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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

As Lupercales , São Valentim .


Era no dia 15 de fevereiro que, na Roma Antiga, se celebrava aquela que era a maior festividade de cariz sexual da época. Chamava-se “Lupercales” e consistia em deixar os jovens andar nus pelas ruas a chicotear as mulheres que encontravam pelo caminho com tiras de couro de cabra. Uma festa demasiado “lasciva” e “obscena” para o cristianismo que emergia, e que acabou por ser cancelada no ano de 494, tendo sido antecipada um dia e substituída então pela festa em homenagem ao sacerdote Valentim.

A forte carga sexual das “Lupercales” levou o Papa de então, Gelásio I, a condenar esta festa pagã substituindo-a pela celebração de São Valentim, mártir que morreu no dia 14 de fevereiro do ano de 270. De acordo com a lenda, São Valentim era um sacerdote cristão que tinha sido um dos maiores opositores da lei que proibia os soldados de se casarem. O sacerdote, que também era médico, terá celebrado o casamento de vários jovens apaixonados à revelia das ordens do imperados Cláudio II. Como consequência, o imperador terá ordenado a morte de Valentim.
De acordo com o jornal espanhol ABC, que recorda a comemoração das “Lupercales”, a festividade religiosa em homenagem ao mártir São Valentim foi celebrada até ao ano de 1969, altura em que a Igreja Católica decidiu eliminar o dia de São Valentim do calendário religioso, passando então a assinalar-se a data à mesma (associada a um santo) mas não do ponto de vista religioso.
O nome “Lupercales” está associado à palavra “lobo”, animal que representava Fauno Luperco, romanização do grego Pan, Deus da fertilidade e da sexualidade masculina. O lobo acabaria por se tornar um animal chave na mitologia da fundação da cidade de Roma, associada à lenda dos gémeos Rómulo e Remo.
Bem hajam 
Carlos Fernandes

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Entrudo chocalheiro


Esta tradição parece ter tido origem nas festas romana dedicadas a Saturno, Deus das sementeiras. Sendo a agricultura a principal fonte de sustento era necessário acalmar a ira dos Deuses para que a Primavera trouxesse abundância de sol e boas colheitas.

O traje .
O traje dos Caretos tem um papel muito importante em todo este ritual. Vestem fatos elaborados com colchas franjadas de lã ou de linho vermelho, verde e amarelo feitas em teares ancestrais e usam mascaras rudimentares onde sobressai o nariz pontiagudo. As mascaras são feitas de couro, madeira ou latão,pintadas de vermelho e preto,amarelo ou verde.Da sua indumentária como não poderia deixar de ser, fazem parte os chocalhos que penduram à cintura e um pau que os apoia nas correrias e saltos.
  
O ritual
«E no domingo e terça feira de Carnaval que os caretos vêm para a rua. Surgem em bandos de todos os cantos da aldeia, em loucas e frenéticas correrias . O anonimato dado pelo uso da máscara, permite aos Caretos fazer todo o tipo de tropelias. O individuo ao vestir o fato torna-se misterioso e o seu comportamento muda completamente, ficando possuído de uma energia transcendente .

As raparigas solteiras são as vitimas preferidas . Encostam-se a elas e ensaiam danças com conteúdo erótico, agitando a cintura e batendo com os chocalhos nas ancas das vítimas que acompanham a dança.Até à poucos anos as raparigas escondiam-se em casa pois as brincadeiras eram por vezes excessivas: lançavam cinzas, dejectos e formigas selvagens.
Outras das suas vítimas são os donos das adegas. Quando são apanhados, pegam-lhes ao colo e obrigam-nos a abrir as pipas de vinho para beberem . Hoje em dia os Caretos são mais moderados, mas mesmo assim, as suas correrias e os seus gritos ainda assustam os mais desprevenidos .
Por tudo isto, a sua visita a vivência e experiência, destes eventos tradicionais são momentos marcantes, venha daí atreva-se a desafiar os Caretos!
Bem hajam
Carlos Fernandes





