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domingo, 9 de novembro de 2014

Os pretos e verdes de Lisboa.....Psst,Psst......Táxi !!


A história dos veículos de aluguer em Portugal não é cronologicamente muito diferente da dos outros países. Há registos do surgimento de veículos hipomóveis de aluguer durante o século XVII nas principais cidades europeias e Lisboa não foi excepção. Até ao advento do automóvel, foram usados vários tipos de veículos de tração animal, alguns deles com adaptações que permitiam melhor adequação ao serviço de aluguer, a mais notável destas seria o taxímetro, que permitia calcular com rigor o preço da corrida, acabando com a necessidade de ajuste prévio. O termo, ainda hoje usado, táxi-cab, advém justamente da junção das palavras taxímetro e cabriolet, um veículo hipomóvel muito usado como carro-de-praça. Os veículos de aluguer de tração animal foram cedendo o lugar aos motorizados. Os primeiros táxis automóveis terão surgido em Lisboa em 1905, mas os taxímetros só começariam a ser montados nos táxis motorizados por volta de 1910.




Táximetros da Lisboa antiga

Primeiros Táxis motorizados de Lisboa .




Táxi 1905
Taxista de Lisboa 1910
Rendição , Garagem Parisiense (R Andrade Corvo -Lisboa )

Praça de táxis Lisboa


Táxi Praça do Comércio 
Marketing
O reconhecimento

Táxis na Rua da Palma Lisboa
Primeiro táxi a gasogénio Rossio 1942
Táxi a gasogénio Lisboa 
Táxi para transporte de doentes 
Porto de Lisboa a célebre licença de cais 
Táxis aeroporto da Portela


Após uma breve viagem ao mundo dos pioneiros do transporte de aluguer de passageiros em Lisboa onde o táxi tem um papel predominante na construção deste património único da cidade .
Onde a Lisboa menina e moça se tornou mulher sempre acompanhada por estes verdadeiros bastiões da cidade, quanto e quantas vezes a salvação de muitos, a primeira imagem de um país envergonhado , quantos nascimentos ,quantas histórias bem guardadas ,quantas vielas e ruelas percorridas, quantas rotas construídas, muitas vezes mal amados mas quase sempre reconhecidos pelo nosso povo, ao invés do desprezo e ostracismo pela tutela revelado, é sempre mais fácil apostar nas novidades sem história sem tradição, enfim fotocópias de gosto duvidoso.

Praça de táxis 

Ruelas de Lisboa 
Táxi em cada esquina um amigo
Sempre em marcha , sempre presente 
Táxi Lisboa 1960
Por toda a vossa Lisboa 
A caminho da Sé 
Na baixa 1963
Santa Apolónia anos 70
Na rota do aeroporto anos 70

Foram já dois séculos de presença assídua , muitos Kms percorridos, muitas famílias sustentadas , muitas vidas perdidas, muitas histórias por contar .
Uma história feita de trabalho e dedicação, muitos heterónimos : " O Zé da avô . Chico Ranhoso ,Píu, Babalou , Vasquinho,Perna de Lata , Simplício,O 77, o Viseu , Armando Madeirense ,o Alentejano ,o Ika,o Tamita , enterra mortos , o afana velhas , o passarinho do rio , Manel Serrão o Mana Lúcia" e tantos outros , alguns já partiram outros continuam na sua labuta diária na companhia da sua paixão o Táxi preto e verde autêntico confessionário da vida lisboeta .
De todos estes lavradores de pedras , fazedores de história Augusto Macedo é  e será sempre uma referência  da cidade de um povo e de uma classe profissional que sempre amou !!
Estejas onde estiveres Macedo um abraço do tamanho do Mundo, e nem que o céu seja o limite .
Bem hajam 
Carlos Fernandes
Augusto Macedo 

Até sempre companheiro o nosso bem haja 
Bem hajam .

sábado, 4 de outubro de 2014

Da chanca à tamanca ...


