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terça-feira, 9 de maio de 2017

Hospitalidade


A palavra hospitalidade deriva da palavra hospice (asilo, albergue), a ideia de hospitalidade é tão antiga quanto a própria civilização, o seu desenvolvimento, desde o antigo costume de dividir o pão com um estranho de passagem, até aos mais complexos e multifacetados processos dos nossos tempos, constitui uma viagem apaixonante.

Venha daí, deixe-se fluir no tempo.
As primeiras referências á hospitalidade remontam á Grécia e Roma antigas, quando o incremento do comércio e das viagens fez que o aparecimento de alguma forma de acomodação para passar a noite se tornasse uma necessidade.
Os romanos desenvolveram um sistema postal bem organizado. Os antigos Persas criaram uma combinação de estábulos e pousadas, chamadas de Khans, com o propósito de atender as caravanas de viagem.
Na Idade Média, a hospitalidade começou-se a aperfeiçoar com a criação de corporações de restaurantes. Na Inglaterra, a carruagem transformou-se no principal meio de transporte.
Muitos dos valores de hospitalidade medieval, ajustam-se aos dias de hoje, tais como serviço amigável, a atmosfera amena e a abundância de comida. Todavia comparados á nossa época os padrões sanitários eram pobres e as acomodações primitivas.
No século XVI apresentou a Europa a duas exóticas especiarias, o chá e o café. As casas de café não só se tornaram os pontos de encontro de seu tempo, como ajudaram a curar a ressaca de um continente inteiro. Durante a Idade Média grande parte das estalagens distinguia-se pela diferença do tratamento dispensado, a ricos e pobres. Esta situação levou á criação do comum (ordinary), uma taverna que servia um menu fixo, a um preço pré estabelecido para as pessoas do povo.
Com a transformação das colónias em cidades, as viagens intensificaram-se e as tavernas tornaram-se centros sociais e políticos, reflectindo uma fluência cultural francesa.
A revolução francesa influenciou o desenvolvimento da culinária, estabelecendo o primeiro restaurante do novo mundo, trazendo a cuisine de France para a América do Norte.
O século XIX criou conceitos como o jantar á lá carte, alimentação para as massas e sorveterias, consolidando-se o costume de comer fora de casa.
No século XX, com o incrível avanço da tecnologia e dos meios de transportes colocou o mundo inteiro á de quase toda a população, as pessoas hoje podem escolher entre uma ampla gama de opções de serviços, comida acomodação e lazer. Este século apressado foi também responsável pela criação do fast-food.
Chegados aos nossos dias outros desafios se nos deparam, sendo que a hospitalidade, como não poderia deixar de ser, é um trunfo extremamente precioso, em conjunto com a complexidade de todas as vertentes da actividade turística para que o objectivo final, a Excelência e o realizar dos desejos do cliente se concretizem, só assim teremos a qualidade no turismo e não o tal turismo de qualidade que tantos erradamente apregoam

Bem Hajam
Carlos Fernandes

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Monteiro dos Milhões


No dia 24 Outubro de 1920, em Sintra, faleceu António Augusto Carvalho Monteiro, mais conhecido por ‘Monteiro dos Milhões’, o magnata que mandou construir o místico Palácio da Quinta da Regaleira.


Filho de pais portugueses, Carvalho Monteiro nasceu no Rio de Janeiro a 27 Novembro de 1848. Herdeiro de uma enorme fortuna, que provinha do comércio de cafés e pedras preciosas, e licenciado em leis pela Universidade de Coimbra, o ‘Monteiro dos Milhões’ foi um distinto coleccionador e bibliófilo, detentor de uma das mais raras colecções camonianas portuguesa. A sua grande cultura terá decerto influenciado a misteriosa simbologia do palácio da Quinta da Regaleira, situado na encosta da Serra de Sintra, perto do Palácio de Seteais.


Homem excêntrico, Carvalho Monteiro mandou construir o seu enorme túmulo no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, deixando-o a cargo do mesmo arquitecto que projectou o Palácio da Quinta da Regaleira em Sintra, Luigi Manini (também autor do projecto do Palácio do Buçaco). Este sepulcro parece mesmo ter sido retirado do místico palácio sintrense...

