fosse o partido que estivesse no poder, os serviços públicos (finanças, justiça, educação, saúde..) deviam funcionar de forma a satisfazer as necessidades e anseios dos cidadãos.
Em Março de 1923 os seareiros foram ainda mais longe e propuseram que se formasse um governo com os melhores homens de todos os partidos, um governo de Salvação da República, mas a ideia não vingou, e o futuro foi aquilo que todos sabemos, uma longa ditadura.
 A pobreza, a miséria, a tristeza, a negação de direitos humanos essenciais – porque é disso que falamos quando falamos do estado actual do País – esmagam a liberdade, geram o medo, são más conselheiras. Porque também podem ser fonte de soluções antidemocráticas, que podemos suspeitar como começam mas não podemos saber como evoluem e terminam. Nesta matéria, infelizmente, experiência histórica não nos falta.
Pelos riscos e perigos da situação que se vive em Portugal, há que prestar atenção ao que se passa em países da Europa do Sul, integrantes também eles da UE, especialmente a Grécia, a Itália e a Espanha. Em particular, as recentes eleições gerais em Itália devem alertar-nos para os perigos que representam a demagogia, o populismo, a miragem de salvadores da Pátria, o controlo dos meios de comunicação de massas, tudo factores condicionantes da opinião pública e mobilizadores do eleitorado em sentidos que nada têm que ver com a Democracia entendida como governo do Povo, com o Povo e para o Povo. Se, como diz a canção-hino de José Afonso, “o povo é quem mais ordena”, é difícil imaginar que os portugueses vivam hoje numa democracia representativa, e muito menos na democracia participativa e no Estado de direito democrático de que fala o artigo 2.º da Constituição. Nenhum cidadão pode sentir-se legitimamente representado por alguém que conquistou o seu voto com um programa eleitoral que, vencidas as eleições, não só ignora como espezinha, com uma prática oposta às suas promessas eleiçoeiras. Nenhum cidadão pode sentir-se legitimamente representado quando sente que, depositado o seu voto na urna, fica esgotado o seu ciclo de participação na gestão da coisa pública.


Bem hajam 
Carlos Fernandes

sábado, 31 de janeiro de 2015

O comboio real

Construído em meados do século XIX, o comboio é composto pela locomotiva Dom Luís, outrora considerada a mais rápida do mundo, a carruagem “salão Príncipe Dom Carlos” (oferecido ao rei D. Carlos pelos seus pais, D. Luís e D. Maria Pia) e ainda a carruagem “salão Dona Maria Pia”, oferecido à rainha pelo seu pai, Vítor Emanuel II de Itália.
São duas carruagens de luxo, com aposentos dignos da realeza que, se encontram no núcleo museológico ferroviário de Santarém, onde poderão ser de novo visitados. A assinalar cinco anos de existência, a Fundação Museu Nacional Ferroviário construiu também um simulador de condução ferroviária. Uma inovação que permite aos visitantes conduzir, de forma quase real e no lugar do motorista, vários modelos de comboios, em várias linhas ferroviárias nacionais, como por exemplo a linha do Norte.

Uma experiência marcante para desfolhar a história de Portugal
Bem hajam 
Carlos Fernandes




quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Da comenda ao comendador


Comendador é alguém que recebeu uma comenda, isto é um benefício que antigamente era concedido a eclesiásticos e a cavaleiros de ordens militares, mas que actualmente costuma designar apenas uma distinção puramente honorífica. No passado, podia remeter ainda a uma porção de terra doada oficialmente como recompensa por serviços prestados, ficando o beneficiado com a obrigação de defendê-la de malfeitores e inimigos.
Comendadores ainda existem,se bem que se encontrem diluídos na sociedade, que pouco tem haver com o alto beneficiário da ordem militar de outrora e muito com uma figura burguesa de salão que recebe uma distinção honorífica de uma ordem civil sob a forma de uma medalha pendurada num colar ou numa faixa .


As grandes comendas de outrora , como a de Tomar são hoje grandes cidades. Todavia outras reduziram-se à actual estalagem , pousada ou albergaria privada usando o nome que perdurou.
O regimento de uma comenda era um benefício concedido a nobres e cavaleiros das ordens militares em que se salientaram, em primeiro lugar os Templários e após a sua extinção no século XIV (1312), os Hospitalários .