A preocupação em proteger os pés de condições adversas foi uma constante durante a História. Nesse sentido, iniciou-se e desenvolveu-se o chamado calçado - artefacto  para cobrir e abrigar os pés. Foi neste contexto que surgiu o calçado de pau - socos, socas e chancas - que terá origem, segundo Teresa Soeiro ao citar Benjamim Enes Pereira, na região de Entre Douro e Minho, a área do pé descalço. Era o calçado do quotidiano das populações da referida região dadas as condições físicas da localidade.
O calçado de pau era constituído por duas partes: a base de madeira, onde assentava o pé, e o couro que, pregado à madeira, aconchegava o pé. A base de madeira, produzida nas zonas rurais, tinha designações diferentes de acordo com as regiões. Por isso, difere também a designação do ofício. A aplicação do couro nos paus de madeira era feita nos centros urbanos, pelos sapateiros ou pelos também chamados tamanqueiros.
Em algumas localidades da Região do Entre Douro e Minho, como Barcelos e Penafiel, o tamanco era o produto final. No entanto, a base de madeira, o pau, era feito pelo Pauzeiro e a aplicação de couro era feita pelo Tamanqueiro.
Esta distinção não é feita em Vila Real nem na Maia. Em Vila Real, o Tamanco era o produto final mas as duas partes eram executadas pelo mesmo profissional que tinha o nome de tamanqueiro. No Concelho da Maia, zona outrora muito rural, o que se fazia essencialmente eram as solas de pau, a que chamavam tamanco, pau ou soca, que depois de acabadas eram enviadas para as casas de calçado dos centros urbanos como Porto, nomeadamente para a Rua de Cimo de Vila, e mesmo Lisboa, para lhes serem aplicados os couros. Daí a designação de tamanqueiro e nunca de pauzeiro. O próprio cognome que estes profissionais adquiriam, assim como os seus descendentes, comprovam a designação do ofício.
No entanto, esta designação não deixa de estar ligada a uma questão de afirmação de identidade e de estatuto, uma vez que no concelho existia a actividade de pauzeiro relacionada com a produção de colheres de paus. Por outro lado, todo o calçado que tivesse base de pau, independentemente de ser um soco, uma soca ou um par de chancas, passou a designar-se popularmente de Tamancos.
Gradualmente, com a difusão de outro tipo de calçado e com as exigências da moda, o ofício foi desaparecendo, dando lugar apenas à produção para coleccionadores e apreciadores.
Bem hajam 
Carlos Fernandes
(fonte; Tamanqueiro 2004 )


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Civitas Aegitidanorum Boom Festival


Os vários povos que passaram por Idanha-a-Velha - a antiga Egitânia romana -, deixaram diversos vestígios monumentais que constituem um valioso património histórico. 
Idanha-a-Velha foi a capital da civitas Aegitidanorum, que parece ter sido fundada por Augusto. 
Dos inúmeros percursos arqueológicos possíveis, destacamos a Sé Catedral, primitivamente construída sobre um Templo Paleocristão e posteriormente construída a primeira Catedral Visigótica edificada na Península Ibérica. No seu interior, podemos observar a maior colecção de epigrafia Romana da Europa, alguma vez encontrada num só lugar. Outra parte deste espólio, faz parte das colecções do Museu Tavares Proença Júnior (Castelo Branco) e Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia (Lisboa). 


Quem visita a modesta aldeia actual e observa o seu ritmo pacífico terá dificuldade em imaginar que se encontra na antiquíssima e florescente capital da Civitas Aegitidanorum romana, que quando atingiu uma grande dimensão, era uma cidade rica, quase tão rica quanto Lisboa. 
Com o tempo e a deslocação dos grandes eixos estratégico-militares foi perdendo a grandeza. Mas não perdeu a sua atmosfera de tempos passados. Quem a percorrer vai sentir-se num museu ao ar livre onde grandes civilizações ainda se afirmam nos vestígios que deixaram. Aqui encontramos vestígios que remontam a diversos períodos, como: a Pré-História, Celtas, Classicismo Romano, Suevo, Visigótico, Árabe, Idade Média Portuguesa e construções do período Manuelino. 

