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domingo, 9 de fevereiro de 2014

São Valentim paixões de mel !!!


Cidade do México, México -. Quando o óleo e o tecido se juntam , eles criam magia. O mesmo acontece quando dois génios decidiram unir as suas vidas. Então, o que aconteceu com Frida Kahlo, cuja inspiração veio de um homem que vive de arte ... como ela.
Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón ea própria se tornou uma lenda, uma tela viva que só queria compartilhar sua arte. E lá, enquanto Diego estava pintando murais, Frida pediu-lhe para contemplar sua obra. Desde então, as histórias entre eles, como as cores de uma paleta, apenas combinado.
Carregado 6 de julho de 1907 em Coyoacán, Cidade do México, nascido dor pintor para deixar uma marca na história da arte no mundo. Desde o nascimento, Frida foi sempre o resultado de um rico conjunto de culturas e visões de mundo. Foi a terceira filha de Guillermo Kahlo, fotógrafo de origem húngara judia-alemã, Matilde Calderón e no México, de ascendência espanhola.
Enquanto isso, Diego compartilhou ideias comunistas e o conteúdo social de seu discurso se refletiu em sua obra, essas grandes murais onde o artista já pintou sua amada em "Balada de uma revolução".
A vida do pintor havia traçado uma linha de dor física. Ao longo de sua existência, a sua vida veio de várias doenças, lesões, acidentes e operações. Em 1913, ele contraiu poliomielite, doença que deixou uma sequela permanente: o muito mais fino do que a perna direita para a esquerda.
O talento inato de Frida valeu-lhe o contacto directo com vários intelectuais e artistas da época, como Tina Modotti, Leon Trotsky, André Breton ... e Diego Rivera.
Com Diego se casou em 21 de Agosto de 1929. Sem dúvida, todo o amor, a dor ea paixão que Frida viveu com Rivera formou uma boa parte do motor criativo do pintor. Um de seus trabalhos mais conhecidos, "As Duas Fridas", é um exemplo.
O casamento deles foi chamado o vínculo entre um elefante e uma pomba, porque Diego era enorme e obeso, enquanto ela era pequena e fina. Frida, para seus ferimentos, nunca poderia ter filhos, embora eles tentaram.
Diego era um mural que estava relacionada com outras cores. Na verdade, suas infidelidades incluiu a irmã do pintor. No entanto, parte do que é agora levando o crédito Frida Diego. Por exemplo, ele sugeriu que ele se vestia com trajes tradicionais mexicanos, assim como um dos seus emblemas: o rosto carrancudo. E os intelectuais também foram comentários: ele amava pintá-la e foi o seu maior fã. Em vez disso, Frida foi a maior crítica de Diego.
E hoje, o mundo de Frida e Diego visto da Casa Azul, antiga casa do pintor museu localizado em Coyoacán. Não antes de deixar uma mensagem para a vida e para o amor: "Pernas para quê , se eu tenho asas para voar". Pelo amor de ambos são pássaros voando tinta em uma tela do céu, iluminando o céu da arte da cor.
.Quando dois génios, se apaixonam as telas ficam com as cores da vida. Hoje a magia perdura,a casa azul é um destino turístico único e de eleição, para os que continuam enamorados da vida um local obrigatório .
Bem hajam 
Carlos Fernandes

Diego Riviera 
PINTURAS
Frida kahlo
Frida kahlo
Frida kahlo 


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Entre serras e pinhais

No interior, maciços montanhosos e aldeias tradicionais. Junto ao mar, povoações piscatórias e praias cosmopolitas com os desportos náuticos a marcar o ritmo dos dias. E por todo o lado o património, milenar, exibe orgulhosamente a história da região.
Alguns destes lugares têm tanta importância para a Humanidade que foram incluídos pela UNESCO na lista de património mundial. É o caso dos Mosteiros de Alcobaça e da Batalha, do Convento de Cristo em Tomar e da Universidade de Coimbra.

