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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Não há só estrelas, no céu !!!!!


Cada regresso ás minhas origens é uma viagem .
Sempre achei que as origens e raízes de cada um de nós,são um motivo de orgulho e felicidade.
Quase sempre, em tempo de férias escolares, guardo um tempo para matar saudades , visitar velhas amizades, e encontrar-me na imensidão do verde, ouvir os silêncios da serra e contemplar o azul esperança  do horizonte .
Encontro-me numa aldeia, Vila em tempos denominada por Cortiçada até ao século XVI, a justificação para tal nome não me parece de elevado grau de dificuldade, já que a abundante produção de cortiça e o elevado numero de colmeias, em tempos foram de grande importância para a região .
Até praticamente ao século IX as vias de comunicação a este pedaço de paraíso eram praticamente inexistentes, podendo afirmar-se que estava esquecido e isolado do resto do país, lembrando muito da actualidade, Lisboa é Portugal o resto é paisagem !!
Hoje com o nome de Proença a Nova,o topónimo suscita maiores duvidas, se para alguns se relaciona com a religião em geral de proveniência francesa, já outros aproveitaram a ideia para o filiar a Provença .


Estar e sentir Proença a Nova, é algo que nos marca e surpreende, o seu grau de desenvolvimento, criatividade ,e inovação é a todos os níveis notável , com uma oferta onde a diversidade concentrada aliada à arte de bem receber, extravasa em muito as mentes mais exigentes, desde os alojamentos, restauração , património histórico, actividades de lazer, praia fluviais , e aquele verde , autêntico e genuíno que só a Beira nos pode oferecer.
Mas hoje a estrela é o artesanato,mas o autêntico o genuíno, feito com paixão e mestria. Todavia a estrela cintilante tem um nome Dilan Cardoso Fernandes,um tesouro com raízes na terra que o viu nascer, filho de gentes com as mãos marcadas pelo peso e preço alto da canga que lavra a vida, gente de bem , simples e grande, muito grande .....
Numa das minhas visitas a Proença,desloquei-me ao estabelecimento comercial dos pais do Dilan, e perguntei por ele, já eram famosas as suas casas de xisto, e os seus terços de cortiça, para pena minha não se encontrava, disse-me a mãe o meu Dilan não está , e aquele orgulho , aquele carinho, fizeram-me acreditar que o futuro estava ali !!
Ás vezes pergunto-me qual será o papel  dos jovens nos dias de hoje,dentro da sociedade.
Com toda esta criminalidade, toda esta falta de saídas, drogas, fome falta de esperança-
Tudo isto agravado pela desigualdade social que impera no país.
Digamos que o jovem coloca-se como herdeiro, dos problemas sociais, mas acredita-se, que como agente construtor da sociedade, os jovens podem sim mudar todo este caos que a eles foi apresentado.
Felizmente temos jovens que acreditam neste papel transformador .

Proença a Nova apesar de ser também um concelho envelhecido do interior , tem nos seus jovens o seu mais valioso activo , assim consigamos não só fixa-los, mas acima de tudo alimentar-lhes os sonhos .
Dilan é um jovem da terra, rei das pescarias,católico convicto, com ele aprendi os rituais da semana Santa em Proença um verdadeiro guia . De artesão a estudante esforçado , este jovem finalmente tem um sonho ser carpinteiro,tudo tem feito para o concretizar, porque saber e não fazer ainda não é saber .
Não é o caso!! É mestre no seu sonho !!!!

Algumas das obras do Dilan, desde os bancos artesanais de excelente qualidade, aos terços de cortiça passando pelas artes decorativas, a nossa estrela cintilante tem para oferecer, como bom empreendedor que é , também domina as novas tecnologias, para reservas e encomendas o seu email
Olá , esta pagina existe para divulgar o artesanato que pratico nas horas vagas....trabalho 2 tipos de materiais ,o xisto e a madeira,que predominam na zona centro.
O "porquê" do nome "Memorias de um Carpinteiro.",o meu avô era carpinteiro,e como me estou a iniciar nos trabalhos em madeira,decidi prestar-lhe uma pequena Homenagem a ele,dando este nome"Memorias de um Carpinteiro" ,o "Memorias "surgiu na ideia para o relembrar ,já que morreu á muitos anos e o "carpinteiro"vem da profissão que ele desenvolvia.O xisto surgiu derivado a eu gostar das aldeias construídas em xisto e ser um material ,bastante fácil de ser trabalhado.


Aos pais do Dilan o meu bem haja !!!
Ao Dilan todo o meu apoio, e conto com o de todos deste grupo A.ruralidades (vamos a encomendar ), continua !!! O sonho comanda a vida .......
A todos como na camisola do Dilan isto sim, é Portugal no seu melhor,  o futuro está aqui !!