Por estes dias na estrada para a aldeia de Idanha a Velha , mais precisamente na estrada para a enorme Herdade da Granja , uma fila de carros avança lentamente .Vislumbram-se essencialmente matrículas francesas, inglesas ou espanholas . A décima edição do Boom Festival está a começar .
A localização,a sensação de liberdade continua a ser uma das imagens de marca do Festival .
Em Portugal não existe nada assim que consiga nos oferecer esta paz esta sensação de infinito .


O imenso céu estrelado,sons, vozes ao longe , a lua a eterna lua cheia projectada nas tranquilas águas da barragem , esculturas imagens psicadélicas montados em recantos estratégicos dão-nos a paz  um ambiente de grande tranquilidade em muitas áreas do recinto , com pessoas a conversar calmamente em baloiços espreguiçadeiras ou no chão .
O Festival é conhecido essencialmente pelas sonoridades do trance psicadélico, mas nunca se fechou numa redoma, ,acolhendo muitos outros géneros de músicas e dança .
Se nas últimas edições o Festival foi um sucesso .Este ano superou todas as expectativas , a lotação de 30 mil pessoas número que a organização contemplou como limite esgotou há semanas .
Hoje o Boom Festival é um êxito. Ainda poderão existir algumas mazelas estogmatizantes , resultantes da associação às drogas que sofreu nas primeiras edições mas isso hoje isso está ultrapassado . Hoje o Boom Festival é conhecido em todo o Mundo como  um festival sustentável.
Em Portugal é o evento que convoca mais público oriundo de todo o Mundo.





Numa região altamente desertificada é sem dúvida uma mais valia para a economia local hoje é largamente elogiado por todos . Se algo se lamenta é o facto de durar apenas dez dias .Ao falarmos com as pessoas das localidades vizinhas é essa a sensação que fica e o único lamento.
O Boom Festival já constituiu  marca de uma região, talvez a maior da Beira Baixa a nível internacional ,
Há coisas que não se sentem vivem -se em noites de vida cheia, em noites de lua cheia é assim no Boom 
Bem hajam 
Carlos Fernandes 










UM SEGREDO BEM GUARDADO IDANHA -A-NOVA 


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Minas nos vales e montanhas de Oleiros