Mas há outros com características únicas que vale a pena descobrir. Por exemplo as Aldeias Históricas e os castelos que defenderam as fronteiras da nação. As Aldeias do Xisto e as vilas de casas brancas, como Óbidos, um tesouro entre muralhas. E as cidades, onde a modernidade se alia à tradição – Coimbra dos estudantes, Aveiro, entre a Ria e o Mar, e Viseu, Guarda e Castelo Branco, em que a arquitetura da pedra mantém traços de um passado imemorial.

Das montanhas destaca-se a Serra da Estrela, com paisagens a perder de vista e lagoas glaciares. Ou as Serras da Lousã, Açor e Caramulo, onde os trilhos pedestres e de bicicleta abrem caminho à descoberta da natureza. Mas aqui também se pode experimentar escalada, rappel, rafting ou canoagem, tal como no Geoparque Naturtejo, território preservado onde convivem várias espécies de aves e animais.

As águas cristalinas que brotam das nascentes termais equilibram corpo e alma. E as praias! Fluviais enquadradas por florestas, ou de mar aberto e batido no litoral atlântico, são certezas de frescura nos dias quentes de verão. E são também spots bem conhecidos dos surfistas de todo o mundo, que encontram ondas perfeitas em Peniche, e mesmo gigantescas na Nazaré.

Para confortar o estômago há sabores para todos os paladares. Queijos e enchidos, caldeiradas de peixe e leitão assado, ou o mel e os doces conventuais. Já os vinhos das regiões demarcadas elevam o espírito com distinção. São o produto dos saberes destas gentes, genuínas e acolhedoras que recebem o visitante com o que têm de melhor.
Bem hajam 
Carlos Fernandes 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O Pancada

Este era o nome do terrível assassino e ladrão que utilizava os caminhos sobre os arcos do Aqueduto para perpetrar toda a espécie de crimes. Segundo reza a História, Diogo Alves, "o Pancada" como era conhecido, escondia-se no aqueduto para assaltar e atacar as pessoas que passavam no longo e estreito passeio ao ar livre sobre a Ribeira de Alcântara, atirando-as depois de uma altura de 65 metros. No Verão de 1837, Diogo Alves terá roubado a vida a 76 pessoas. Foi apanhado em 1840, condenado à morte e enforcado a 19 de Fevereiro de 1841. Esta história de Diogo Alves intrigou os cientistas da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, que após o enforcamento do homicida, lhe deceparam a cabeça para a estudarem e tentarem compreender a origem da sua malvadez.
A cabeça decepada encontra-se, ainda hoje, no teatro anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, conservada num recipiente de vidro, numa solução de formol. Mostra-nos o rosto de um homem com ar tranquilo, contrário ao seu comportamento ao longo da vida.

Bem hajam 
Carlos Fernandes

sábado, 1 de fevereiro de 2014

São Valentim dia dos namorados

O dia dos namorados, ou dia de São Valentim, como é chamado em alguns países, é uma das principais datas comemorativas do planeta. A troca de presentes e mensagens entre os casais aquece o comércio e gera cifras colossais em diversos países. No entanto, a celebração nem sempre foi ligada ao comércio. A festividade tem raízes históricas que remontam aos rituais pagãos da Roma antiga.

De acordo com a tradição, o dia 14 de Fevereiro, data em que o dia dos namorados é comemorado em países como os Estados Unidos, relembra o aniversário de morte de São Valentim, mártir cristão que provavelmente viveu durante o século III. Nesse período, o imperador romano Claudio II proibira os casamentos, por acreditar que os homens solteiros e sem responsabilidades familiares eram melhores soldados. Valentim se opôs a essa decisão, concedendo as bênçãos matrimoniais a jovens noivos de forma clandestina.

A rebeldia do santo o levou à prisão e ele acabou decapitado no ano de 270. Durante o período em que esteve trancafiado, Valentim teria se apaixonado por uma jovem, filha do carcereiro, com quem manteve um romance secreto. Antes de sua morte, o religioso lhe escreveu uma mensagem em que assinou “do seu Valentim”, criando aquilo que se tornaria o primeiro cartão de dia dos namorados.