A porta deste enorme jazigo (um dos maiores e mais imponentes do cemitério), situado na alameda principal do Cemitério do lado esquerdo, está carregada de simbologia e era aberta com a mesma chave que abria a Quinta da Regaleira e o seu palácio na Rua do Alecrim, em Lisboa. Este jazigo, uma verdadeira obra de arte, ostenta uma multiplicidade de simbologias maçónicas. A porta tem uma abelha gravada na aldraba, carregando uma caveira. A abelha, diligente e trabalhadora, representa o maçon no seu esforço organizado.
O gradeamento, que se encontra nas traseiras do jazigo, ostenta a simbologia do vinho e do pão, o espírito e o corpo. Possui também diversas corujas, símbolo de sabedoria, assim como papoilas dormideiras, que simbolizam a morte.
Para quem não conhece o Cemitério dos Prazeres, vale a pena uma visita. Para além de um mero cemitério, é um conjunto impressionante de obras de arte da arquitectura, e onde estão sepultados grandes vultos da cultura, política e vida social portuguesa.

Cemitério dos Prazeres
O Cemitério dos Prazeres foi construído no ano de 1833. Em Junho desse ano, uma violenta epidemia de cólera morbus assolou Lisboa, causando milhares de mortos, o que forçou as autoridades sanitárias ao estabelecimento de dois cemitérios, e à proibição dos enterramentos nos espaços religiosos, como tradicionalmente se efectuavam. A legislação vem regulamentar a interdição dos enterramentos em igrejas, conventos, ermidas e demais espaços religiosos, obrigando à construção, em todo o País, de cemitérios públicos.
Servindo o lado ocidental de Lisboa, onde se implantavam os bairros das residências aristocráticas, desde cedo que este se torna o cemitério das famílias dominantes da cidade. Símbolos de variadas interpretações, religiosas, maçónicas, profissionais, heráldica, bem como a disposição espacial das construções e a variação das formas de que se revestem, tornam este espaço num precioso testemunho da forma como no séc. XIX se pensava a morte.


Bem hajam 
Carlos Fernandes

terça-feira, 4 de abril de 2017

Um café e beija-me depressa


Ele há evidências que ninguém nega. Primeira: os beijos são coisas doces. Segunda: os portugueses são um povo beijoqueiro. Mas a gente de Tomar parece determinada a levar a coisa ainda mais a peito e criou beijos feitos com o mais apetitoso doce de ovos e envolto em açúcar de pasteleiro. 

Quanto à atraente caixa dos «Beija-me depressa», com dois meninos dentro de um coração branco em fundo rosa, não sofreu alterações. Com uma ingenuidade que se contrapõe ao nome e um gosto muito anos 60, o desenho é da autoria de Constantino e as caixas iniciais eram feitas na Tipografia Nabão. Esta empresa, fundada por Mário Gonçalves (Mário "Catorze") e Fernando Maria ("Pimpão"), ardeu em Agosto de 2009.


Digam lá, só de ver cresce água na boca !
Vá lá, beija me depressa !!
Bem hajam 
Carlos Fernandes


RECEITA:

BEIJA-ME DEPRESSA



225g de açúcar
1 Colher (sopa) de manteiga
 12 Gemas
2 Colheres (sopa) de farinha de trigo peneirada
 Água
 Óleo para untar
 Açúcar de confeiteiro para polvilhar.

Leve ao fogo brando o açúcar com água (o suficiente para cobrir o açúcar) e deixe ferver até atingir o ponto de pérola (quando a calda escorre da colher formando um fio cuja extremidade é semelhante a uma pérola).
Retire do fogo, misture imediatamente a manteiga à calda e deixe amornar.
Adicione as gemas, uma a uma, mexendo a cada adição e em seguida coloque a farinha de trigo, aos poucos, misturando bem.
Leve novamente ao fogo brando, até obter ponto de estrada, (quando ao passar uma colher de madeira na panela onde está sendo feita a calda, o fundo se torna visível, formando uma estrada).
Coloque então essa massa numa travessa untada com óleo e deixe-a repousar de um dia para o outro.
No dia seguinte, faça bolinhas com a massa, polvilhe-as com açúcar de confeiteiro e coloque em fominhas de papel.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Círios saloios