sábado, 4 de fevereiro de 2017

O adufe e o pandeiro


O adufe é um instrumento oriundo da região da Beira Baixa. É tradicionalmente feito e tocado pelas mulheres: as adufeiras. É um instrumento quadrangular que é feito a partir da pele dos animais da região. O facto de serem zonas ricas em pastorícia justifica de algum modo a grande explosão de adufes saídos das mãos habilidosas das mulheres da Beira Interior. Antigamente era vulgar as pessoas juntarem-se em casa umas das outras ou no largo do pelourinho daquele lugar e tocarem adufe ao despique. Os homens jogavam o "truque” (um jogo de cartas) e as mulheres cantavam, dançavam e tocavam. O adufe também esteve desde sempre ligado aos acontecimentos religiosos e às romarias, mesmo na Quaresma quando os divertimentos eram “proibidos". O adufe era o instrumento que acompanhava as melodias tris­tes, próprias da quadra.


  Em Trás-os-Montes e no Alentejo o adufe é mais conhecido por pandeiro. Na província transmontana a sua decoração é mais sóbria. Já no Alentejo, os pandeiros são enfeitados com cores mais garridas. Em Trás-os-Montes eram igualmente tocados pelas mulheres por ocasião dos “jogos de roda" e das “danças em paralelo”. Eram antigas formas de convívio que ainda acontecem uma vez por outra e que antigamente eram bastante frequentes por ocasião do fim das fainas agrícolas. Para terminar a apanha da azeitona, a apanha da amêndoa e as colheitas do trigo, reuniam-se as pessoas e os instrumentos e faziam-se grandes paródias.   Há cerca de cinquenta anos atrás, quando ainda se fazia a monda, as raparigas levavam consigo o pandeiro para irem tocando pelo caminho e os rapazes transportavam o realejo, a gaita-de-beiços e a pandeireta, que também não faltava, quando apela a animação. Cantavam, tocavam e até dançavam enquanto iam e vinham da faina. Dizem os mais antigos da região de Bragança que, eram tempos muito mais animados, em que as pessoas eram alegres. Agora, dizem que as novas tecnologias são fatores de dispersão para os mais novos, que deixariam de ligar às riquezas da tradição.





Bem hajam 
Carlos Fernandes

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Mensagem Ano Novo, A.ruralidades


É preciso viver o sonho e a certeza de que tudo vai mudar. É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os desejos não precisam de razão, nem os sentimentos de motivos.

O importante é viver cada momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver.

Desejo que no ano que vem você realize todos os seus sonhos, e não tenha medo de viver o momento em que eles acontecerem. E que nesses momentos saiba que terá A.ruralidades, sempre ao seu lado. Feliz Ano Novo a todos .

Bem hajam 
Carlos Fernandes



terça-feira, 6 de setembro de 2016

Para lá das dunas há um lugar mágico


Entre um mar azul e verde para lá das dunas. há um lugar mágico .
Sejam bem vindos , façam favor de entrar !

Brejinho de água do sul , uma casa com história numa aldeia esquecida, longe dos holofotes das luzes da ribalta , eis um brilho diferente um pedaço de paraíso à disposição de todos .
Aqui o silêncio é precioso a brisa marítima abraça a areia quente e cuidada, aqui o sorriso dos medronhos é marca da casa, a piscina de água salgada chama-nos para intensos mergulhos que nos refrescam a alma.

