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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Espigueiros,canastros,caniços ou hôrreos . Aqui há rato !


O espigueiro, também chamado canastro,caniço ou hôrreo, é uma estrutura normalmente de pedra e madeira, existindo no entanto alguns inteiramente de pedra, com a função de secar o milho grosso através das fissuras laterais, e ao mesmo tempo impedir a destruição do mesmo por roedores através da elevação deste. Como o milho requer que seja colhido no Outono, este precisa de estar o mais arejado possível para secar numa estação tão adversa como o Inverno.


 Construídos inteiramente em pedra, os 24 espigueiros do Soajo encontram-se “reunidos a esmo no cimo do penedo” – um longo afloramento granítico que além de acolher estas tradicionais manifestações da arquitectura do mundo rural, destinadas à armazenagem e secagem do milho, reserva também um vasto e fundamental espaço central: a eira comum.
Se a grande concentração de espigueiros é factor fundamental da imponência deste conjunto, não é menos verdade que muita da sua monumentalidade resulta do facto daquele afloramento ser bastante alto, convertendo-se numa autêntica “defesa natural” que salvaguarda aquelas construções dos animais, particularmente das galinhas, e dos incêndios.

Mas, foi um outro perigo, uma outra praga, que terá feito surgir entre nós os “espigueiros”. Não possuíam, contudo, então esta designação. Até porque as “espigas” do milho maíz, que estão na origem da sua denominação, só foram introduzidas na região no século XVI, após a descoberta das Américas, de onde é originário aquele cereal.


 Indiscutível parece ser também que na origem destes “celleiros” ou “celarios” esteve, efectivamente, uma enorme e permanente praga da região: os ratos. Com efeito, para lá da sua clara função de armazenagem e secagem ventilada, é evidente nas suas características e no engenho construtivo a preocupação que estas estruturas denotavam em resguardar o cereal daqueles roedores. Uma das estratégias mais habituais, e perfeitamente visível no Soajo, é a colocação de grandes pedras circulares entre os pés e o restante corpo dos espigueiros, constituindo um obstáculo intransponível para os ratos que possam ter subido na vertical ao longo das pernas da construção. Grande parte dos espigueiros deste conjunto utilizou, para esse fim, velhas mós de moinhos.

A grande abundância de ratos no noroeste da Península Ibérica, já mencionada por Estrabão no início da colonização romana – e que levou mesmo, na Cantábria, a que as autoridades romanas premiassem quem os matasse – só começou a ser atenuada na Baixa Idade Média com a vulgarização do gato doméstico.
Mas, nem só os ratos explicam a génese destas típicas estruturas de armazenagem. Os factores climáticos, nomeadamente a forte humidade do noroeste peninsular, foram também fundamentais no aparecimento destas construções que, embora fechadas e bem resguardadas dos agentes climáticos adversos, permitiam uma boa secagem e, em simultâneo, o armazenamento do milho em boas condições, que passavam, entre outras, por uma ventilação adequada.

O facto do milho em grão, guardado em caixa, não se conservar em média mais do que um ano, enquanto na espiga pode conservar-se durante anos, terá contribuído, fundamentalmente após a introdução do milho maiz, para algumas mudanças operadas nos espigueiros, de que são exemplo um crescimento das suas dimensões e o aparecimento de características arquitectónicas mais duradouras que, como aconteceu no Soajo, resultou mesmo na sua total petrificação. Paulatinamente, e de forma mais notória a partir do século XVIII, estes espigueiros acabaram por fazer desaparecer – já na segunda metade do século XX – os canastros ou caniços, “celeiros” mais primitivos e construídos na sua totalidade com elementos vegetais. Os últimos canastros do Soajo, que se implantavam ao lado dos espigueiros, feitos de verga de carvalheiras, eram ainda visíveis há cerca 20 anos.

Mas, se é verdade que os 24 espigueiros do Soajo acabam por constituir uma das maiores concentrações de espigueiros exclusivamente em pedra existentes no país, outros conjuntos há que, pela abundância e diversidade de tipologias que albergam, merecem também uma referência. É o caso, a uma dezena de quilómetros de distância do Soajo, do agrupamento de espigueiros do Lindoso. São 64, reunidos num curto espaço, embora não tão monumental quanto o do Soajo. Constituindo, provavelmente, o maior conjunto do país, os espigueiros do Lindoso dividem-se em diversos tipos, desde os que são exclusivamente em pedra a outros que combinam de diversos modos diferentes materiais, nomeadamente o granito, a madeira, a lousa e o tijolo. Tal como no Soajo, estes espigueiros concentram-se em torno de uma única e rectangular eira, testemunhando assim a importância do trabalho colectivo que tão intrinsecamente caracterizou estas comunidades de montanha durante séculos

Bem hajam 
Carlos Fernandes 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Rezas, benzeduras e sinapismos