O culto medieval a Nossa Senhora do Cabo ou Santa Maria da Pedra de Mua - por vezes confundido erradamente com a devoção a Nossa Senhora da Arrábida, que a tradição afirma datar de 1215 - é documentalmente mencionado pela primeira vez numa carta régia de D. Pedro I, datada de 1366, e constitui uma das mais antigas e interessantes manifestações de religiosidade popular em Portugal.
Divulgado o miraculoso achamento da imagem de Nossa Senhora no espigão rochoso do Cabo Espichel, muito rapidamente o culto terá levedado, não só entre as localidades mais ou menos vizinhas da margem sul do Tejo, mas sobretudo na margem norte do rio, recobrindo praticamente todo o território da região saloia. Aqui viria a atingir assinalável relevo, ficando conhecido pela designação de "círio saloio", "círio real" ou "círio do bodo", tendo não poucas vezes contado com a especial protecção da Família Real.

O Círio é um misto de romaria e procissão a um santuário que fica num local distante da povoação .
O Círio dos Saloios à Nossa Senhora do Cabo está ligado ao pagamento de uma promessa para  afastar uma epidemia de peste que assolava a região de Lisboa .

Quanto à primeira tradição, Frei Agostinho de Santa Maria narra-a de forma bastante lacónica no seu "Santuário Mariano" 

"No mar Oceano, para a parte do meio dia a sul] da Corte, e Cidade de Lisboa, mete a terra hua ponta, ou despenhada rocha, a que os navegantes chamam o "Cabo de Espichel", e os antigos chamaram Promontório Barbárico (…) Neste sítio sobre a rocha se vê ao presente rua Ermidinha, que se edificou para memória, a que chamam o Miradouro; é tradição constante, que aparecera a imagem de nossa Senhora que por ser vista naquela rocha, a que chamão Cabo, a denominàrão com este título." E passa a identificar os autores da descoberta: "Os venturosos", e os que primeiro descubriram este rico tesouro, foram alguns homens da Caparica, que iam aquela serra a cortar lenha; e daqui teve principio serem eles os primeiros também, que a festejassem. Por esta causa vão todos os anos com o seu sirio a solemnizar a sua festa em o primeiro Domingo de Junho "
Documentalmente mencionado pela primeira vez numa carta régia de D.Pedro I, datada de 1366 e constitui uma das mais antigas e interessantes manifestações de religiosidade popular em Portugal.
 "círio saloio", "círio real" ou "círio do bodo", tendo não poucas vezes contado com a especial proteção da  Família Real.
Teria dado início o culto a partir de 1430, que se tornou um centro de romarias e procissões por círios de oito freguesias da margem sul e uma da capital .

As Casas dos Círios (ou simplesmente Hospedarias) situam-se no Cabo Espichel, concelho de Sesimbra, freguesia do Castelo, Distrito de Setúbal.
As Hospedarias são constituídas por duas alas de edifícios de rés-do-chão (loja) e primeiro andar (sobrado), sobre arcadas de pedra, que ladeiam a Igreja de Nossa Senhora do Cabo e que com ela delimitam o terreiro do arraial. Trata-se de construções típicas da arquitectura popular saloia, que assim contrastam com o carácter erudito da igreja barroca.
À igreja afluíam antigamente vários e numerosos grupos de círios (grandes grupos de peregrinos, organizados em romarias colectivas), cujo número se aproximou da meia centena. Foi ao designado Círio Saloio, integrando romeiros das redondezas da capital, que coube a construção de grande parte das hospedarias, conforme se pode ler numa lápide: "Casas de N. Sra. de Cabo feitas por conta do Sírio dos Saloios no ano de 1757 para acomodação dos mordomos que vierem dar bodo".
Bem hajam 
Carlos Fernandes

domingo, 5 de março de 2017

Adega dos Apalaches , adega da serra no coração do pinhal !


Longe da vista ,não no fim do mundo,o principio da vida , surge numa aldeia esquecida com alma serrana e tradições ancestrais, É na Adega dos Apalaches que podemos celebrar o saber e sabor das gentes da serra .