A acção mineira no concelho de Oleiros centralizou-se nos vales, em Álvaro, Borralhal e Fragas do Cavalo. Da mina do Borralhal, uma mina de Cobre concessionada em 1953, chegando a ser explorada pela companhia União fabril até 1957; restam silêncios, amontoados de escombros à boca das galerias e parte de uma vagoneta de minério corroída pelas águas ácidas da mina. 
As segundas minas que existiram no concelho de Oleiros, as minas de Álvaro, exploravam Estanho de aluvião nas margens do Rio Zêzere, mais precisamente no lugar da Barca de Álvaro, entre 1937 e 1944. A sua exploração  esteve sempre associada aos períodos de Paz e desta época resta a memória das empreitadas de lavagem das areias nas cales ou caleiras e do transporte do minério para Álvaro em cestos ou padiolas. Consta que por ali também se encontravam algumas pepitas de ouro de tamanho bastante apreciável.Por último, as Minas de Fragas do Cavalo, minas de Volfrâmio, foram registadas a 28 de Abril de 1910. As duas concessões existentes, Fragas n.º 1 e Fragas n.º 2, funcionaram no seu apogeu até 1920, cruzando-se a sua história com a das grandes minas da Panasqueira. Nessa época, a lavra foi suspensa por falta de trabalhadores, baixa cotação do Volfrâmio e consequente baixa procura. Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal foi o principal produtor de Volfrâmio, tendo-se mantido neutro ao abastecer tanto os alemães como ingleses. De 1939 até 1944, foram produzidas em Portugal 31 mil toneladas, o que corresponde a 65% da produção europeia. Os principais períodos de exploração foram, sem dúvida, as Grandes Guerras mundiais e a Guerra da Coreia. Nos períodos de maior procura, aumentavam as actividades clandestinas, como explorações ilegais, contrabando, espionagem, mistura de outros minerais de cor negra, roubos e várias outras actividades paralelas que marcaram a “Febre do Ouro Negro”, a qual varreu toda a região da Beira Interior. É desta forma que em 1939 são retomados os trabalhos nas vulgarmente designadas “Minas do Cavalo”. Por pressão das forças aliadas, Salazar é obrigado a decretar o encerramento temporário das minas de Volfrâmio em Portugal, o que paralisou as minas das Fragas a 25 de Julho de 1944. Os trabalhos pararam de vez em 1957, porque as seguradoras se recusaram a fazer o seguro ao pessoal em virtude do flagelo da silicose, doença que vitimou um número indeterminado de mineiros desta época, em todo o país. As concessões das Fragas são definitivamente extintas a 1 de Julho de 1992.
Extracção de minério anos 50

Bem hajam Carlos Fernandes
http://skywaterland.blogspot.com/2013/11/o-moita-calado-devido-geopolitica-da.html

Algumas fotos da mina Fraga do Cavalo .









sábado, 31 de maio de 2014

Da vinha e do vinho



O passado conhece-se em termos de memória colectiva. A própria noção de identidade está ligada ao que perdura, ao que distingue e ao que se recorda. Assim, e neste contexto, convidamo-lo a fazer uma pequena viagem pela História da Vinha e do Vinho em Portugal!
2 000 anos a.C.; séc.X a.C.- séc.II a.C.
Reino de Tartessos; Fenícios e Gregos; Celtas e Iberos
Na necrópole de Alcácer do Sal foi encontrada uma "cratera" grega de sino, vaso onde os Gregos diluíam o vinho com água antes de o consumirem.
Séc.II a.C. a Século VII d.C.
Romanos e Povos Bárbaros
A expansão guerreira de Roma na Península Ibérica conduziu aos primeiros contactos com os Lusitanos, cerca de 194 a.C.
Seguiram longos anos de lutas de guerrilha, só vencidas pelos Romanos dois séculos depois, com a conquista de toda a Península em 15 a.C., conseguindo subjugar os Lusitanos.
Século VIII a XII
Alta Idade Média - Invasão dos Árabes
Século XII a XIV
Baixa Idade Média
Entre os séculos XII e XIII, o vinho constituiu o principal produto exportado. Documentos existentes, designadamente doações, legados, livros ou róis de aniversários, livros de tombos de bens, etc., confirmam a importância da vinha e do vinho no território português, mesmo antes do nascimento da nacionalidade. Conhecem-se doações que incluíam vinhas ao Mosteiro de Lorvão, entre 950 e 954.
Século XV - XVII
Idade Moderna - Renascimento
Tal envelhecimento suave era proporcionado pelo calor dos porões ao passarem, pelo menos duas vezes, o Equador e pela permanência do vinho nos tonéis, tornando-os ímpares, preciosos e, como tal, vendidos a preços verdadeiramente fabulosos. O vinho de "roda" ou de "torna viagem" veio assim facultar o conhecimento empírico de um certo tipo de envelhecimento, cujas técnicas científicas se viriam a desenvolver posteriormente.
Século XVIII a XX
Idade Contemporânea
 Em 1703, Portugal e a Inglaterra assinaram o Tratado de Methwen, onde as trocas comerciais entre os dois países foram regulamentadas. Ficou estabelecido um regime especial para a entrada de vinhos portugueses em Inglaterra. A exportação de vinho conheceu então um novo incremento.
Para pôr fim a esta crise, o Marquês de Pombal criou, por alvará régio de 10 de Setembro de 1756, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, com o fim de disciplinar a produção e o comércio dos vinhos da região, prevendo ainda a necessidade de se fazer, urgentemente, a demarcação da região, o que veio a concretizar-se. Assim, segundo alguns investigadores, foi esta a primeira região demarcada oficialmente no mundo vitivinícola.
Assim, para fazer face a este flagelo, logo em 1866, António Augusto de Aguiar, juntamente com João Inácio Ferreira Lapa e o Visconde de Vila Maior, foram encarregados de avaliar a situação dos centros vinícolas do país e de estudar os processos que neles se adoptavam. Este conhecimento da situação concreta da vitivinicultura portuguesa, levou António Augusto de Aguiar à nomeação de Comissário Régio na Exposição de Vinhos, realizada em Londres, em 1874. Foi justamente no âmbito da sua participação nesta exposiçãoe da digressão científica que fez pelos países europeus produtores de vinhos, que desencadeou a análise crítica e audaz ao sector vitivinícola nacional, expressa nas famosas Conferências sobre Vinhos, proferidas por António Augusto de Aguiar, em 1875, no Teatro de D. Maria e, posteriormente, no da Trindade.
Surge, então, uma nova perspectiva na economia portuguesa e, consequentemente, na viticultura. O conceito de Denominação de Origem foi harmonizado com a legislação comunitária, e foi criada a classificação de "Vinho Regional", para os vinhos de mesa com indicação geográfica, reforçando-se a política de qualidade dos vinhos portugueses.