À Ordem dos Templários em Portugal sucedeu a Ordem de Cristo (D. Dinis). Os Hospitalários aplicavam mais a sua função no apoio a peregrinos e doentes, mantendo e gerindo hospícios junto das comendas .
Porém os Templários  instalaram nas comendas as primeira "agências" bancárias e de viagens da Europa. As ordens estavam obrigadas a prestar apoio logístico ao Rei e à sua Corte e aos cavaleiros e eclesiásticos das ordens em viagem .Alguns destes serviços eram depois pagos pelas ordens, enquanto serviço de apoio a peregrinos e doentes  era gratuito ..

O encarregado de gerir todo o processo era o Comendador, o qual assumia na comenda a posição de relevo semelhante à de um Prior .
As comendas estavam por norma em encruzilhadas e lugares de   grande movimento ainda hoje alguns nomes de vilas e aldeias de Portugal indicam que na sua origem esteve uma comenda .
Como é o caso de Albergaria a Velha, Estreito,Albergaria dos Doze e tantos outros. Quase sempre junto à comenda erguia-se depois uma capela e assim se formaram aglomerados populacionais .
Lugares onde afluía muita gente indo do rei à plebe. a comida jamais faltava e como devem calcular era de excelente qualidade.
Além disso a classe monástica teve sempre, a fama e certamente o proveito , de serem bons apreciadores da boa e farta cozinha e das melhores iguarias  do reino .
É por estas terras Templárias e Hospitalárias, que poderemos encontrar vestígios e experiências únicas que certamente nos farão compreender outros tempos e entender este nosso tempo.
Como todos sabemos a caricatura de um Abade nunca foi a de um tísico , o aforismo popular de "comer como um Abade " ainda hoje perdura .
Por tudo isto Oleiros o seu tempo a sua magia é lugar obrigatório da história e gastronomia nacional 
 Muitos foram os freires portugueses da Ordem do Hospital que se distinguiram, tanto ao serviço do rei e de Portugal, como em defesa dos ideais subjacentes à sua fundação. Decorrido menos de um século após a sua instituição oficial, foi eleito para o cargo do Grão-Mestre, o 12.º da Ordem, um Infante de Portugal, D. Afonso, filho bastardo do primeiro rei português. Não foi longa, porém, a sua permanência no cargo. Resignou após três anos e regressou à sua comenda de Alporão (Santarém) onde foi sepultado. Apesar da curta passagem pelo cargo, sob o seu comando foram promulgados os Estatutos da Ordem que estabeleceram quatro categorias para os seus membros. Da extensa lista dos priores de Portugal, alguns se podem destacar pelo seu desempenho no campo militar ou na administração dos bens da Congregação, ou ainda pela sua acção de conselheiros e embaixadores do rei. Entre eles refira-se D. Afonso Pais, que recebeu das mãos de D. Sancho I a terra de Guidintesta; e D. Mendo Gonçalves, que foi testamenteiro, ainda na qualidade de Comendador, do primeiro testamento de D. Sancho I. Foi Fr. Mendo Gonçalves, já Prior, que tomou a iniciativa de convocar o primeiro Capítulo Geral realizado em Portugal, na Comenda da Sertã, que, no dizer de Laurent Daillièz, representaria já o espírito independentista da Ordem de São João de Jerusalém em terras portuguesas. Na verdade, aos monarcas medievais interessava tornar as Ordens Militares, implantadas em Portugal, independentes da administração da Casa-Mãe, sediada no estrangeiro. D. Afonso Peres Farinha, Prior do Hospital e Grande Valido de D. Afonso III, ficou ligado aos territórios alentejanos de Moura e Serpa. Manteve-se ao lado do seu rei até mesmo durante os momentos mais agudos que marcaram o conflito entre o bolonhês e o clero episcopal. Podemos também citar D. Estêvão Vasques Pimentel, Comendador de Leça, que mandou erigir a Igreja de Leça, onde D. Fernando terá desposado D. Leonor Telles. Na batalha do Salado distinguiram-se os Hospitalários, sob o comando de D. Álvaro Gonçalves Pereira, pai de D. Nuno Álvares Pereira, que mandou edificar os Castelos de Amieira e da Flor da Rosa. Mas, sem dúvida, o mais famoso foi D. António, Prior do Crato, pretendente ao trono de Portugal, quando a Ordem era já de Malta.
       A Ordem, entre nós, manteve-se independente. Não recebeu os bens dos &Templários, como pretendia o papa, que habilmente D. Dinis fez transferir para a Ordem de Cristo, então criada (1319). A Ordem do Hospital também não foi incorporada na Coroa, em 1551, com as Ordens de Avis, Cristo e Santiago, apesar de a dignidade de Prior do Crato ser atribuída aos Infantes D. Luís, filho de D. Manuel I, e, mais tarde, a seu filho D. António, mantendo, assim, um carácter singular e o epíteto de “Soberana”, que lhe será atribuído quando for designada de Malta.  