A base de uma cultura gastronómica é sempre a pobreza - bem dizem os ingleses que a necessidade é mãe da invenção. Ou alguma vez o nosso receituário de bacalhau seria tão rico como é se o bacalhau, durante os séculos em que estimulou a criatividade caseira, estivesse ao preço que está hoje? Quem inventaria as iscas se pudesse comer sempre bifes do lombo? 



Adega dos Apalaches 


   Cabrito estonado ,maranhos , sopa da panela,grelhados de excelência, bem como  doces irresistíveis que fazem parte não do nosso imaginário mas sim desta adega com alma , serviço justo e atencioso a condizer com a hospitalidade do pinhal.                                                                                              



Cozinhar é talvez o mais privado e arriscado acto. No alimento se coloca  o saber, a ternura ou ódio.
É na panela que se verte tempero ou veneno. No fundo cozinhar não é serviço. Cozinhar é um modo de receber e amar os outros, sinta-se amado e venha ver o fogo que arde sem se ver na Adega dos Apalaches.


Fotos :Adega dos Apalaches 
Bem hajam 
Carlos Fernandes





terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O despertar, 28 de FEVEREIRO DE 1906 ! Touring Club de Portugal .



Criação da Sociedade de Propaganda de Portugal

A criação da Sociedade Propaganda de Portugal é uma das iniciativas mais admirá- veis do princípio do século XX e aquela que mais influenciou o despertar do turismo em Portugal

Criação da Sociedade de Propaganda de Portugal, também chamada de Touring Club de Portugal. Segundo Ana Cardoso de Matos e Maria Luísa F. N. dos Santos ("Os Guias de Turismo e a emergência do turismo contemporâneo em Portugal (dos finais do século XIX às primeiras décadas do século XX" in Geo Crítica, Scripta Nova, Revista electrónica de Geografia y Ciências Sociales, Universidad de Barcelona, vol. VIII, num. 167, 15 de Junio de 2004), os "(…) objectivos eram «promover, pela sua acção própria, pela intervenção junto dos poderes públicos e administrações locais, pela colaboração com este e com todas as forças vivas da nação, e pelas relações internacionais que possa estabelecer, o desenvolvimento intelectual, moral e material do país e, principalmente, esforçar-se por que ele seja visitado e amado por nacionais e estrangeiros»." Ainda segundo as Autoras, Leonildo de Mendonça e Costa teve um papal fundamental na criação desta sociedade, que agregou personalidades de diferentes campos político partidários.


 Esta organização, com um crescente número de sócios, procurou incentivar o turismo nacional e estrangeiro. "Os seus fins eram: «organizar e divulgar o inventário de todos os monumentos, riquezas artísticas, curiosidades e lugares pitorescos do país; publicar itinerários, guias e cartas roteiras de Portugal; organizar ou auxiliar excursões; promover a concorrência de estrangeiros, e uma maior circulação de nacionais dentro do território; dar as informações que lhe sejam solicitadas; fornecer a hotéis, casinos, estabelecimentos hidroterápicos, empresas de transportes, etc, plantas de instalações, tabelas de preços e lista de objectos de uso corrente nos grandes centros de excursionismo; promover reformas e melhoramentos na instalação e regime de hotéis, transportes e serviços locais; e de uma maneira geral estudar todas as questões de interesse geral conexas com o fim da sociedade»"
Fonte :Arquivo Fundação Mário Soares



Bem hajam 
Carlos Fernandes

sábado, 25 de fevereiro de 2017

No Entrudo come-se tudo .


O antigo Entrudo português - caceteiro e ofensivo, avinhado e licencioso, tinha um dito relacionado com a comida: "No Entrudo come-se tudo".
Mas é preciso cuidado com afirmações definitivas: no Entrudo, não tem lugar o peixe, que segundo a sabedoria popular não puxa carroças, e nesta quadra festiva há sempre carroças a puxar, algumas bem pesadas por sinal.