Bem hajam
Carlos Fernandes

sábado, 25 de janeiro de 2014

A Alheira de Mirandela

A Alheira surgiu nos finais do século XV ( Casa da Cultura do Conselho de Mirandela).
Teve como causa próxima do seu aparecimento uma acção político-económica do rei D. Manuel definida pela expulsão dos judeus do país (Martins, 1983; Fernandes, 1986; Casa da Cultura do Concelho de Mirandela 1988).
Que os judeus ricos ficassem na sua Pátria, e mesmo praticando a lei de Moisés, que o fizessem. Desde que, claro está, pagassem as volumosas contribuições para o caso expressamente estabelecidos e que assim os discriminavam ( Casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988).
A isto muitos se sujeitaram, quer por interesse, quer mesmo por amor á terra que os vira nascer, se bem que outros menos conformistas, e ainda que vendo-se espoliados de substancial naco dos seus bens se fossem de abalada para as terras da Itália, da França e da Flandres, levando consigo apenas sobras do estorpulado mas toda a sua rica cultura (Casa da Cultura de Mirandela, 1988).
Mas e os pobres? E os Judeus pobres também os havia? Sem posses para pagar nem para tentar mudança de vida na estranja, outro remédio não tinham senão deixar encharcar a cabeça com as águas do Baptismo, aprender o Credo e o Padre-Nosso e reverentemente passarem a recitá-los, a maior parte das vezes com duvidosa convicção, nas sombrias naves das Igrjas Cristãs. E assim nasceram os Cristãos Novos( Casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988).
Mas, ou porque sentissem de perto o frio do cárcere ou o calor das chamas do Santo Ofício, aos poucos, com os seus familiares e teres, e foram os pobres filhos de Israel escapulindo de cidades e vilas, buscando a segurança e calma que o frio torna em solidão, em terras para além do Marão (Casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988).
Não paravam, no entanto, os esbirros da Inquisição que infiltrando-se nos quais pequenos e distantes lugarejos transmontanos, secretamente procuravam saber quem não trabalhava ao Sábado, quem não comia peixe sem escama nem carne de porco (Casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988).
Muitos Judeus houve que descobriram no fabrico das alheiras uma forma de enganar os perseguidores ( Martins, 1983; Fernandes, 1986; Conceição, 1995).
Começaram a aparecer no cimo das confortantes braseiras que amenizavam o rigor das invernias daquelas frígidas terras, uns doirados e roliços enchidos, parecendo ressumar farta gordura de cervo recentemente abatido, que, por entre ténues cortinas de fumaça se enfileiravam em ar de abastança (Casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988 ).
E os políticos e delatores miravam a luzidia comida, tocavam a sua untuosidade, e acabavam muitas vezes por se empanturrar de comum com os visitado, por entre nacos de pão centeio e camadas de vinho da última colheita, assim terminado por concluir que homem que come daquele enchido de porco, Judeu não é mas Cristão e dos bons(Casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988).
Os perseguidos Cristão Novos em lugar de meter na tripa seca a carne do animal que a lei mosaica vedava, antes usavam a gorda galinha criada no seu terreiro, o fugidio coelho do mato, a anafada perdiz, tudo amassado no grosseiro mas gostoso pão da região, servindo de excipiente doirado azeite de vestutas Oliveiras e de condimento agressivo do alho Silvestre (Casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988).
Mas os tempos passaram. E a alheira foi-se metamorfoseando. E venceu o porco. (Casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988).
A verdade é que com o decorrer dos tempos foi este animal quem melhor sabor começou a fornecer a este alimento (Martins, 1983; Fernandes, 1986; Conceição,1995).

Assim, hoje a alheira é um enchido essencialmente confeccionado com carne de cevado, nado e carinhosa mas interesseiramente criado no âmbito doméstico (casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988).
Realmente a alheira é rigidamente um manjar transmontano e no paladar apenas difere um pouco de casa para casa, de família para família que lhe fica vizinha, donde a estimulante competitividade que leva convicta e vigorosamente a afirmar sempre que a “minha alheira é melhor do que a tua” (Casa da Cultura do Concelho de Mirandela, 1988).
O costume alastrou por toda a região e a fama das alheiras tornou-se conhecida em todo o país, e os pedidos deste produto passaram a ser muitos. As populações transmontanas, para os satisfazerem, traziam as alheiras á estação do comboio mais próxima, que era Mirandela.
Deste modo, as alheiras que chegavam a todo o país tornaram-se famosas e passaram a ser conhecidas como Alheira de Mirandela .
O espírito empreendedor das gentes de Mirandela levou a que o fabrico e a comercialização da alheira se desenvolvesse em torno da sua cidade, mantendo reservado o seu saber fazer local

As matérias-primas utilizadas na sua confecção e o processo de fabrico muito próprio, que inclui a tradicional fumagem com a lenha seca e compacta das árvores que se desenvolvem nas particulares condições endafo-climáticas da região, conferem á Alheira de Mirandela características organolépticas únicas.
A notoriedade, consequência das características únicas e muito apreciadas da Alheira de Mirandela , fez com que este produto atingisse a reputação de que goza hoje em dia. E também porque são de facto as Alheiras de Mirandela que continuam a fazer perdurar o sabor original deste enchido.