Bem Hajam 
Carlos Fernandes 
Pelourinho -Estreito
Como diz o Povo "Pelourinho na Torre , Chafariz na Fonte "

Chafariz S.Torcato-Estreito





quarta-feira, 21 de maio de 2014

Fides ética : A honra da palavra

FIDES - A DEUSA DA PALAVRA DADA

Fides era na mitologia romana personificação da palavra dada.
Era representada como uma idosa de cabelos brancos, sendo entendida como mais velha que o próprio Júpiter. Desta maneira pretendia-se transmitir a noção que a palavra dada, o compromisso, era a base da sociedade e da ordem política. Acreditava-se que o próprio culto da deusa era muito antigo e que teria sido introduzido no tempo de Numa Pompílio
A deusa possuía um templo no Capitólio, perto do templo de Júpiter Óptimo e Máximo, que foi mandado erguer pelo cônsul Aulius Antilius Calatinus.
O templo foi consagrado à deusa no dia 1 de outubro de 254 AC, que tornou-se assim o dia da festa da deusa). Para oferecer um sacrifício à deusa, era necessário envolver a mão direita com um pano de cor branca, o que justamente significa a pureza de intenções, a pureza da palavra dada. Este templo era ocasionalmente usado pelo Senado Romano para as suas reuniões para que a palavra empenhada pelos senadores fosse sem sombra de dúvida respeitada. Nas suas paredes eram colocados tratados e leis inscritos em tábuas de
bronze. 
Por volta de 58 AC, o templo foi restaurado por Marco Emílio Escauro.
Hoje mais do que nunca relembrar Fides é um imperativo, já que no à palavra
 diz respeito, há muito que caiu no esquecimento 
Bem hajam 
Carlos Fernandes





terça-feira, 1 de abril de 2014

Carreira 1960 "Que vida boa era a de Lisboa (Capitulo IV )


SLB -1962
Taça dos Campeões Europeus 1962
(Continuação).
Duas Taças dos Campeões Europeus, sete Campeonatos Nacionais e quatro taças de Portugal. Durante a década de 60 o Benfica ganha 13 títulos.
Portugal está em festa, o Benfica é uma Nação, a equipa maravilha: Costa Pereira,Mário João, Germano,Angelo, Coluna (capitão) Jaime Graça, Eusébio,Cavém, José Augusto, Torres e Simões, Treinador Bela Guttmaman, o mágico, feiticeiro, Húngaro que leva o Benfica à conquista de duas Taças dos Campeões .
O orgulhosamente sós, mostra-se ao Mundo, Portugal do Estado Novo, serve-se do Benfica para se promover, esta geração de jogadores, iria fazer história, com o terceiro lugar no Mundial de 1966. Uma vez mais o Regime se aproveita, devotado ao ostracismo pela ONU, sem o apoio dos Estados Unidos, devido à questão colonial, Salazar tenta demonstrar, que não há colonização mas sim integração,melhor exemplo a selecção das quinas, a única do continente Europeu, a jogar com  negros no plantel .