Dois séculos depois, no ano de 496, o papa Gelásio I escolheu Valentim como símbolo dos enamorados. No entanto, toda a saga do mártir é incerta. Há pelo menos três religiosos com o nome de Valentim, dois deles sepultados em Roma e um terceiro que teria sido morto na África. A própria Igreja Católica, em 1969, deixou de celebrar o aniversário do santo por considerar suas origens – e mesmo sua existência – incertas.
Apesar dessas dúvidas sobre a verdadeira história do mártir, a data que relembra sua morte se consolidou durante o período medieval, mas de uma maneira muito diferente da que conhecemos hoje. Ligadas a rituais de fertilidade e renovação da terra que remontam ao período romano, as comemorações do dia de São Valentim eram o momento em que as rígidas condutas morais impostas pela Igreja Católica eram quebradas. Nessas festividades, as mulheres casadas reconquistavam as liberdades do tempo de solteiras e ficavam livres para flertar com quem quisessem, podendo até cometer adultério com a tolerância de seus maridos.

Esse tipo de conduta, que desafiava o sagrado dever da fidelidade, foi duramente combatido pela Igreja, especialmente após o século XVII, durante a chamada Contra-Reforma. Essas tradições se mantiveram por algum tempo em regiões como Turim e Gênova, mas a partir do século XX já haviam desaparecido por completo. A partir de então, a comemoração do dia de São Valentim abandonou suas raízes libertinas e se tornou uma ocasião para as demonstrações de afeto entre casais de todo o planeta.
Bem hajam 
Carlos Fernandes 

1 de Fevereiro 1908



Rubrica "Palavras com História..."

O Infante D. Manuel, que sucederia a D. Carlos, seu pai, no trono, escreveu as seguintes palavras acerca dos acontecimentos vividos a 1 de Fevereiro de 1908:

"Eu estava olhando para o lado da estatua de D. José e vi um homem de barba preta, com um grande gabão. Vi esse homem abrir a capa e tirar uma carabina. Eu estava tão longe de pensar n'um horror d'estes que me disse para mim mesmo, sabendo o estado exaltação em que isto tudo estava que má brincadeira. O homem sahiu do passeio e veio se pôr atraz da carruagem e começou a fazer fogo. Quando vi o tal homem das barbas que tinha uma cara de meter medo, apontar sobre a carruagem percebi bem, infelizmente o que era. Meu Deus que horror. O que então se passou só Deus minha mãe e eu sabemos..."

O homem das barbas que tinha uma cara de meter medo era precisamente Manuel dos Reis Buiça, nascido em Bouçoães em 1876. Filho do reverendo Abílio da Silva Buíça, pároco de Vinhais, e de Maria Barroso, casou duas vezes, a segunda das quais com Hermínia Augusta da Costa. Iniciou a sua carreira profissional no exército, onde alcançou a categoria de 2º sargento no regimento de cavalaria de Bragança. Senhor de uma pontaria exímia, detinha o curso de mestre de armas e uma medalha de atirador de 1ª classe, exercendo enquanto militar o cargo de instrutor da carreira de tiro do seu regimento. Possuidor de um temperamento difícil, Manuel dos Reis Buiça teve uma carreira militar extremamente conturbada, acabando por ser demitido do exército na sequência de várias punições disciplinares, por infracções diversas. Abandonando a vida militar, enveredou pela carreira de professor do ensino livre, leccionando na Escola Nacional e na Escola Universal; ministrava também, a nível particular, lições de música e francês.
De linhas fisionómicas finas, com uma barba escura com laivos de fogo, tinha uns olhos muito azuis que mostravam uma índole resoluta e exaltada.

A Manuel Buíça e Alfredo Costa, tombados pela liberdade

Estimam-se os primeiros reis na razão direta dos infiéis que abateram e das terras que lhes tomaram. O assassinato do Conde Andeiro é exaltado por ter sido útil à dinastia de Avis, tal como em 1640 se exultaria com o corpo de Miguel de Vasconcelos crivado de balas a ser atirado por uma janela. A restauração da independência do reino de Portugal transformou o homicídio em ato heroico e a vítima em traidor, tornando odioso o nome Miguel antes de o denegrir ainda mais o homónimo candidato a rei absolutista.