Fotos : Raul Coelho 
Bem hajam 
Carlos Fernandes 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A ginja de Óbidos

Ginja de Óbidos
Óbidos é uma das principais referências da ginjinha, sem que haja uma data e local exacto para a sua origem. Os dados recolhidos apontam-nos uma contradição: “Uns afirmam que foram os imigrantes galegos que a trouxeram para o nosso país, outros que a tradição vem dos frades portugueses”.
O que sabemos é que uma garrafa de ginja de Óbidos é a melhor lembrança que qualquer pessoa que visite a vila medieval pode oferecer aos amigos. Até a Região de Turismo do Oeste acredita nas potencialidades de promoção da região que este produto tem e pagou o design das caixas que guardam os milhares de garrafas da genuína ginjinha caseira, produzida ao longo do ano numa fábrica tradicional da aldeia do Sobral da Lagoa. Segundo presidente da região de turismo do oeste, tem mais vantagens as pessoas levarem uma garrafa do que folhetos promocionais de Óbidos, porque da ginja certamente se recordarão, enquanto que as brochuras acabam por ir parar no lixo”,
À partida, fazer ginjinha nem é difícil e até pode ser feita em casa sem grandes utensílios. A receita passa por encher um recipiente com aquele fruto vermelho arroxeado de sabor agridoce. Quanto mais ácido for, melhor.

As ginjas devem depois ser cobertas ligeiramente com uma boa aguardente, de preferência vínica, e bem forte, de 70º ou 75º. Não se deve abusar da aguardente. Esta infusão deve ser guardada fechada durante oito a doze meses.

Passado este tempo, o líquido deve ser escorrido para uma panela e deve ser adicionado açúcar (cerca de 3,5 quilos por cada dez litros), amornando para ajudar a dissolver. As ginjas devem ser distribuídas por garrafas ou outros recipientes de vidro, desde que se possa colocar uma rolha, e depois junta-se o líquido. Agora é só esperar que as ginjas desçam para o fundo das garrafas, bem fechadas, o que demora cerca de duas a três semanas.
O resultado será um licor com um cheirinho leve e agradável, sem corantes nem conservantes, delicioso e óptimo para brindes. As mulheres são grandes apreciadoras deste tipo de bebida, uma vez que é doce. Mas não se caia em ilusões, porque o teor alcoólico facilmente dá a volta à cabeça a quem quer que beba o licor.
Fonte:
Paulo Moreiras, autor de um livro sobre o licor – “O elogio da ginja”
Jornal oeste on line
Município de Óbidos

Bem hajam 
Carlos Fernandes 

Vinho Alenquer DOC

Vinho Alenquer DOC . 
Região famosa pelos seus vinhos, nomeadamente os brancos, que já no século XIV eram muito apreciados em Inglaterra e que mais tarde obtiveram grande êxito na Exposição de Londres em 1890.As vinhas formam grandes manchas contínuas, acompanhando o relevo e desenvolvendo-se por encostas e vales. Produzem vinhos brancos e tintos de grande qualidade.Região famosa pelos seus vinhos, nomeadamente os brancos que fizeram furor na Exposição de Londres em 1890, tem duas delimitações diferentes mas ambas confinadas ao concelho que lhe dá o nome.As vinhas formam grandes manchas contínuas, acompanhando o relevo e desenvolvendo-se por encostas e vales. Produzem vinhos de grande qualidade, principalmente os de meia encosta de exposição a sueste.A área geográfica correspondente à Denominação de Origem "Alenquer" compreende duas delimitações:
Para vinhos tintos e brancos -concelho de Alenquer (freguesias de Aldeia Gavinha, Abrigada, Meca, Ota, Olhalvo, Pereiro de Palhacana, Ribafria e Ventosa e parte das freguesias de Aldeia Galega, Cabanas de Torres, Cadafais, Santo Estêvão, Santana da Carnota e Triana). 
Exclusivamente para vinhos brancos - concelho de Alenquer (parte das freguesias de Aldeia Galega, Cabanas de Torres e Vila Verde dos Francos).Castas recomendadas:Vinhos tintos:Aragonês (Tinta Roriz), Castelão (Periquita1), Tinta Miúda, Touriga Nacional e Trincadeira (Tinta Amarela), no conjunto ou separadamente com um mínimo de 65 %, do encepamento, Alicante Bouschet, Amostrinha ,Baga, Cabernet Sauvignon, Caladoc, podendo esta estar representada com um máximo de 15% do encepamento, Camarate, Jaen, Preto Martinho, Syrah, Tinta Barroca,e Touriga Franca.
Vinhos Brancos:Arinto (Pedernã), Fernão Pires (Maria Gomes), Rabo de Ovelha, Seara Nova, e Vital, no conjunto ou separadamente com um mínimo de 65 % do encepamento, Alicante Branco, Alvarinho, Chardonay, Jampal, Malvasia Rei, Ratinho, Sauvignon e Viosinho.CARACTERÍSTICAS ORGANOLÉPTICAS:Vinhos Tintos: São vinosos, vivos e brilhantes enquanto jovens, intensos e equilibrados, com raro bouquet quando estagiados e envelhecidos.Vinhos Brancos:De qualidade notória, com destaque para os de meia encosta de exposição a sudoeste, são vinhos aromáticos, cheios e persistentes no sabor.Fontes : roteiro gastronómico de Portugal  