Situado em pleno litoral alentejano, pertence ao concelho de Grândola, sim à terra da fraternidade, este refúgio merece mais que um olhar uma visita, merece um sentimento .
Brejinho de água do sul convida-nos a viajar pelo Alentejo profundo, ainda que perto de rotas de sucesso e bem frequentadas, aqui as vinhas de Brejinho da Costa com os seus néctares de eleição são uma bela opção, sugerimos uma visita à adega . "Afinal um bom vinho é poesia engarrafada "



Depois de um belo copo de vinho, chegámos ao refúgio, recebidos com arte e engenho pelo Nuno e Erika só ao alcance da simplicidade alentejana em comunhão com conhecimento do que a turismo diz respeito , parece fácil ,mas acreditem dá muito trabalho . Ficámos  a saber a história da casa hoje turismo rural outrora estábulo, pocilga, lugar de faina agrícola, são seis os alojamentos todos com pé alto, bem apetrechados , cozinha ar condicionado  televisão por satélite , fogão a lenha, camas espaçosas e bem cuidadas , decoração que nos transporta a memórias antigas com vários utensílios usados na lavoura, um must !
Não me posso esquecer do Pedras  canino bafechado pela sorte, sempre presente um fiel amigo dos cicerones  e convidados



Com praias fantásticas, como Carvalhal, Pêgo, Melides , Comporta, sei lá, a escolha é difícil, longe das multidões perto do coração Atlântico,podemos ser felizes .

 É assim o Alentejo maior e as suas gentes :
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver


Vamos voltar, que se apaguem as luzes acedam-se as estrelas sorriem os medronhos que nós vamos voltar a abraçar o mar !
Vamos voltar !!

Bem hajam 
Carlos Fernandes
Telefone: Brejinho de Água  (Turismo Rural)





quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Acácia


Como sabemos, os judeus sofreram forte influência dos egípcios durante o tempo em que estiveram naquele território. Assim, muitos traços culturais, sociais e religiosos do Egito Antigo foram incorporados pelos judeus. Como exemplos, podemos citar a lenda de Anúbis, filho ilegítimo jogado no rio e posteriormente encontrado por uma rainha que o cria, e a lenda da arca do dilúvio, as quais foram recontadas pelos judeus e tiveram seus protagonistas rebatizados com nomes judaicos: Moisés e Noé.
O mesmo se deveu com a acácia, árvore sagrada dos egípcios e adotada pelos judeus. A acácia era matéria-prima para a produção de artigos sagrados no Egito, adotada pela sua alta densidade e durabilidade, não sofrendo ataque de insetos. Sua goma (conhecida popularmente como “goma arábica”) era utilizada nas cerimônias sagradas de mumificação.
Parece que os judeus aprenderam essa lição, pois a acácia foi a madeira indicada para a construção de todos os importantes objetos sagrados, como no tabernáculo, nos altares, e na arca da aliança. O fato de seu uso estar mais concentrado no “Êxodo” e aos poucos ser substituido pelo cedro e cipreste, confirma essa teoria da influência egípcia.
Até aí tudo bem, mas de onde sairia a inspiração para relacionar a acácia com a lenda de Hiram Abiff? Basta recorrermos a uma das principais lendas egípcias: a lenda de Osíris.
Seth odiava Osíris, que era tido como sábio e poderoso, então resolveu matá-lo. Ele fez um belo caixão com as exatas medidas de Osíris e convidou as pessoas para um jogo: aquele que se encaixasse perfeitamente no caixão, ganharia o mesmo de presente. Logicamente, quando a vez de Osíris chegou, o caixão era perfeito, e Seth e seus cúmplices trancaram Osíris dentro do caixão e o jogaram no rio. Sua mulher, Ísis, o procurou por muitos dias. O caixão havia encalhado e sobre ele havia brotado uma… acácia. A acácia serviu de indicação para que Ísis encontrasse o corpo de Osíris. Por essa lenda, Osíris é considerado o deus da morte e da imortalidade da alma.
Um corpo sob uma acácia e os ensinamentos sobre a morte e a imortalidade da alma soam familiar?
Daí a atribuir à acácia também o significado de segurança, clareza, inocência e pureza, como alguns autores querem, é forçar demais. Deixemos para a acácia sua bela missão de simbolizar a vida após a morte, assim como herdamos dos egípcios. Isso já é o bastante para um único símbolo.
Bem hajam 
Carlos Fernandes