33 Denominações de Origem e 8 Indicações Geográficas.
Algumas curiosidades históricas

  • Moscatel de Setúbal - (1381) Nesta data Portugal já exportava grande quantidade deste vinho para a Inglaterra.
  • Vinho do Porto - o Tratado de Methwen (1703) assinado entre Portugal e a Grã-Bretanha, contribuiu para a popularidade deste vinho que beneficiava de taxas aduaneiras preferenciais. Durante o século XVIII, para os ingleses, vinho era praticamente sinónimo de vinho do Porto.
  • Vinhos da Bairrada - No Reinado de D. Maria I (1734/1816) os vinhos portugueses adquiriram grande projecção, tendo-se iniciado a exportação de vinhos, com destaque para os desta região, que foram exportados para a América do Norte, França, Inglaterra e, em especial, para o Brasil, onde eram muito apreciados.
  • Vinho de Bucelas - Com as Invasões Francesas (1808/1810) este vinho começou a ser conhecido internacionalmente. Wellington apreciava-o de tal maneira que o levou de presente ao então príncipe regente, mais tarde Jorge III de Inglaterra. Depois da Guerra Peninsular, este vinho tornou-se um hábito na corte Inglesa.
  • No tempo de Shakespeare (1564/1613) o vinho de Bucelas era conhecido por "Lisbon Hock" (vinho branco de Lisboa) (1564/1613).
  • Vinho de Carcavelos - (1808/1810) foi bem conhecido das tropas de Wellington que o levaram para Inglaterra, tendo sido, durante largos anos, exportado em grandes quantidades.
  • Vinho da Madeira - (1808/1810) Considerado um dos vinhos de maior requinte nas cortes europeias, tendo chegado mesmo a ser usado como perfume para os lenços das damas da corte. Na corte inglesa este vinho rivalizava com o vinho do Porto. Shakespeare (1564/1613) referiu-se ao vinho da Madeira como essência preciosa, na sua peça "Henrique IV".
  • O duque de Clarence, irmão de Eduardo IV (séc. XV) deixou o seu nome ligado a este vinho quando, ao ter sido sentenciado à morte na sequência de um atentado contra o seu irmão, escolheu morrer por afogamento num tonel de Malvasia da Madeira.
  • Mas para além da Inglaterra, também a França, a Flandres e os Estados Unidos o importavam.
  • Francisco I (1708/1765), orgulhava-se de o possuir e considerava-o "o mais rico e delicioso de todos os vinhos da Europa". As famílias importantes de Boston, Charleston, Nova Iorque e Filadélfia disputavam umas às outras os melhores vinhos da Madeira.
  • Vinho do Pico - Açores - (Séc. XVIII) foi largamente exportado para o Norte da Europa e até mesmo para a Rússia. Depois da revolução (1917), foram encontradas garrafas de vinho "Verdelho do Pico" armazenadas nas caves dos antigos czares.