Município de Alenquer
Bem hajam 
Carlos Fernandes


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

As Janeiras

As Janeiras, cantar as Janeiras é uma tradição em Portugal que consiste no cantar de músicas pelas ruas por grupos de pessoas anunciando o nascimento de Jesus, desejando um feliz ano novo. Esses grupos vão de porta em porta, pedindo aos residentes as sobras das Festas Natalícias. Hoje em dia, essas 'sobras' traduzem-se muitas vezes em dinheiro.
Ocorrem em Janeiro, começando no dia 1 e estendendo-se até dia 6, Dia de Reis ou Epifania. Hoje em dia, muitos grupos (especialmente citadinos) prolongam o Cantar de Janeiras durante todo o mês.
A tradição geral e mais acentuada, é que grupos de amigos ou vizinhos se juntem, com ou sem instrumentos (no caso de os haver são mais comuns os folclóricos: pandeireta,bombo, flauta, viola, etc.). Depois do grupo feito, e de distribuidas as letras e os instrumentos, vão cantar de porta em porta pela vizinhança.
Terminada a canção numa casa, espera-se que os donos tragam as janeiras (castanhas, nozes, maçãs, chouriço, morcela, etc. Por comodidade, é hoje costume dar-sechocolates e dinheiro, embora não seja essa a tradição).
No fim da caminhada, o grupo reúne-se e divide o resultado, ou então, comem todos juntos aquilo que receberam.
As músicas utilizadas, são por norma já conhecidas, embora a letra seja diferente em cada terra. São músicas simples, habitualmente à volta de quadras simples que louvam o Menino Jesus, Nossa Senhora, São José e os moradores que contribuíram. Tipicamente havia também algumas quadras insultuosas reservadas para os moradores que não davam as janeiras. Nos últimos anos, celebrizou-se uma música de Zeca Afonso, intitulada «Natal dos Simples» que, como começa com a frase 'vamos cantar as janeiras...' é entendida por alguns como se fosse música de Janeiras, embora não seja uma canção de folclore.
Bem hajam 
Carlos Fernandes  

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Em dez anos, a Beira Interior perdeu 31 mil habitantes, o equivalente a uma cidade média

Em dez anos, a Beira Interior perdeu 31 mil habitantes, o equivalente a uma cidade média. Estessão os rostos de quem ficou
Rosa morreu na véspera da inauguração da auto-estrada e nunca mais ninguém se lembrou dela - tristes os que morrem na véspera da chegada do progresso. Os filhos em França, a panela de ferro ao lume, o avental preto meio sujo, os cabelos brancos a espreitar debaixo do lenço, a telefonia ligada. Rosa morreu num dia assim. À hora do enterro no cemitério da aldeia, a comitiva de secretários de Estado chegava à cidade. Ajeitaram-se as gravatas enrugadas da viagem, discursou-se sobre as assimetrias entre o Interior e o Litoral - Rosa morreu sem nunca ter visto o mar -, houve bandas e fanfarras, vénias e continências, comes e bebes e garantias de que agora, com a estrada a direito é que o desenvolvimento ia chegar. Quando a festa acabou, já Rosa estava a dormir debaixo da terra e os outros velhos da aldeia em casa, conformados, a contar pelos dedos os que ainda sobram. Num tempo que já não volta, chegaram a ser mais de 400. Agora não chegam a 40 e as ruas são cadáveres de pedra. A auto-estrada, essa ruga gigante que quase cortou a aldeia ao meio e prometia resolver todos os problemas, só serviu para levar gente embora. Não trouxe ninguém e, no dia em que passou a ser paga, os que foram deixaram de voltar. Já não há crianças e a escola fechou. O forno são ruínas e os castanheiros morreram de pé. Já não há recolha de leite e o merceeiro não passa. Não há quem semeie, quem ceife, quem colha ou quem compre o que se colheu. Não há panelas de ferro nem viúvas de preto. Os filhos envelhecem na França, dizem que não voltam e os que voltaram são tão tristes como as casas de granito vazias. Os filhos dos filhos foram-se embora. A Junta deixou de ser Junta e agora é outra coisa qualquer, noutro lugar. O posto público da PT fechou porque o dono morreu. Sobram os velhos, pedaços de rugas à lareira, à espera que a morte os leve como levou a Rosa. Que ao menos na lápide haja um poema de Torga.