Portugal não estava em festa, Portugal era uma festa !!!
Aproveitando a maré e o frenesim do momento , uma nova cor despontava como que a acabar o cinzentisto de um país, sentia -se a mudança . Aparece a moda dos conjuntos, uma nova dança e música, o twist o ié-ié, sempre mais alegres que irreverentes,fazem história, Victor e os Gatos Pretos, Fernando Conde com os electrónicos o Nelo do Twist e tantos outros .
Em bailes, festas universitárias,Bares de hotel, matinés dançantes, discotecas, estes ditos conjuntos, e não banda , não fosse ferir os bons costumes, começam -se a ouvir canções tocadas por guitarras ligadas à corrente.Cada vez mais sente-se a mudança,estas músicas destoam por completo, do folclore , fado e baladas que dominam as rádios . A moda pega.A imprensa chama-lhe a "explosão da juventude", que vida boa era a de Lisboa.
Conjuntos como os Sheiks , o mais bem sucedido dos grupos ié-ié ,os Ekos, o Quarteto 1111, Pedro Osório e o seu conjunto, são as legitimas referências desta mudança
Mas Lisboa não pára !!!
Uma nova mentalidade e cultura, parece estar a emergir de entre as reviravoltas do ié-ié e do Twist, na moda a mini-saia faz as delícias das jovens. Mas a Guerra Colonial, leva estes jovens para outros destinos,enfim para muito longe do estrelado .

Os Gatos Pretos 
Mulheres anos 60
Os ecos da Guerra pairam no ar, o tempo do adeus até ao meu regresso está a chegar. Angola é nossa !!Angola é nossa!!
Entre 1964 e os 70, serão mobilzados para a guerra cerca de um milhão de homens, a maior parte jovens .
Mais de 8 mil não hão-de regressar .
Cerca de 100 mil ficarão feridos ou incapacitados .
Angola é nossa!! Angola é nossa!!
(Continua)
Bem hajam
Carlos Fernandes

sábado, 29 de março de 2014

Carreira 1960 "Que vida boa era a de Lisboa " (Capitulo III )