Quebranto, cobreiro, mau-olhado, espinhela caída, erisipela, vento virado, peito arrotado. Quem quer que percorra as aldeias da zona rural, as pequenas cidades do interior ou mesmo as periferias das grandes cidades vai se deparar, em um momento ou outro, com alguns desses nomes que fazem parte de um mundo mágico-religioso, povoado de rezas, crenças, simpatias e benzeduras. Na cultura popular, corpo e espírito não se separam, tampouco desliga-se o homem do cosmos, ou a vida da religião. Para todos os males que atingem o corpo e a alma do homem sempre há uma reza para curar. É por isso que, apesar do tempo e dos avanços da medicina, a tradição dos benzedores ainda persiste na nossa moderna sociedade capitalista. Acreditando ou não no poder da reza, haverá  sempre aqueles que procuram, nas rezas e nas benzeduras, uma cura para a sua doença ou um alívio para a sua dor.


O uso de plantas, na cultura humana, se constitui de uma prática milenar que permanece até hoje. As primeiras civilizações cedo se perceberam a existência, ao lado das plantas comestíveis, outras dotadas de maior ou menor toxicidade que, ao serem experimentadas no combate à doença, revelaram, embora empiricamente, o seu potencial curativo (CUNHA, 2011). Toda essa informação foi sendo, de início, transmitida oralmente às gerações posteriores. Esse homem primitivo, a exemplo de muitas pessoas hoje, buscava na natureza a solução para a cura dos mais diversos males que afectam sua saúde. No entanto, muitas vezes essas curas entram para o contexto espiritual, surgindo os feiticeiros, curandeiros, videntes e benzedeiros, pessoas às quais cabe a tarefa de livrar o corpo e a alma das enfermidades, fazendo assim a ligação entre a magia, religião e saúde. 

É este vastíssimo património cultural que urge preservar . Se a eficiência destas rezas e benzeduras são credíveis , é outra história !
No entanto, já no que diz respeito ao sinapismo   cataplasma  de mostarda  que se aplica como revulsivo, que ao irritar a pele irá descongestionar os órgãos e tecidos profundos subjacentes e, assim, poder melhorar os processos inflamatórios , os seus resultados são por mais evidentes neste nosso Portugal .
Quem sabe ?, Que não serão estes temas como a geoterapía , vinoterapia , alimentação vegetariana , naturismo , yoga etc... uma mais valia para combater a vulgaridade em que se tornaram as unidades de turismo rural, que proliferam no Portugal profundo, sem dúvida um segredo e um tesouro a ter em conta .

Bem hajam 
Carlos Fernandes





terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Natal só com madeiro


Os madeiros, lenhos, cepos , fogueiras do natal ou fogueiras do Galo, são grandes fogueiras que se acendem no centro da aldeia, na praça principal ou no adro da igreja na véspera de Natal. A tradição começa com a recolha dos madeiros , que é feita pelos rapazes da terra, durante a noite em alguma regiões. Na noite de Natal depois da missa as gentes da aldeia reúnem-se à volta da fogueira para dançar e cantar. Em muitas aldeias, estas fogueiras eram mantidas acesas ininterruptamente até ao Dia de Reis. A tradição do madeiro tem origem nos cultos pagãos, na celebração do solstício de Inverno, em que se acendiam enormes fogueiras ao ar livre.
É Inverno e o calorzinho bom do fogo aquece as pessoas e dá-lhes uma alegria especial: as conversas e as risadas fazem com que todos se sintam mais irmãos, mais amigos uns dos outros. E essa é a intenção desta festa tradicional.
É realmente uma verdadeira festa. Os rapazes e as raparigas enfeitam os carros de bois, ou (mais recentemente) os tractores com grandes fitas de muitas cores, e lá vão à procura dos troncos mais próprios para a fogueira. No meio da maior algazarra, transportam os troncos até ao adro da Igreja e pegam-lhes fogo. Quando as pessoas saem da Missa do Galo, reúnem-se à volta desta grande lareira ao ar livre, e é um nunca mais acabar de histórias e cantigas, pela noite fora.
Todos os anos se acendem os madeiros e se acende a alegria do tempo do Natal.
Venham às beiras e deliciem-se com este património único.

Estreito -Oleiros 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Natal de outras eras


Foi com pompa e circunstância que foram inauguradas as iluminações de Natal em Lisboa às 18.00 horas do dia 30 de Novembro 2015 .
A azáfama o frenesim da época parecem estar de volta, a Lisboa do consumo ,a Lisboa global confunde-se com as demais cidades Europeias .
Mas nem sempre assim foi .
É essa viagem que vos propomos, às vezes sentimos esse passado recente essas memórias , enfim a identidade nossa muito nossa que se vai perdendo .