 Artigo Rosa Santos :ionline 
Bem hajam 
Carlos Fernandes

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A arte do fogo

Pirotecnia Oleirense
Os fogos de artifício deixam milhões de pessoas impressionadas graças às suas lindas cores brilhantes. Este efeito se deve à queima de diferentes elementos químicos. Cada íon existente na composição das substâncias utilizadas ou formadas na combustão da pólvora emite uma luz com uma cor característica (conforme pode se ver na tabela 1), quando submetidos à acção de uma chama. 
Cores características emitidas por cada elemento químico ao ser submetido à ação de uma chama.
Isso é explicado por meio do modelo atômico de Rutherford-Böhr. Segundo este modelo atômico, em um átomo existem apenas algumas órbitas circulares onde os eléctrons permanecem, sendo que cada uma tem seu respectivo número de energia. Quando um eléctron permanece em sua determinada órbita, diz-se que está em seu estado fundamental. Se ele passar para uma órbita mais externa, com maior nível de energia, tal elétron se encontrará em seu estado excitado ou activado.

Porém, para que um elétron passe para um nível maior de energia ele precisa absorver um fóton (quantum de energia) de algum meio externo, como o calor do fogo, por exemplo. Nos fogos de artifício há um pavio que, ao ser acendido, inicia a combustão, fornecendo assim energia para os átomos de determinado elemento químico. Desse modo, o elétron “salta” de um nível de menor energia para um de nível superior.
Entretanto, o estado fundamental é mais estável que o excitado, por isso, imediatamente este elétron retorna para a órbita anterior. Mas, para isso, ele precisa perder a energia que ganhou; e ele faz isso emitindo certa quantidade de energia radiante, sob forma de um fóton de comprimento de onda específico, relacionado com uma determinada cor.
Como cada elemento químico possui órbitas com níveis de energia com valores diferenciados, o fóton de energia emitido será diferente para cada um. Por isso, cada elemento químico emitirá uma cor característica. Desse modo, se for utilizado, por exemplo, oxalato de estrôncio (SrC2O4) ou nitrato de estrôncio ((Sr(NO3)2), será fornecido o íon Sr2+ e dará a cor vermelha; ou se for usado cloreto ou nitrato de cobre (CuCl2 e NH4Cu(NO3)3 ), será produzido o íns Cu2+ e fornecerá a cor verde ou azul.
Em Portugal a Pirotecnia Oleirense é uma referência a nível Mundial 

sábado, 21 de dezembro de 2013

O dia mais curto

Solstício de Inverno é um fenómeno da astronomia que marca o início do Inverno. É o instante em que o hemisfério Norte está inclinado cerca de 23,5º na direcção do Sol.
O termo solstício tem a sua origem no latim solstitiusque significa "ponto onde a trajectória do sol aparenta não se deslocar". Consiste em sol + sistere que significa "parado".
No solstício de Inverno ocorre o dia mais curto do ano e consequentemente a noite mais longa do ano, em termos de iluminação por parte do Sol.
Em países do hemisfério sul, como é o caso do Brasil, o solstício de Inverno acontece normalmente no dia 21 de Junho. Em 2013, no Brasil, o solstício de Inverno aconteceu no dia 21 de Junho às 2h04, horário de Brasília. Nessa hora, o Sol atingiu a maior declinação de acordo com a linha do Equador.
O solstício acontece graças aos fenómenos de rotação e translação do planeta Terra, pois graças a eles a luz solar é distribuída de forma desigual entre os dois hemisférios. O solstício de Inverno significa que a luz do sol não incide com tanto fulgor no hemisfério em questão. São fenómenos opostos dependendo do hemisfério em que um determinado país se encontra. Por esse motivo, quando é Inverno no Brasil (hemisfério sul), é Verão em Portugal (hemisfério norte).
Bem hajam 
Carlos Fernandes

domingo, 15 de dezembro de 2013

Chocalhos...

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O chocalho remonta à Idade Média, e desde então designa um instrumento de metal, com badalo, e mais ou menos semelhante a uma campainha, para se pôr no pescoço de animais. A palavra vem do latim tardio Cloca, que designava uma vaca ou rês com chocalho. Para além de permitir a reunião dos animais de um rebanho, servia o chocalho para avisar o pastor do paradeiro de alguma rês tresmalhada. Os criadores de gado tinham o orgulho de apresentar os seus animais ornados por chocalhos decorados com as iniciais ou símbolo da casa agrícola a que pertenciam.
O fabrico dos chocalhos é artesanal e segue os mesmos processos de manufacturação de há 200 anos.
Em primeiro lugar é necessário talhar o chocalho em folha de ferro. É, seguidamente, cortado por uma tesoura fixa verticalmente à lateral do banco e depois é enrolado na bigorna. A folha é furada para que seja colocado o céu, onde se pendura o badalo. Segue-se a moldagem da asa e sua colocação. O toque só se produz após a união cuidadosa dos lados da folha.
Segue-se o momento de forrar o molde de ferro com folha de bronze, que será ajustada por um processo de embarramento, isto é, a colocação de uma cobertura de barro amassado com palhinha de trigo. Na parte do fundo do chocalho abre-se um furo para que a peça possa respirar, quando submetida a altas temperaturas. Vão então os chocalhos à forja, sendo periodicamente virados, para que o aquecimento seja uniforme. Quando ficam ao rubro, retiram-se da forja e fazem-se rolar no chão liso para arrefecerem e serem, por fim, mergulhados em água fria.
Se após o barro ter sido quebrado a peça tiver alguma irregularidade, volta à bigorna e é limada. É aqui que a peça é terminada com batimentos suaves do artesão que lhe vai afinando o som. Aos guardadores de gado lhes cabe o derradeiro momento de colocar o badalo. Este é de folha ou madeira e consoante a sua espessura  será o som mais grave ou agudo
Bem hajam 
Carlos Fernandes