O Carnaval é festejado nos três dias que antecedem a Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas e se prolonga até à Páscoa.
Mas em rigor, logo a seguir à quadra natalícia, mais concretamente no termo do período dos doze dias que vão do Natal aos Reis, começa a preparar-se o ambiente para o Carnaval. E pode-se dizer que noutros tempos a época carnavalesca começava mesmo no Dia dos Reis, 6 de Janeiro. A partir de então, os domingos eram assinalados por festas já carnavalescas e grandes comezainas, o que levou a apor-lhes o designativo de Domingos Gordos.
Assim nasceram as feijoadas de Carnaval, e diga-se desde já que as melhores são as do Norte, com destaque para as transmontanas, enriquecidas com o fumeiro da região.


Na Beira Litoral, faz-se uma feijoada com orelheira, a que se juntam muitos nabos (4 para 1 orelha) e a respectiva rama, tenrinha.
Nas Minas da Panasqueira, há uma feijoada temperada com massa de pimentão, e na qual, do porco, só se usam os pezinhos.
No Porto, toda a gente sabe, fazem-se grandes feijoadas e diga-se enfim que as tripas não seriam o que são se lhes faltasse a saborosa leguminosa. Falta acrescentar que os açorianos juntam à feijoada ramos de funcho, prevenindo assim eventuais flatulências.

Manda a tradição que a feijoada seja sempre acompanhada por arroz, e há uma explicação para o facto: o cereal melhora a qualidade das respectivas proteínas.
No Norte, em princípio, o arroz é de forno, devendo ser servido no recipiente em que foi cozinhado.

Será necessário dizer ainda que as feijoadas são melhores se forem reaquecidas.
O feijão chegou à Europa Ocidental em 1528 e os historiadores atribuem o feito ao Papa Clemente VII que, tendo recebido das Índias Ocidentais umas estranhas sementes em forma de rim, ordenou a um frade, Piero Valeriano, que as semeasse.
Os resultados finais foram excelentes: além do mais, os frutos produzidos (baptizados com o nome de fagioli, por fazerem lembrar as favas) eram agradáveis ao paladar.


Quando Catarina de Médicis viajou para Marselha, para casar com o Duque de Orleães, futuro Henrique II, o frade Valeriano explicou-lhe que os homens também se conquistam pelo estômago e meteu-lhe na bagagem um saco com feijões.
Parece que o frade tinha toda a razão.


do livro: Festas e Comeres do Povo Português

Bem hajam 
Carlos Fernandes

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Tempo de Carnaval


O Carnaval teve a sua origem numa festa popular já anterior ao Cristianismo. Tudo começou em Itália e a festa era chamada “Saturnália”, em homenagem a Saturno. Nesses festejos eram figuras de honra aos deuses greco-romanos, Baco e Mono e aconteciam nos meses de Novembro e Dezembro. Durante essa festa, que tinha lugar na cidade de Roma, toda a população se misturava, inclusive os escravos com os senhores… e por vezes cometiam-se imoralidades. Com o aparecimento e expansão do Cristianismo, surgiram os primeiros sinais de censura a esses festejos.

A igreja católica conseguiu determinar que esses festejos só deveriam ser realizados antes da Quaresma. Os Italianos adoptaram  então a palavra “Carnevale” – “vale tudo o que se quiser fazer…” antes da Quaresma, numa espécie de abuso de carne.
A festa de Carnaval chegou a Portugal nos séculos XV e XVI, recebendo o nome de Entrudo, isto é – introdução à Quaresma através de uma brincadeira agressiva e pesada. Era  um divertimento marcado por gastronomia própria, mas também por alguma violência. Faziam-se esferas de cera bem finas, com o interior cheio de água e depois atiravam-se às pessoas.
Havia quem fosse mais longe nas suas atitudes; injectavam dentro dessas esferas substâncias  mal cheirosas e impróprias…
No ano de 1882 o comércio iniciou o costume de fechar as portas na terça-feira de Carnaval para haver os desfiles nesse dia.