Ninguém lamenta hoje os crimes da evangelização do Brasil ou a crueldade com que os vice-reis da Índia subjugaram os povos indígenas e, muito menos, se lamentam dezenas de milhares de mortes que D. Nuno infligiu aos castelhanos sem que a frieza com que os aviou, a evocarem um santo diferente do seu, lhe tolhesse a canonização ou beliscasse a heroicidade, para orgulho dos portugueses.

D. João II esfaqueou ele próprio um primo e cunhado e, por ordem sua, foi executado o duque de Bragança, o bispo de Évora e muitos outros, sacrificados a objetivos políticos que fizeram dele o rei mais venerado da História de Portugal.

Hoje, condenamos sem hesitação a escravatura, o Santo Ofício, a evangelização dos índios, as perseguições aos judeus e a pena de morte, mas seríamos hipócritas se denegríssemos D. Afonso Henriques, o Mestre de Avis, Nuno Álvares, Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque ou o marquês de Pombal e os evocássemos pelos que mataram e não pela forma como ajudaram a moldar a pátria que nos legaram.

Sem referir a arraia miúda, cujos tormentos não soem emocionar os povos, é oportuno lembrar os Távoras e recordar os liberais que sofreram as crueldades miguelistas, antes de prestar homenagem a Manuel Buíça e Alfredo Costa, Libertadores da Pátria Portuguesa, a quem a Associação do Registo Civil e do Livre Pensamento homenageou com um mausoléu da autoria do escultor Júlio Vaz, aonde, durante a 1.ª República, se fizeram romagens de grande fervor patriótico.

O rei de uma coroa odiada, o monarca desacreditado que desprezava o país, perante a degradação ética e a bancarrota, indiferente às vidas que sacrificava, assinou friamente a suspensão da Carta Constitucional e deu a João Franco o poder de fechar o Parlamento, encerrar jornais, reprimir manifestações e encarcerar oposicionistas para os desterrar para Timor. Ao suspender a Carta, D. Carlos responsabilizou-se pela ditadura de João Franco e decidiu o seu trágico fim.

Foi nesse contexto que Manuel Buíça e Alfredo Costa foram designados para eliminar o rei. E cumpriram, sabendo que morriam. Não foram assassinos, como os monárquicos e os sectores reacionários proclamam. Executaram uma sentença, sentindo ser um dever cívico, e imolaram-se num ato de suprema coragem para evitarem o degredo e a morte aos correligionários e à Pátria a violência da ditadura.

A notícia do regicídio gerou uma onda de alívio nos portugueses que reclamavam, há muito, a cabeça do rei. Apesar dos riscos houve quem fosse apertar a mão do cadáver ensanguentado de Manuel Buíça que ousara libertar a Pátria de quem a designava como a piolheira.
Manuel Buíça e Alfredo Costa foram idealistas que lutaram pela liberdade. Mataram por patriotismo e caíram como heróis. Foram mártires que honraram a causa que defendiam, dando a vida pela liberdade, vertendo o sangue pela República.

O poeta José Gomes Ferreira escreveu: “Agradeço a meu pai a coragem com que, no momento do funeral do Rei, me levou a visitar os covais dos regicidas no Alto de S. João. Amo os mortos malditos e escorraçados” (in: “Calçada de Sol”)

Guerra Junqueiro, o poeta admirado por Unamuno, o que melhor exprimiu o sentimento do povo português, desabafou: «Não mataram o rei; suicidou-se. O rei era um monstro maléfico, perturbador consciente de quatro milhões de criaturas» e acrescentou, depois, «Lamento, de olhos enxutos, a execução do monarca. Mas, se tivesse o dom de o ressuscitar, não o levantaria do seu túmulo». (ALMANACH D’O MUNDO para 1909).
Alfredo Costa e Manuel Buíça foram assassinados com inaudita crueldade pela polícia do ditador João Franco depois de matarem o rei com a noção da sorte que os esperava.

Sabiam que não teriam, nem esperavam ter, benefícios pessoais do acto. Quiseram, tão só, libertar a Pátria da ditadura, eliminando o rei inapto que, ao assinar a suspensão da Carta Constitucional, perdeu a legitimidade, tornou-se cúmplice da repressão e assinou a sua sentença de morte.