sábado, 14 de dezembro de 2013

Sopas de cavalo cansado

Na época das carruagens, nas aldeias de Portugal, quando nas pousadas não havia cavalos descansados ​​para substituir e continuar a viagem, davam estas sopas com vinho e açúcar para os animais, que os deixavam refrescados e cheios de energia.
A sopa do cavalo cansado é uma triste lembrança de tempos difíceis em Portugal.
Muitos agricultores não tinham abundância de alimentos e davam a seus filhos, na primeira refeição do dia, pedaços de pão embebidos em vinho tinto numa tigela.
A sabedoria popular diz que a mistura dava forças e condições para as crianças enfrentarem o dia de trabalho.
Hoje, a sopa do cavalo cansado é servido em muitos lugares de uma forma diferente, como prato gastronómico, com canela e açúcar ou mel.
Como preparar uma sopa do cavalo cansado
Ingredientes:
  • Vinho verde tinto
  • Mel
  • 1 gema de ovo
  • Pedaços de pão
Preparação:
Numa tigela, coloque o vinho. Em seguida, adicione o mel e a gema de ovo. Mistura-se tudo muito bem e coloca-se o pão esfarelado [aconselha-se broa de milho].
Bem hajam 
Carlos Fernandes

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Aprendiz de Feiticeiro

APRENDIZ DE FEITICEIRO

            Ser aprendiz de feiticeiro significa atrever-se a fazer coisas para as quais não se está preparado, descambando em resultados desastrosos. É o que acontece, por exemplo, a quem se mete a governar uma casa (ou um país) sem ter capacidade para tanto... Um certo aprendiz desta espécie surge-nos numa história contada por Goethe. Tratava-se de um grande preguiçoso, que estava a fazer o seu curso de magia com um mestre de todas as feitiçarias. Ora os aprendizes servem, entre outras coisas, para cumprir as tarefas domésticas nas casas onde estão alojados – e este tinha por missão encher um tanque com água, que tinha de carregar de um poço. Um dia, estando o mestre ausente, o aprendiz, que já sabia alguns truques, resolveu aplicá-los enquanto se punha a descansar. Para isso, deu ordens mágicas a uma vassoura, para ir carregar a água, e ela assim fez, transportando dois baldes de cada vez. Mas o aprendiz adormeceu e quando, mais tarde, acordou, viu alarmado que o tanque já estava a deitar por fora – e ele não sabia como fazer parar a diligente vassoura! Entrou em pânico, partiu-a em bocados, mas cada bocado transformou-se noutra vassoura a carregar água, imparavelmente! Quando o feiticeiro voltou, tinha a casa alagada, e teve de aplicar uma grande magia para acabar com aquele maremoto... e um valente castigo ao aprendiz, obrigando-o a secar o chão todo com uma esfregona... Esta história foi maravilhosamente contada, em desenhos animados, no filme Fantasia, que Walt Disney realizou. Todavia, nem todos os aprendizes de feiticeiro são castigados como o Rato Mickey. Alguns escapam....
Cá na nossa aldeia os aprendizes escapam sempre !!!!!
Ás vezes até acredito que são feiticeiros
Bem hajam
 Carlos Fernandes 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Milho Rei