Bem hajam 
Carlos Fernandes

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Comendadeiras de Santiago . Mosteiro de Santos o Novo


COMENDADEIRA, s. f. Mulher que tem comenda; comendadora: "veio à côrte D. Jorge, mestre das ordens de Santiago e de Aviz, e se aposentou em Santos o Novo, onde estava a comendadeira sua mãe", Francisco de Andrade, Crónica de D. João III, IV, cap. 43, p. 169.
HIST. Comendadeiras de Santos: Uma velha tradição diz ter o rio Tejo arrojado a uma das praias da sua margem direita, que depois se ficou chamando de Santos, os corpos dos santos mártires Veríssimo, Máximo e Júlia, irmãos, naturais de Lisboa, filhos de pais nobres e ricos, mandados martirizar por Públio Daciano, legado do imperador Diocleciano. No local, pela tradição indicado, mandou D. Afonso Henriques edificar a Igreja de Santos, e D. Sancho I um mosteiro, destinado aos cavaleiros da Ordem de Santiago da Espada. Mais tarde, tendo estes recebido de D. Afonso III as vilas de Mértola, Alcácer do Sal e Palmela, foi o mosteiro concedido a algumas senhoras parentes dos cavaleiros de Santiago, a quem D. Afonso Henriques concedera o título de Comendadeira e que por êsse tempo viviam reunidas numa quinta em Arruda dos Vinhos.
Largos anos estiveram essas donas e donzelas no mosteiro de Santos, sendo conhecidas vulgarmente nessa época por mulheres da obrigação dos cavaleiros de Santiago. Porém, em 1470, D. João II mandou que essas senhoras passassem para a ermida de Nossa Senhora do Paraíso, entre os conventos de Santa Clara e Xabregas, enquanto se construia, o de Santos-o-Novo, edificado na calçada da Cruz da Pedra, freg. de Santa Engrácia. Em 1475 entraram as comendadeiras naquele novo e vasto convento, com bons dormitórios, grande claustro arborizado, tendo o espaçoso edifício muitos compartimentos e 365 janelas. E anos depois, foram solene e processionalmente transportadas para o convento de Santos-o-Novo as relíquias dos Santos Mártires, que desde o reinado de D. Afonso Henriques estavam guardadas na igreja de Santos-o-Velho, que assim passara a denominar-se a igreja antiga. As relíquias foram encerradas em cofres de prata, colocados à direita do altar-mor da igreja. As senhoras recolhidas naquele mosteiro gozavam de muitas honras e privilégios, não sendo consideradas freiras. Eram pessoas nobres, que podiam ter criadas ao seu serviço. Algumas delas professavam votos iguais aos cavaleiros da mesma Ordem de Santiago. Pertenceram à Ordem senhoras de nobre estirpe, como D. Auzenda Egas, descendente de Egas Moniz e D. Sancha Martins Peres, que foi a primeira superiora. Como D. Afonso Henriques recomendara em uma carta para Arruda dos Vinhos, quando as senhoras das famílias dos cavaleiros de Santiago ali se encontravam, que usassem toucados honestos, as comendadeiras seguiram sempre essa recomendação, vestindo trajos de sêda preta colocando sôbre êles mantos brancos de tule com as cruzes de Santiago e toucados também brancos nos cabelos. A princípio ocuparam, cada uma, várias dependências do convento, mas, pouco a pouco, foram vivendo mais modestamente, contentando-se cada uma com mais reduzido número de compartimentos; e o título de comendadeira chegou ao séc. XIX apenas como honorífico.


O terramoto de 1755 arruinou bastante o edifício, chegando as senhoras ali recolhidas a terem que armar barracas na cêrca do convento para ali se abrigarem, até se reedificarem os seus dormitórios. Em 1833, o mosteiro podia acomodar 500 pessoas. Mas nesse mesmo ano D. Pedro IV ordenou que as religiosas de todos os conventos recolhessem para dentro das linhas de defesa de Lisboa, e a maior parte das comendadeiras de Santo-o-Novo recolheu ao mosteiro da Encarnação, da Ordem de S. Bento de Aviz. Terminadas as lutas civis, as comendadeiras regressaram ao seu convento.
O edifício do convento de Santos é actualmente (1941) património do Estado e destinado a recolhimento de viúvas e filhas de oficiais do Exército e da Armada e funcionários públicos, dependendo da Direcção Geral de Assistência Pública. No edifício estão também escolas primárias e o Instituto Presidente Sidónio Pais, do Prefessorado Primário (secção masculina).