Honrar a memória de Alfredo Costa e Manuel Buíça não é pactuar com a violência nem fazer a apologia do homicídio, é cumprir o dever cívico de dignificar dois heróis que a ditadura salazarista, de pendor monárquico, caluniou e desqualificou. É situar o acto no tempo e explicar as circunstâncias. É pagar a dívida aos que, sem nada esperarem em troca, foram capazes do sacrifício supremo por um ideal. Não é o regozijo pela morte de D. Carlos e do príncipe herdeiro que aqui se manifesta, é o tributo de respeito pela vida imolada no altar da Pátria e pelo sofrimento e humilhação de que foram vítimas os descendentes dos regicidas cuja grandeza moral não residiu no acto que praticaram mas na força das convicções, na abnegação com que se sacrificaram e no sentido da honra.

A carta escrita por Manuel Buíça, em 28 de Janeiro, quatro dias antes do regicídio, com a assinatura reconhecida pelo tabelião Motta, na rua do Crucifixo, em Lisboa, revela bem o carácter e a dimensão ética do homem de coragem, determinado e com profundo amor à pátria. Eis um comovente parágrafo:
«(…) Meus filhos ficam pobrissimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que soffrem. Peço que os eduquem nos principios da liberdade, egualdade e fraternidade que eu commungo e por causa dos quaes ficarão, porventura, em breve, orphãos».
Texto Carlos Esperança 
Bem hajam 
Carlos Fernandes