Bordel de luxo Madame Blanche 
(Continuação)
Depois da tempestade a bonança,Lisboa fervilha de novas emoções, a Feira Popular abre portas em 1962,  para contentamento das suas gentes,serão os concursos de mini-saia, as rainhas da rádio, os combates de boxe , onde Belarmino seria o rei, iriam ser o tema de todas as conversas dos alfacinhas . Também a outra Lisboa boémia marginal e escondida, continuava em ascensão. Carreira 1960 destino a Lisboa do pecado !!
Esquinas becos e ruelas 
Não , não eram praxes , à época ,o ritual de iniciação na vida adulta, passava pelo baptismo, a que a rapaziada, mais nova era sujeita pelos amigos , familiares mais velhos, numa só frase a ida" ás meninas "..Assim um dos destinos era o primeiro andar do número 63 da Rua da Glória, onde moram criaturas que nem imaginam a reminiscência do local.O bordel da Madame Blanche com fama de ser perito em prazeres capazes de ressuscitar impotentes. Todavia, em dias de frágil imunidade, também punha homens a caminho da farmácia para comprar frascos da descoberta de Fleming, que vida boa era de Lisboa .
Salazar que não entendia de penicilina, obrigava as "meninas"a ir ao governo civil para testar a saúde .
Pressionado, pela igreja pelos brandos costumes,a 19 de Dezembro de 1962 o decreto de lei nº 44579 proíbe a prostituição .escusado será dizer que "Nunca saiu do papel ", pelo contrário teve o efeito inverso, pois como diz o aforismo "fruto proibido é mais apetecido".
No fundo o Antigo Regime, considerava a depravação útil para escudar a moral . Sempre a bem da Nação, um homem que ia às "meninas" não andava a desonrar donzelas, e não desviava casada para o travesseiro alheio. Sempre assim foi, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga,"esquentamentos", cancros moles, pediculose pública, sífilis, mas para a frente," é que é Lisboa" e isso nunca matou ninguém .
A bem da moral
Felicidade no Bairro Alto, um destino, a rota prometida, o chamado na gíria "Bairro do Bife " antigo epicentro da depravação e prazer.O nª 142 da Rua do Diário de Noticias, e o nª 5 da rua da Barroca ou o 8 da Travessa Água Flor, entre a década de 60 e finais do anos 70, metamorfosearam  tansos em potentes felizes, que vida boa era a de Lisboa. Dessa felicidade não sobrou um tijolo,já o mesmo não se poderá dizer do famoso 100 da vetusta rua do Mundo , hoje Rua da Misericórdia.
O séquito Salazarista adorava a corte prostituta.Ministros , secretários conselheiros de estado, eram personagens assíduas, no bordel mais afamado da capital "Madame Calado", casa fina e afamada , situada numa rampa ao lado da estação do Rossio, oferecia moçoilas da província (Beiras e Norte) sem vícios e com muito amor para dar, apregoava a madrinha Calado,como cabeça de cartaz pela primeira vez em Portugal, Bia uma açoreana de cara redonda, cabelo ruivo, peitos cheios, pernas torneadas e traseiro avantajado, um sucesso , um Monumento!!!
Mas enganem-se os mais cépticos, o mercado era diversificado, para os de menos posses , havia sempre a possibilidade de uma visita à casa da Ilda, bordel baratucho que apesar de não ter grandes monumentos , tinha mulheres disponíveis, também ele de bom acesso , paredes meias com a Igreja de São Roque, que vida boa era de Lisboa . Para aquelas que já tinham atingido a emancipação, as esquinas, ruelas e becos eram o cenário, desde a parte sul da Avenida da Liberdade, Cais Sodré , Técnico , Intendente ,Rua da Betesga etc,,,  eram mercados em ascensão .
Bordel Madame Calado 
Desde doutores, ministros, operários, mangas de alpaca, todos se cruzavam na mesma noite , nos mesmos lugares,deleitavam-se com as mesmas mulheres,e todos estavam conscientes, que os prazeres do sexo tinham um custo , que poderiam ir dos vinte cinco escudos aos quinhentos escudos .
Pastelaria Suiça-Rossio
No que à homossexualidade dizia respeito,oficialmente não se podia ser . No discurso nem existia .Mas na prática era comum. Quer para o povo,assíduo nos urinóis, estações e docas, preso e humilhado pela policia : quer para as elites sociais e culturais que viviam a sua sexualidade numa tolerância envergonhada.
Além do mundo dos salões da classe alta, os intelectuais, no inicio dos anos 60,começam a viver a sua homossexualidade com mais naturalidade. São pontos de encontro, a cervejaria Reimar na  Rua do Telhal onde se misturava a elite e o povo homossexual .Também cafés como o Monte Carlo , Monumental,o Tony dos Bifes a Pastelaria Paraíso, na Avenida Alexandre Herculano, a Suiça , Brasileira no Chiado são locais de encontro.
Príncipe Real -Lisboa 
Quanto a lugares mais recatados, e de encontro nocturno,mais frequentados são o Bar Z no Príncipe Real onde hoje é o Harry`s, O Barbarella na Rua da Atalaia , o Insólito o Antiquário, e as célebres matinés para lésbicas do Gato Preto Gato verde, hoje Memorial , um pouco mais tarde abria o Bric a Brac, a catedral dos homossexuais, que rica vida era a de Lisboa .
É da época o denominado pelas gentes do norte, o Passarinho do Rio, a Bernardete para os alfacinhas , aristocrata com lugar seguro na Avenida da Liberdade, com fama de ter dormido com o maior numero de homens que havia memória, personagem frequente nos urinóis do Rossio.
Cais Sodré -Lisboa 1960
     Bem Hajam
Carlos Fernandes

quarta-feira, 26 de março de 2014

Carreira 1960 " Que vida boa era a de Lisboa" (Capitulo II)

Rossio 1960
(Continuação)
Depois de um inicio de década auspicioso, como referimos anteriormente , aproximava-se o ano  de todos os perigos.,(1961) para o regime Salazarista, vindo a revelar-se o annus horribilis do ditador .
Logo no inicio do ano, tem lugar um levantamento de trabalhadores da Cotonang protestando contra as condições de trabalho da companhia algodoeira. Os protestos são imediatamente reprimidos pelo exército português,mas anunciam o começo da luta armada da libertação de Angola, marcada pelo ataque à cadeia de S,Paulo em Luanda a 4 de Fevereiro e pelo levantamento armado .

Diário de Lisboa


Marginal de Luanda 1961
A 22 de Janeiro, elementos, do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação, apoderam-se do Paquete Santa Maria,da Companhia Colonial de Navegação, que rebaptizam de Santa Liberdade, conseguindo uma notoriedade, e uma cobertura internacional que viria abalar profundamente o regime .