Desde os tempos mais remotos, o vinho tem vindo a desempenhar um papel de relevo em quase todas as civilizações. "Fruto da videira e do trabalho do Homem", não é ultrapassado por nenhum outro produto da agricultura, aliando esse fruto saboroso e nutritivo à bebida privilegiada, precioso néctar, dele extraída.
Repleto de simbologia, impregnado de religiosidade e de misticismo, o vinho surge desde muito cedo na nossa literatura, tornando-se fonte de lendas e inspiração de mitos.
As expressões "dádiva de deuses", "Sangue de Cristo", e "essência da própria vida" atribuídas a este produto corroboram bem o papel do vinho na vertente cultural bem como a sua importância na nossa civilização, a que chamamos "ocidental", cujos fundamentos se encontram no direito romano e na religião cristã, que desde sempre enalteceram e dignificaram este saboroso líquido.
Mas... tentemos fazer uma pequena viagem até às mais recônditas origens, na história da vinha e do vinho em Portugal.
 Embora envolto em muitas dúvidas e mitos, pensa-se que a vinha terá sido cultivada pela primeira vez em terras da Península Ibérica (vale do Tejo e Sado), cerca de 2 000 anos a.C., pelosTartessos, dos mais antigos habitantes desta Península, cuja civilização parece ter sido bastante avançada. Estes habitantes estabeleciam negociações comerciais com outros povos, permutando diversos produtos, entre os quais o vinho, que veio a servir, provavelmente, de moeda de troca no comércio de metais.
Os Fenícios, cerca do século X a.C., acabaram por se apoderar do comércio dos Tartessos, incluindo o respeitante aos vinhos. Pensa-se que tenham trazido alg
umas castas de videiras que introduziram na Lusitânia.
No século VII a.C. os Gregos instalaram-se na Península Ibérica e desenvolveram a viticultura, dando uma particular atenção à arte de fazer vinho.
Alguns autores referem que Ulisses, ao fundar a cidade de Lisboa (a que deu o nome de Ulisseia ou Olisipo) seguiu o costume usado nas suas viagens, oferecendo vinho para festejarem com ele as boas vindas.
Crê-se que no século VI a.C. os Celtas, a quem a videira já era familiar, teriam trazido para a Península as variedades de videira que cultivavam. É também provável que tenham trazido técnicas de tanoaria.
Os Celtas e os Iberos fundiram-se num só povo - os Celtiberos -, ascendentes dos Lusitanos, povo que se afirma no século IV a.C.
romanização na Península contribuiu para a modernização da cultura da vinha, com a introdução de novas variedades e com o aperfeiçoamento de certas técnicas de cultivo, designadamente a poda.
Nesta época, a cultura da vinha teve um desenvolvimento considerável, dada a necessidade de se enviar frequentemente vinho para Roma, onde o consumo aumentava e a produção própria não satisfazia a procura.
Seguiram-se as invasões bárbaras e a decadência do Império Romano. A Lusitânia foi disputada aos romanos por Suevos e Visigodos que acabaram por vencê-los em 585 d.C, tendo-se dado, com o decorrer do tempo, a fusão de raças e de culturas, passando-se do paganismo à adopção do Cristianismo.
É nesta época (séculos VI e VII d.C.), que se dá a grande expansão do Cristianismo (apesar de já ser conhecido na Península Ibérica desde o séc. II). O vinho torna-se então indispensável para o acto sagrado da comunhão. Os documentos canónicos da época evidenciam a "obrigatoriedade" da utilização do vinho genuíno da videira na celebração da missa (produto designado por "não corrompido", ao qual tivesse sido apenas adicionada uma pequena porção de água).
Ao assimilar a civilização e religião dos romanos, os "bárbaros" adoptaram igualmente o vinho, considerando-o como a bebida digna de povos "civilizados". No entanto, não introduziram quaisquer inovações no cultivo da videira.
No início do Século VIII outras vagas de invasores se seguiram, desta vez vindas do Sul. Com a influência árabe começava um novo período para a vitivinicultura Ibérica.
O Corão proibia o consumo de bebidas fermentadas, onde o vinho se inclui. No entanto, o emir de Córdoba que governava a Lusitânia, mostrou-se tolerante para com os cristãos, não proibindo a cultura da vinha nem a produção de vinho. Havia uma razão: para os Árabes, a agricultura era importantíssima, aplicando-se aos agricultores uma política baseada na benevolência e protecção, desde que estes se entregassem aos trabalhos rurais, para deles tirarem o melhor proveito. Mesmo no Algarve, onde o período do domínio árabe foi mais longo, ultrapassando cindo séculos, produziu-se sempre vinho, embora se seguissem os preceitos islâmicos.