Baixa Lisboa


Rua do Carmo Lisboa

Baixa Lisboa 
Rossio prendas ao polícia 
Venda de perus Restauradores
Rua Garret Lisboa 

O  Natal da polícia 

Alto que já temos o fiel amigo 
Lisboa baixa Natal 2015
Para todos um santo e feliz Natal
Bem hajam
Carlos Fernandes

domingo, 29 de novembro de 2015

A.ruralidades: Consoada do nosso contentamento

A.ruralidades: Consoada do nosso contentamento: O termo consoada refere-se não só à ceia de Natal em família mas também à entrega de prendas na época natalícia, como modo de demo...

Consoada do nosso contentamento




O termo consoada refere-se não só à ceia de Natal em família mas também à entrega de prendas na época natalícia, como modo de demonstrar carinho e amizade pela pessoa a quem se oferece o presente.
A tradição da consoada surgiu na Roma antiga e tem na sua origem costumes pré cristãos. No início, ramos vindos do bosque consagrado à deusa Estrénia, eram enviados aos magistrados como demonstração de respeito. Mais tarde passou a oferecer-se mel, passas, figos, medalhas de ouro, entre outras coisas, e o ato tornou-se tão generalizado, que o povo passou a levar ao imperador da época uma oferenda em dinheiro. Também em dezembro, durante as festas de homenagem ao deus Saturno, em Roma, as pessoas trocavam entre si oferendas tais como estatuetas ou velas de cera.Foi a partir do séc. VII, com o papa Bonifácio, que a consoada ou entrega de presentes se tornou uma tradição cristã. Na época de Natal, o próprio papa distribuía pão entre o povo e recebia deste presentes variadas
.


Em Portugal, na noite de 24 de dezembro, o Bacalhau com Todos é um dos pratos preferidos, assim como o Polvo Assado no Forno e o Peru Assado. Mas a riqueza é enorme. Conheça as principais iguarias de Natal de cada região de Portugal



Pratos Típicos da Ceia de Natal em Portugal

Bacalhau com Todos - "O" prato português de Natal, típico em quase todas as regiões.

Minho e Douro



  • Bacalhau com Todos
  • Polvo
  • Vinho Quente
  • Roupa Velha
  • Amêndoas, Avelãs, Figos, Passas
  • Peru Assado
  • Mexidos
  • Aletria
  • Rabanadas com Calda de Açúcar



Trás-Montes e Alto Douro

  • Bacalhau
  • Polvo
  • Passas, Figos
  • Filhós de Jerimú
  • Migas Doces
  • Canja de Galinha
  • Assado:
    • Peru
    • Borrego
    • Porco
    • ou Leitão




Beiras

  • Bacalhau
  • Cabrito Assado com Batatas
  • Sonhos
  • Rabanadas
  • Bolo Torto
  • Filhós de Joelho

Estremadura

  • Bacalhau com Batatas e Couves cozidas
  • Cabrito com Batatas Assadas
  • Broas de Batatas Doce
  • Filhós
  • Fatias Douradas
  • Azevias
  • Aletria



Alentejo

  • Bacalhau Cozido
  • Peru Recheado com Carnes Alentejanas
  • Carolo
  • Coscorões
  • Azevias de Grão ou Batata Doce

Algarve

  • Galo
  • Bacalhau
  • Peru Recheado
  • Rabanadas
  • Filhós
  • Broas de Milho
  • Empanadilhas




Açores

  • Galinha
    • Canja
    • Guisada
    • Assada
  • Porco
  • Vaca
  • Arroz Doce
  • Licor
  • Rabanadas
  • Bolos Secos

Madeira

  • Espetadas
  • Carne de Vinha d´Alhos à Moda da Madeira
  • Canja de Galinha
  • Bolo de Mel da Madeira
  • Bolo de Abóbora
  • Bolo de Noz
  • Licor


Com tantas e diversificadas iguarias A ruralidades deseja a todos um Natal cheio de sabores e emoções da identidade deste nosso Portugal 


Bem Hajam 
Carlos Fernandes

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Uma língua muitos livros muitos mundos

A.ruralidades
Num tempo de agitação de mar revolto, onde tanta vezes nos esquecemos quem somos donde viemos,nada melhor que um livro uma língua muitos mundos .

Aquilino Ribeiro
Em cada livro que recomendamos , uma viagem uma visita ao mundo rural às suas gentes terras e costumes , sem dúvida o garante de  um tempo bem passado .
Alves Redol

Ramalho Ortigão
Abel Botelho
Soeiro Pereira Gomes
José Saramago
Eça de Queirós
A oferta é grande e diversa, já não temos desculpa para não sonhar, não viajar pelo tempo que também é o nosso tempo.
Raul Brandão

Vergílio Ferreira
Neste Natal ofereça livros, leia,,leia muito. Pois quando a Primavera chegar ponha-se ao caminho pelos lugares e trilhos viajados nas páginas destes livros .
Miguel Torga 


Bem hajam
Carlos Fernandes