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

31 de Janeiro de 1891

31 de Janeiro 1891”
O princípio do fim
Em Agosto de 1891, o escritor Eça de Queirós desabafava com um amigo : «Eu creio que Portugal acabou. Só o escrever isto faz vir as lágrimas aos olhos – mas para mim é quase certo que a desaparição do reino de Portugal há-de ser a grande tragédia do fim do século». Todos sabemos que a época era pródiga em exageros, depois de um conflito diplomático com a Inglaterra em 1890, insurreição militar republicana  em 31 de Janeiro de 1891 e uma grave crise financeira em Maio desse mesmo ano, tudo parecia em causa: a independência do país , o regime constitucional, as finanças . A sequência catastrófica, tal como Eça vaticinava, fazia todo sentido.
O pessimismo era geral, tal como hoje, a pergunta impunha-se :«Há ou não há recursos bastantes, intelectuais, morais , sobretudo económicos, para Portugal subsistir como povo autónomo, dentro das estreitas fronteiras portuguesas ?
Neste tempo era esta a inquietação, a ansiedade fundamental que animou a última grande época do reformismo liberal e expansão ultramarina. Mas como todos sabemos nada terminou bem para o regime. “O princípio do fim”.
Nestes encontros e desencontros com as estórias da história, verificamos que o quadro social em Portugal, cada vez mais acentuava o desnível entre as classes. A miséria sentia-se menos quando todos eram miseráveis.
O cavador não tem reservas, escolas, crédito.. Não tem eira nem beira. Não faz parte das colectividades locais, como centro de convívio resta-lhe a taberna .
A bíblica paz dos campos afunda-se na luta de classes e ambas as classes se consideram exploradas : a dos que trabalham porque recebem menos do que precisam, a dos que possuem porque lhes exigem mais do que podem .. Diz um relatório oficial datado de 1887 :«Esse fermento leveda e entretém nas classes ínfimas o ódio surdo contra as superioridades sociais. Tal é a razão que o latrocínio não é, a seus olhos, muitas vezes delito ou crime, é apenas uma vingança » .
A ambição é a riqueza dos pobres dos mais desfavorecidos, os trabalhadores reagem às novas condições de vida no século XIX, fogem dos campos e procuram emprego nas cidades. Mas as reais possibilidades de emprego não são proporcionais à procura, a passagem do mundo rural ao mundo burguês é estreita, apertada e difícil: há muitos prédios mas poucas fábricas, portanto muitos lugares de criada, mas poucos de trabalho masculino, a catástrofe adivinhava-se, como única saída a emigração para o Brasil, talvez tenha sido o maior êxodo migratório de sempre .
A emigração verificou-se das regiões de pequena propriedade; quase não há alentejanos entre os emigrantes . A explicação está em que para a longa viagem, era preciso dinheiro , e isso só se verificava nas regiões onde a maioria da população rural mantinha ainda alguns vestígios de propriedade: Minho, Douro, Beira Alta , Baixa e Litoral, o emigrante vendia a courela ou legitima isto é a porção de bens , que não poderia deixar de herdar, partia quase sempre sozinho , deixando na terra a família e as dívidas, a catástrofe era uma evidencia .
O numero de emigrantes regressados a Portugal não foi grande .A grande maioria partiu pobre e regressou pobre. Dizia-se á época que o Brasil era o cemitério dos portugueses, era este o quadro social de um regime com um fim mais que anunciado, O descontentamento era generalizado.
Na manhã de 11 de Janeiro de 1890 , uma nota inglesa exigiu do Governo de Lisboa que, até à tarde desse dia, mandasse retirar as tropas portuguesas que se encontravam no vale do Chire. Um cruzador esperava a resposta . O governo cedeu.
Esse ultimato foi verdadeiramente um dos factos mais importantes do Portugal do século XIX. Nunca creio eu, houve, antes deste, momento em que o Portugal moderno estivesse tão acordado e atento.
Estes dois factores conjugados, com a propaganda patriótica tão bem evidenciada a quando das comemorações do centenário de Camões, a proliferação do jornalismo político, do crescimento dos grémios e lojas maçónicas, vieram engrandecer não só descontentamento, como as fileiras do partido Republicano.
Na mui nobre Invicta cidade do Porto, chamada por muitos na época de feitoria inglesa, que aproveitando o descontentamento corporativo dos sargentos do exército, e a ressaca das humilhações diplomáticas de 1890, conseguiram levantar uns 800 soldados , e ao som da Portuguesa ocuparam a camara e aclamaram a Republica, os sinos da Lapa tocaram a rebate, a guarda municipal, reprimiu violentamente, a república não resistiu mais que umas horas, alguns morreram , outros fugiram , à maioria esperava os ao largo de Leixões o navio Moçambique, que os iria  levar para o exilio.
Estavam consumados os primeiros mártires da republica, foi o princípio, a 5 de Outubro de 1910 seria o fim .
Hoje assinalamos os 120 anos da primeira tentativa revolucionária, com o intuito de derrubar a monarquia.
A evocação do 31 de Janeiro há-de ser para nós hoje, não uma simples nostalgia que continua a levar às campas dos Vencidos a fidelidade reconhecida dos correligionários irmanados dos ideais da liberdade, da igualdade, da fraternidade, mas também uma afirmação viva desta nossa Segunda República continuadora das lutas que ao longo de mais um século, deram ao povo português a sua dignidade e autonomia cívica, sem as quais, quer no plano político, quer no ético, não há Democracia digna desse nome.
É por acreditar e defender os mais nobres valores morais da república. Liberdade, Igualdade, Fraternidade, que republicano me confesso!!
Bem hajam 
Carlos Fernandes

O milagre das rosas

Conta a lenda que o rei D. Dinis foi informado sobre as ações de caridade da rainha D. Isabel e das despesas que implicavam para o tesouro real. Um dia, o rei decidiu surpreender a rainha numa das suas habituais caminhadas para distribuir esmolas e pão aos necessitados. Reparou que ela procurava disfarçar o que levava no regaço. D. Dinis perguntou à rainha onde ia e ela respondeu que se dirigia ao mosteiro para ornamentar os altares. Não satisfeito com a resposta, o rei mostrou curiosidade sobre o que ela levava no regaço. Após alguns momentos de atrapalhação, D. Isabel respondeu: "São rosas, meu senhor!". Desconfiado, o rei acusou-a de estar a mentir, uma vez que não era possível haver rosas em janeiro. Obrigou-a, então, a abrir o manto e revelar o que estava lá escondido. A rainha Isabel mostrou, perante os olhos espantados de todos, as belíssimas rosas que guardava no regaço. Por milagre, o pão que levava escondido tinha-se transformado em rosas. O rei ficou sem palavras e acabou por pedir perdão à rainha que prosseguiu com a sua intenção. A notícia do milagre correu a cidade de Coimbra e o povo proclamou santa a rainha Isabel de Portugal.
Bem hajam 
Carlos Fernandes