Lisboa manteve, deste modo, o seu comércio tradicional de exportação de vinho.
Nos séculos XI e XII, com o domínio dos Almorávidas e Almoadas, os preceitos do Corão foram levados com maior rigor, dando-se, então, uma regressão na cultura da vinha.
Entretanto, já se tinha iniciado a Reconquista Cristã. As lutas dão-se por todo o território e as constantes acções de guerra iam destruindo as culturas, incluindo a vinha
.
fundação de Portugal, em 1143 por D. Afonso Henriques, e a conquista da totalidade do território português aos mouros, em 1249, permitiu que se instalassem Ordens religiosas, militares e monásticas, com destaque para os Templários, Hospitalários, Sant'Iago da Espada e Cister, que povoaram e arrotearam extensas regiões, tornando-se activos centros de colonização agrícola, alargando-se, deste modo, as áreas de cultivo da vinha.
O vinho passou, então, a fazer parte da dieta do homem medieval começando a ter algum significado nos rendimentos dos senhores feudais. No entanto, muita da sua importância provinha também do seu papel nas cerimónias religiosas. Daí o interesse dos clérigos, igrejas e mosteiros, então em posição dominante, pela cultura da vinha.
Os vinhos de Portugal começaram a ser conhecidos até no norte da Europa. Consta que o duque de Lencastre, após o seu desembarque na Galiza, quando veio a Portugal em auxílio de D. João I na luta contra Castela, conhecendo já a fama dos nossos vinhos, mostrou desejo de provar o vinho de Ribadavia, tendo-o achado "muito forte e fogoso"...
Foi na segunda metade do século XIV, que a produção de vinho começou a ter um grande desenvolvimento, renovando-se e incrementando-se a sua exportação.
Nos séculos. XV e XVI, no período da expansão portuguesa, as naus e galeões que partiram em direcção à Índia, um dos produtos que transportavam era o vinho. No período áureo que se seguiu aos Descobrimentos, os vinhos portugueses constituíam lastro nas naus e caravelas que comercializavam os produtos trazidos do Brasil e do Oriente.
Será talvez oportuno referirem-se aqui os vinhos de "Roda" ou de "Torna Viagem". Se pensarmos quanto tempo demoravam as viagens... Eram, na generalidade, cerca de seis longos meses em que os vinhos se mantinham nas barricas, espalhadas pelos porões das galés, sacudidas pelo balancear das ondas, ou expostos ao sol, ou por vezes até submersas na água dos do fundo dos navio... E o vinho melhorava!
Em meados do século XVI, Lisboa era o maior centro de consumo e distribuição de vinho do império - a expansão marítima portuguesa levava este produto aos quatro cantos do mundo.
Chegados ao século XVII, o conjunto de publicações de várias obras de cariz geográfico e relatos de viagens, quer de autores portugueses, quer de autores estrangeiros, permite-nos entender o percurso histórico das zonas vitivinícolas portuguesas, o prestígio dos seus vinhos e a importância do consumo e do volume de exportações.
No século XVIII, a vitivinicultura, tal como outros aspectos da vida nacional, sofreu a influência da forte personalidade doMarquês de Pombal.