Paquete Santa Maria rebaptizado
Em Abril, a crise vem, não da oposição, mas do interior do regime, através da tentativa de golpe liderada pelo Ministro da Defesa, Júlio Botelho Moniz.
Em Junho, cerca de cem estudantes oriundos das colónias portuguesas em África que se encontram em Portugal abandonam clandestinamente o país, muitos deles para se juntarem aos movimentos de libertação.
A abolição do Estatuto do Indigenato, associado a outras reformas, em Setembro, chega demasiado tarde para travar a acção dos movimentos de libertação das colónias, entretanto reunidos na Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas, CONCP.
A 10 de Novembro, Hermínio da Palma Inácio comanda o desvio do Super-Constellation da TAP Mouzinho de Albuquerque, a fim de lançar sobre Lisboa milhares de panfletos apelando à revolta contra a ditadura.
A 18 de Dezembro, tropas da União Indiana ocupam os territórios de Goa, Damão e Diu. Salazar ordena que as tropas portuguesas lutem até à última gota de sangue, mas o governador, general Vassalo e Silva, recusa-se a obedecer à ordem do Presidente do Conselho e opta pela rendição.
E, na noite de fim de ano, uma tentativa frustrada de assalto ao quartel de Infantaria 3, em Beja, leva à morte do então sub-secretário de Estado do Exército, tenente-coronel Jaime Filipe da Fonseca.


Rendição da tropas portuguesas Panjim

Jornais da época
(Continua)
Bem hajam 
Carlos Fernandes 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Carreira 1960 "Que vida boa era a de Lisboa " ( Capitulo I)

Cinema Monumental 

Café Monumental
Num país conservador, cinzento e pouco culto, iniciou-se uma revolução a nível cultural, uma nova mentalidade nascia  . Isto aconteceu devido ao fluxo de turistas que por Portugal passavam, o que fez com que a população contactasse com outras realidades.  São todos estes acontecimentos que marcaram a minha geração, que a carreira 1960 vos propõe , uma viagem , um roteiro à Lisboa da época , focado nas pequenas coisas , que iriam decididamente formatar uma geração .
Antes de iniciarmos a nossa viagem , observemos  alguns dados : Mais de 82 % dos partos ocorrem em casa .Morrem 7,7 crianças por cada 100 habitantes .8,9 Milhões de residentes, 92% com menos de 65 anos .Esperança de vida :  mulheres 66,4 anos , homens 60,7 anos .Mais de 65% das pessoas com 15 ou mais anos nunca foram à escola .População com instrução equivalente ao ensino superior 1%.Apenas 9,3% dos casamentos não são católicos .Um em cada cem acaba em divórcio .80 médicos e 108 enfermeiros por cem mil habitantes .
Perante estes dados, sem saudosismos e mágoas apanhemos a carreira 1960, destino Lisboa .
Carreira 1960 Lisboa 
Começava a década e Lisboa estava em festa , sentia-se no ar um novo tempo , os alfacinhas ainda festejavam , o ora aí vamos , oito minutos do Restauradores a Entre Campos , era obra !!
A 29 de Dezembro de 1959 foi inaugurada a primeira linha de Metropolitano de Lisboa , sendo aberta ao público no dia seguinte, Lisboa alinhava-se com as grandes capitais Europeias.A adesão e a novidade levaram a que os lisboetas na manhã de 30 de Dezembro acorressem em massa às gares de Sete-rios e dos Restauradores para efectuarem a sua primeira viagem .Estava inaugurado o Metropolitano de Lisboa e só no primeiro ano foram transportados 15 milhões de passageiros .
Estação do Campo Pequeno 

Metro estação Saldanha 

Sem dúvida, os primeiros dias da nova década eram promissores ,o melhor ainda estava para vir .
As primeira boîtes , os dancings ,os concursos de mini-saias , as rainhas da rádio , a moda dos cafés , a música ié-ié , os bordéis , a guerra , a censura um ditador .Era tudo isto a vida de Lisboa na década de 60.