Nos meses de Março e Abril semeia- se o milho, à mão ou com o auxilio de uma semeadeira, esta, puxada por cavalos ou bois.
Após três meses, aproximadamente, o milho já brotando, é sachado. Sachar, com a enxada ou sacho, é remover todas as ervas que nascem juntamente com o milho. Um mês depois, o milho é rendado. Rendar é acumular terra em volta do pé de milho.
À medida que o tempo vai correndo, o pé de milho vai crescendo e na ponta aparece feito um penacho que se chama pendão ou coroa, é cortado e dado como alimento ao gado.
Cada pé de milho nasce com duas ou três espigas, conforme a terra ou adubação das mesmas.
Cada espiga tem na ponta uns fiapos que se chamam bigode ou barba. O miolo é o casulo onde estão implantados os grãos de milho e cobrindo toda esta espiga uma cobertura chamada folhelho.
Nos meses de Agosto e Setembro é cortado o milho e trazido para a casa do lavrador em carros de bois, ou cestos carregados por homens. Ai é despejado num recinto apropriado, ao ar livre, chamado eira e ai mesmo é feita a DESFOLHADA.
A Dona da Casa, esposa do proprietário, que é quem geralmente supervisiona estes serviços, convida vizinhos e amigos para em data aprazada fazer a DESFOLHADA. Às vezes se reúnem mais de 50 pessoas, entre moças, moços, crianças e alguns velhos. Quem mais gosta deste trabalho são os moços. Enquanto uns desfolham o milho, outros vão amarrando a palha em magotes que se chamam frescais. Estes frescais vão sendo colocados em volta de uma árvore ou uma vara de pinheiro em forma de pirâmide e quando terminado, ou seja, alcançando determinada altura, chama-se mêda.
Durante a desfolhada o ponto culminante é o aparecimento do milho Rei. É uma espiga totalmente vermelha e o achador terá o direito de beijar e abraçar todas as moças e senhoras que se encontrem participando desse trabalho.
As espigas de milho são transportadas para as eiras onde ficam alguns dias a secar. Parte delas são guardadas em espigueiros ou caniços para serem usados pelo ano a fora as restantes espigas são debulhadas com mangais ou malhos, instrumentos de madeira, ou debulhadeiras mecânicas. Geralmente a tarefa é feita manualmente com os malhos, por rapazes ou moças, o que ocasiona outra cena típica do Minho, a MALHADA.
Sempre, após as malhadas ou desfolhadas, os donos da casa oferecem uma lauta merenda, geralmente constando pão de milho ou centeio, azeitonas, iscas de bacalhau ou sardinha assada, não faltando, é claro, o indispensável vinho verde servido em cabaça por onde todos vão bebendo. Durante essa merenda e prolongando-se por algum tempo mais, entre os presentes sempre tem alguém que toca, ou pelo menos “arranha” uma concertina (é assim que chamam aos acordeões menores) e o baile está formado. No Minho não se compreende que se possa executar qualquer faina agrícola sem ser acompanhada ou coroada por cantos e danças.
BEM HAJAM 
Carlos Fernandes
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Mais que incentivos ao nascimento, políticas de fixação de novos casais .........é urgente .......

A manter-se a actual tendência da evolução do índice de fecundidade em Portugal e não havendo migrações, no ano de 2040 a faixa do interior do país que vai desde Trás-os-Montes ao Alentejo terá perdido cerca de um terço da população atual. Esta é a principal conclusão de um estudo coordenado pela Universidade de Aveiro (UA) no âmbito do projecto DEMOSPIN que, a longo prazo, aponta que as mesmas regiões podem, no cenário em que a actual tendência se mantém inalterada, perder em 90 anos 75 por cento da população em relação a 2011. As regiões de Pinhal Interior Sul, Beira Interior Norte, Alto Trás-os-Montes, Douro e Serra da Estrela serão as principais vítimas do declínio demográfico que assola o interior de Portugal.
O caso mais preocupante, aponta o estudo dirigido por Eduardo Castro da UA, situa-se na zona do Pinhal Interior Sul que engloba os concelhos de Vila de Rei, Oleiros, Sertã e Proença-a-Nova. A investigação aponta aquela região como o pior exemplo à escala europeia no que ao declínio demográfico diz respeito: 35 é a percentagem de habitantes que aquela zona se prepara para perder até 2040 se não ocorrerem mudanças na taxa de natalidade e no fluxo migratório. Os quatro concelhos, que já viram a sua população ser reduzida de 90 mil habitantes, em 1950, para 40 mil em 2010, prepara-se para registar 26 mil habitantes em 2040. Destes, apenas 3.500 serão menores.
Guarda e Pinhel (Beira Interior Norte), Bragança (Trás-os-Montes), Vila Real e Lamego (Douro) e Gouveia, Seia e Manteigas (serra da Estrela) são os restantes concelhos que, segundo o DEMOSPIN, mais serão afectados pela baixa natalidade. 
O estudo financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e que, para além da UA, envolveu as universidades de Coimbra e da Beira Interior e os Institutos Politécnicos de Castelo Branco e Leiria, tem por finalidade alertar as autoridades para o desenvolvimento de estratégias que possam atrair pessoas para o interior do país. “E as decisões têm de ser tomadas de imediato pois os resultados só serão visíveis dentro das próximas décadas”, afirma Eduardo Castro, investigador do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da UA.
Um alerta com soluções
“Estas previsões têm dois sentidos. Um é o de alerta aos decisores políticos, o outro é de constituírem um guia para a acção. O estudo não só diz que se a situação não for revertida a população vai encolher como diz quanto vai encolher”, explica o investigador.
Eduardo Castro garante que o despovoamento do interior é um processo que não se vai resolver naturalmente. “O problema tem de ser resolvido através de políticas fortes que decorram de decisões de investimento naquelas regiões”, afirma o investigador que aponta “as autoestradas com portagens, o fecho de hospitais, de tribunais, de escolas e de outros tantos serviços” como o alimentar do ciclo vicioso do despovoamento. “Quanto mais se fecha menos gente há. Isto é um ciclo vicioso que é preciso romper”, diz.
“O país até pode admitir que é mais barato colocar as pessoas todas no  litoral, acontece é que o património histórico e natural se degrada e que uma  série de infraestruturas feitas para o interior deixam de fazer sentido porque não há quem as use”, alerta o investigador.
“Este estudo serve assim para alertar a consciência dos decisores políticos porque o deixar andar não pode ser. Ou o país decide fechar o interior e toma as consequências disso, ou não quer isso e tem de agir em conformidade já para que não acorde daqui a 30 anos, quando já for tarde para resolver a situação”, conclui Eduardo Castro.
Bem hajam 
Carlos Fernandes 
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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Madeiro no Natal