Assim, uma grande região beneficiou de uma série de medidas proteccionistas - a região do Alto Douro e o afamado Vinho do Porto. Em consequência da fama que este vinho tinha adquirido, verificou-se um aumento da sua procura por parte de outros países da Europa, para além da Inglaterra, importador tradicional. As altas cotações que o Vinho do Porto atingiu fizeram com que os produtores se preocupassem mais com a quantidade do que com a qualidade dos vinhos exportados, o que esteve na origem de uma grave crise.
século XIX foi um período negro para a vitivinicultura. A praga da filoxera, que apareceu inicialmente na região do Douro em 1865, rapidamente se espalhou por todo o país, devastando a maior parte das regiões vinícolas. Colares foi a única excepção, porque a filoxera não se desenvolve nos terrenos de areia, onde as suas vinhas se cultivam, ainda hoje.
início do século XX, foi marcado pela Exposição Universal de Paris emblematicamente inaugurada em 1900. Portugal participou activamente neste evento, dedicando especial atenção à secção de Agricultura, por todos considerada o sector mais importante da nossa representação. Deste evento, ficou-nos a obra fundamental de B. C. Cincinnato da Costa, "Le Portugal Vinicole", editada especificamente para ser apresentada na exposição.
Em 1907/1908, iniciou-se o processo de regulamentação oficial de várias outras denominações de origem portuguesas. Para além da região produtora de Vinho do Porto e dos vinhos de mesaDouro, demarcavam-se as regiões de produção de alguns vinhos, já então famosos, como são o caso dos vinhos da Madeira, Moscatel de Setúbal, Carcavelos, Dão, Colares e Vinho Verde.
Com o Estado Novo (1926/1974), foi iniciada a "Organização Corporativa e de Coordenação Económica", com poderes de orientação e fiscalização do conjunto de actividades e organismos envolvidos. Foi neste contexto que se criou a Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal (1933), organismo corporativo dotado de grandes meios e cuja intervenção se marcava, fundamentalmente, na área da regularização do mercado.
À Federação, seguiu-se a Junta Nacional do Vinho (JNV) (1937), organismo de âmbito mais alargado, que intervinha tendo em conta o equilíbrio entre a oferta e o escoamento, a evolução das produções e o armazenamento dos excedentes, em anos de grande produção, de forma a compensar os anos de escassez.
A JNV veio a ser substituída em 1986 (D.L. nº 304/86 de 22 de Setembro) pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), organismo adaptado às estruturas impostas pela nova política de mercado decorrente da adesão de Portugal à Comunidade Europeia.
Com objectivos de gestão das Denominações de Origem e dos Vinhos Regionais, de aplicação, vigilância e cumprimento da respectiva regulamentação, foram constituídas Comissões Vitivinícolas Regionais (associações interprofissionais regidas por estatutos próprios), que têm um papel fundamental na preservação da qualidade e do prestígio dos vinhos portugueses.
Actualmente estão reconhecidas e protegidas, na totalidade do território português,
Fonte Instituto da vinha e do vinho 
Bem hajam 
Carlos Fernandes