sábado, 2 de julho de 2016

Os seareiros

Quando em 1921 um grupo de intelectuais funda uma revista à qual dá o título de Seara Nova, a situação do país era profundamente instável e socialmente injusta, onde as convulsões a corrupção o desemprego a miséria eram como assim dizer a marca que prevalecia.
Desse grupo de intelectuais faziam parte homens de grande valor como Raul Proença, escritor e filósofo, Jaime Cortesão, professor e historiador, António Sérgio, professor e ensaísta, Aquilino Ribeiro , Câmara Reis  , Ezequiel  de Campos e tantos outros.A preocupação com o que se passava em Portugal era enorme, este grupo de intelectuais, publicava artigos com críticas sobre diversos assuntos e a partir de 1923 sentiu-se na obrigação de pôr a inteligência e cultura ao serviço do país de uma forma mais explícita: resolveu apresentar propostas alternativas que permitissem não só estancar as convulsões que se sucediam ininterruptamente, como salvar a República e a democracia.
O facto de os homens da Seara Nova serem pessoas de saber, informadas fazia-os temer que a instabilidade permanente e em crescendo conduzisse Portugal a resvalar para uma ditadura fascista, tal como acontecera com a Itália com a tomada do poder por Benito Mussolini em 1922 e em Espanha com António Pinto Riviera em 1923.
Consideravam os seareiros que os intelectuais não podiam manter-se alheados da política, deviam intervir .
Ao tempo as instituições criadas pela república não se mostravam capazes de resolver os problemas e por isso tinham perdido a legitimidade.  A insegurança em que as pessoas viviam punha em causa a autoridade do estado.
Na opinião do seareiros, tudo se resolveria com uma reforma profunda das mentalidades, com uma aposta forte na educação .Contudo conscientes que soluções dessa natureza levariam tempo, propunham que a curto prazo que se fizesse uma reforma da administração pública que tornasse os serviços mais eficazes e que garantisse o seu funcionamento, independentemente da política .Fosse qual fosse o partido que estivesse no poder, os serviços públicos (finanças, justiça, educação, saúde..) deviam funcionar de forma a satisfazer as necessidades e anseios dos cidadãos.
Em Março de 1923 os seareiros foram ainda mais longe e propuseram que se formasse um governo com os melhores homens de todos os partidos, um governo de Salvação da República, mas a ideia não vingou, e o futuro foi aquilo que todos sabemos, uma longa ditadura.
 A pobreza, a miséria, a tristeza, a negação de direitos humanos essenciais – porque é disso que falamos quando falamos do estado actual do País – esmagam a liberdade, geram o medo, são más conselheiras. Porque também podem ser fonte de soluções antidemocráticas, que podemos suspeitar como começam mas não podemos saber como evoluem e terminam. Nesta matéria, infelizmente, experiência histórica não nos falta.
Pelos riscos e perigos da situação que se vive em Portugal, há que prestar atenção ao que se passa em países da Europa do Sul, integrantes também eles da UE, especialmente a Grécia, a Itália e a Espanha. Em particular, as recentes eleições gerais em Itália devem alertar-nos para os perigos que representam a demagogia, o populismo, a miragem de salvadores da Pátria, o controlo dos meios de comunicação de massas, tudo factores condicionantes da opinião pública e mobilizadores do eleitorado em sentidos que nada têm que ver com a Democracia entendida como governo do Povo, com o Povo e para o Povo. Se, como diz a canção-hino de José Afonso, “o povo é quem mais ordena”, é difícil imaginar que os portugueses vivam hoje numa democracia representativa, e muito menos na democracia participativa e no Estado de direito democrático de que fala o artigo 2.º da Constituição. Nenhum cidadão pode sentir-se legitimamente representado por alguém que conquistou o seu voto com um programa eleitoral que, vencidas as eleições, não só ignora como espezinha, com uma prática oposta às suas promessas eleiçoeiras. Nenhum cidadão pode sentir-se legitimamente representado quando sente que, depositado o seu voto na urna, fica esgotado o seu ciclo de participação na gestão da coisa pública.


Bem hajam 
Carlos Fernandes