Bem hajam 
Carlos Frnandes

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

As Lupercales , São Valentim .


Era no dia 15 de fevereiro que, na Roma Antiga, se celebrava aquela que era a maior festividade de cariz sexual da época. Chamava-se “Lupercales” e consistia em deixar os jovens andar nus pelas ruas a chicotear as mulheres que encontravam pelo caminho com tiras de couro de cabra. Uma festa demasiado “lasciva” e “obscena” para o cristianismo que emergia, e que acabou por ser cancelada no ano de 494, tendo sido antecipada um dia e substituída então pela festa em homenagem ao sacerdote Valentim.

A forte carga sexual das “Lupercales” levou o Papa de então, Gelásio I, a condenar esta festa pagã substituindo-a pela celebração de São Valentim, mártir que morreu no dia 14 de fevereiro do ano de 270. De acordo com a lenda, São Valentim era um sacerdote cristão que tinha sido um dos maiores opositores da lei que proibia os soldados de se casarem. O sacerdote, que também era médico, terá celebrado o casamento de vários jovens apaixonados à revelia das ordens do imperados Cláudio II. Como consequência, o imperador terá ordenado a morte de Valentim.
De acordo com o jornal espanhol ABC, que recorda a comemoração das “Lupercales”, a festividade religiosa em homenagem ao mártir São Valentim foi celebrada até ao ano de 1969, altura em que a Igreja Católica decidiu eliminar o dia de São Valentim do calendário religioso, passando então a assinalar-se a data à mesma (associada a um santo) mas não do ponto de vista religioso.
O nome “Lupercales” está associado à palavra “lobo”, animal que representava Fauno Luperco, romanização do grego Pan, Deus da fertilidade e da sexualidade masculina. O lobo acabaria por se tornar um animal chave na mitologia da fundação da cidade de Roma, associada à lenda dos gémeos Rómulo e Remo.
Bem hajam 
Carlos Fernandes

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Entrudo chocalheiro


Esta tradição parece ter tido origem nas festas romana dedicadas a Saturno, Deus das sementeiras. Sendo a agricultura a principal fonte de sustento era necessário acalmar a ira dos Deuses para que a Primavera trouxesse abundância de sol e boas colheitas.

O traje .
O traje dos Caretos tem um papel muito importante em todo este ritual. Vestem fatos elaborados com colchas franjadas de lã ou de linho vermelho, verde e amarelo feitas em teares ancestrais e usam mascaras rudimentares onde sobressai o nariz pontiagudo. As mascaras são feitas de couro, madeira ou latão,pintadas de vermelho e preto,amarelo ou verde.Da sua indumentária como não poderia deixar de ser, fazem parte os chocalhos que penduram à cintura e um pau que os apoia nas correrias e saltos.
  
O ritual
«E no domingo e terça feira de Carnaval que os caretos vêm para a rua. Surgem em bandos de todos os cantos da aldeia, em loucas e frenéticas correrias . O anonimato dado pelo uso da máscara, permite aos Caretos fazer todo o tipo de tropelias. O individuo ao vestir o fato torna-se misterioso e o seu comportamento muda completamente, ficando possuído de uma energia transcendente .

As raparigas solteiras são as vitimas preferidas . Encostam-se a elas e ensaiam danças com conteúdo erótico, agitando a cintura e batendo com os chocalhos nas ancas das vítimas que acompanham a dança.Até à poucos anos as raparigas escondiam-se em casa pois as brincadeiras eram por vezes excessivas: lançavam cinzas, dejectos e formigas selvagens.
Outras das suas vítimas são os donos das adegas. Quando são apanhados, pegam-lhes ao colo e obrigam-nos a abrir as pipas de vinho para beberem . Hoje em dia os Caretos são mais moderados, mas mesmo assim, as suas correrias e os seus gritos ainda assustam os mais desprevenidos .
Por tudo isto, a sua visita a vivência e experiência, destes eventos tradicionais são momentos marcantes, venha daí atreva-se a desafiar os Caretos!
Bem hajam
Carlos Fernandes