Pode-se falar do madeiro, ou do toro ou cepo do Natal, que é tudo a mesma coisa .
Em muitas aldeias do norte de Portugal, uma boa parte da noite da Consoada se passa à volta de um tronco grosso de pinheiro ou castanheiro, de sobreiro ou azinheira ardendo em brasa.
Há aldeias onde o tronco começa a arder na véspera do dia de Natal e só acaba de arder no Dia de Reis!
É Inverno e o calorzinho bom do fogo aquece as pessoas e dá-lhes uma alegria especial: as conversas e as risadas fazem com que todos se sintam mais irmãos, mais amigos uns dos outros. E essa é a intenção desta festa tradicional.
É realmente uma verdadeira festa. Os rapazes e as raparigas enfeitam os carros de bois, ou (mais recentemente) os tractores com grandes fitas de muitas cores, e lá vão à procura dos troncos mais próprios para a fogueira. No meio da maior algazarra, transportam os troncos até ao adro da Igreja e pegam-lhes fogo. Quando as pessoas saem da Missa do Galo, reúnem-se à volta desta grande lareira ao ar livre, e é um nunca mais acabar de histórias e cantigas, pela noite fora.
Todos os anos se acendem os madeiros e se acende a alegria do tempo do Natal.
Venham às beiras e deliciem-se com este património único.
Bem hajam 
Carlos Fernandes

Os cesteiros

Os cesteiros trabalham, geralmente, em dependências das suas casas. Estas, tanto podem ser uma parte do andar térreo, sobre o qual se ergue o resto da habitação, como um pequeno espaço independente, construído para ser a oficina. Embora já existam casos em que se percebe a preocupação de conseguir algum conforto no espaço oficinal, a regra, mesmo nas novas construções é a de uma enorme falta de qualidade: não existem janelas, a luz natural entra pela porta de acesso, que comunica com o exterior o que, considerando a duração e características da estação fria, diz muito da penosidade do trabalho de cesteiro. Os interiores das oficinas raramente estão rebocados ou pintados. O cesteiro, que trabalha com materiais rijos e fibrosos, raramente usa luvas, pelo que as suas mãos estão muitas vezes cheias de cortes. A dureza dos materiais exige que, para poderem ser utilizados, sejam mergulhados em água, o que acentua, sobretudo no Inverno, o frio e o desconforto do ofício.

É neste interior, gelado muitos meses no ano, onde a luz escasseia e não existem salamandras ou qualquer sistema de aquecimento, que as mãos do cesteiro transformam a matéria prima numa produção que, mesmo quando é robusta, é sempre elegante. Para além do vime trabalhado inteiro ou "rachado" (com auxílio da "rachadeira" um caule dá origem a três ou quatro bocados, cortados longitudinalmente) o cesteiro utiliza, nas peças de mobiliário ou naquelas que exijam maior robustez, estruturas de madeira, muito simples, feitas por carpinteiro. A oficina raramente apresenta mais do que os diferentes molhos de vime, se- parados pelo respectivo calibre e qualidade (mais fortes, mais finos, com mais nós, mais compridos, mais cónicos, etc.) e o local onde o cesteiro trabalha definido pelo assento, baixo, e, ao lado, pela a mesinha de apoio, onde se dispõe uma escassa ferramenta: o furadouro, o martelo, pregos de vários tamanhos, a tesoura de podar, o "endireita toros", as "rachadeiras".

É ao carpinteiro que o cesteiro encomenda os moldes que precisa para trabalhar. Nem todos os cestos são feitos com o auxílio de molde, "formas", na terminologia de Gonçalo. Segundo alguns cesteiros os modelos mais antigos de Gonçalo serão aqueles "tecidos às mãos", em que o cesteiro trabalha, no mesmo movimento, vários caules, inteiros, de vime. Talvez que a designação da fantástica "mala de forma" denuncie ter sido o primeiro cesto a ser feito com auxílio de molde. A mesma "mala de forma" é, tal como muitos outros produtos de Gonçalo, tecida a "Liaça", uma espécie de fitas de vime, resultado do trabalho da "rachadeira " que abre os caules em três ou quatro bocados, os quais são depois "calibrados", ou seja achatados, por uns cilindros, numa máquina própria (a fieira).

É nesta oficina austera que as mãos do cesteiro "erguem" os cestos que agora tem dificuldades em colocar no mercado. "As pessoas deixaram de os comprar" dizem-nos entre o espanto e a perplexidade.
Ti Celestino Carviçais
Bem hajam 
Carlos fernandes