Até ao final da década de 50 os três grandes pontos de encontro dos lisboetas , eram o Parque Mayer , o Pavilhão dos Desportos e o Coliseu , em perfeita comunhão com os clubes recreativos e associações regionais, onde se realizavam grandes bailes , com a década de 60 , a bica os cigarros , aguardentes e afins , o whisky de Sacavém , as intermináveis  conversas até de madrugada, a que se apelidavam de tertúlias, após as horas de expediente e essencialmente ao fim de semana,a Lisboa dos anos 60, instala-se nos cafés. 
Num ambiente pesado , onde as névoas de fumo predominavam,na grande maioria homens de fato e gravata estreita, davam corpo a esta nova maneira de estar,na Brasileira, no Martinho , no café Gelo, ainda são locais habituais , mas com a perda de influência da baixa lisboeta, a grande moda eram as Avenida Novas,no Vá-Vá faz-se história no novo cinema português, das lutas estudantis e até dos costumes, com uma clientela feminina eram os primeiros passos da sua emancipação . No Monte Carlo ao Saldanha era ponto de encontro de toda a gente,a partir das duas da madrugada, eram jornalistas, gente do teatro depois das peças, em ameno convívio entre gerações de grande liberdade, e por ali permaneciam até às quatro .cinco da madrugada . Como estes cafés outros havia como são exemplos, o Café Londres , (Praça de Londres), Café Bocage (Av da Republica ),Café Monumental (Saldanha),Értilas (Campo de Ourique ) Café Império (Alameda) e tantos mais .
O Estado Novo permitia isto, aliás Salazar deu instruções à policia política (PIDE)para não incomodar as tertúlias, dizia o ditador"Revolucionários de café não fazem Revoluções ".


Café Gelo -Rossio
Café Monte Carlo-Saldanha 
Interior Café VÁ-VÁ 
Café A Brazileira -Chiado
A década de 60 foi, certamente , das mais importantes na história da economia portuguesa. Corresponde ao período em que a economia portuguesa cresceu mais rapidamente .
Os três grandes acontecimentos económicos,da década , são nomeadamente : o primeiro consiste na assinatura do acordo EFTA (Associação Europeia  de Comércio Livre), Portugal fica inserido numa rede de relações políticas que lhe é bastante favorável. Todavia, o que essencialmente beneficia são novos mercados onde o país ainda não tinha entrado, nomeadamente  o mercado Austríaco e os três mercados escandinavos . Por outro lado a entrada na EFTA trouxe importantes investimentos a Portugal: investimentos beduínos, como eram conhecidos os suecos, para a industria têxtil e de calçado, eram investimentos que exigiam capital fixo relativamente modesto , aproveitando a mão de obra barata.
Existiram ainda, investimentos mais sérios de médio e longo prazo , não só de escandinavos como de ingleses, nomeadamente em industrias mecânicas e químicas .

O segundo factor foi a emigração, não só para fugir à pobreza, como também à Guerra Colonial, numa década partem cerca de um milhão de habitantes,conseguem uma poupança altíssima, em alguns casos chega 50% do rendimento, que enviam como remessa para Portugal . A Banca expande-se para o interior , abre novos balcões , o dinheiro é barato com a abertura económica ao exterior levam ao nascimentos de nonas industrias como a CUF (Companhia União Fabril) a Siderurgia Nacional (seixal), a  fábrica da Toddy (Belas), o desenvolvimento da industria naval , tabacos têxteis , químicos e tantos outros , a economia cresce, ontem como hoje, as pessoas estão mal, mas Portugal está melhor .
Por último o negócio da construção civil arranca em força, irá explodir nas décadas seguintes, aumenta a urbanização das zonas rurais á volta de Lisboa . Em Lisboa  o valor dos salários quase que duplica, o consumo de televisores rádios e carros dispara, são os anos dourados .
Por esta altura (1961), abre o primeiro supermercado (Modelo) no Saldanha na mesma zona abrirá mais tarde o restaurante Galeto um símbolo de modernidade, que vida boa era a de Lisboa .


Sorefame Amadora 


Fábrica da CUF interior

Fábrica Toddy . Belas 
Siderurgia Nacional .Seixal 


Emigração anos 60
Bem hajam 
Carlos Fernandes                            (continua )