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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Chegámos desconfiados partimos convencidos

Aldeia de Álvaro-Oleiros 

"Não são as pessoas que fazem as viagens mas as viagens que fazem pessoas "
John Steinbeck 

Não importa onde nos leva a viagem mas sim o que ela faz de nós .
As viagens são acima de tudo, processos que nos permitem enriquecer enquanto pessoas , que nos oferecem outras visões do mundo que nos rodeia e que, por isso mesmo , nos transformam tantas vezes enquanto cidadãos.
Talvez, por isso não interessa tantas vezes a geografia o local , a duração do trajecto nem o modo como foi concretizado . O que fica é, acima de tudo, a experiência , a interacção com pessoas e lugares.
Porquê viajar?..
Para viver experiências, fugir da zona de conforto, não ter rotinas enfadonhas, aprender e vivenciar coisas novas , provar novos sabores, desafiar os limites , fazer novas amizades...
Pois é, não importa mesmo onde nos leva a viagem , mas sim o que ela nos faz!!
Isna-Oleiros
Viajamos porque nos enriquece ..Todos os lugares têm uma realidade distinta e viajar abre a mente para essas realidades. Quando vimos que algumas pessoas no mundo vivem com menos de 10 euros por mês, percebemos quanto vale cada euro. Quando um mendigo nos pede pão, damos valor à comida que comemos cada dia . Quando um amante solitário canta uma canção aprendemos a dar valor  ao nosso parceiro e à nossa família.Quando como na Pantagónia a luz do dia dura apenas seis horas aprendemos a ter saudades do sol.
A comida é uma grande parte das nossas experiências de viagem .Adoramos experimentar novos pratos à volta do mundo e desafiar o nosso paladar com sabores desconhecidos.
Interagir com novas com novas culturas novos saberes é das coisas que mais desfrutamos nas nossas viagens . Assim aprendemos sobre os seus ideais e opiniões .E assim percebemos que, não importa onde formos, o quão longe seja, pessoas serão sempre pessoas em qualquer parte do mundo .
Neste Universo enorme que é o mundo global somos apenas duas gotas .Mas enquanto nos movimentarmos neste oceano que é o nosso mundo, esperamos encontrar a autenticidade o genuíno e a hospitalidade dos nossos anfitriões .
Vilar Barroco-Oleiros 
No coração do Pinhal , Oleiros mantém-se autêntico e genuíno, o ambiente rural , as suas gentes, a paisagem merecem uma visita. Venha inspire-se e ajude-nos na apanha da cereja do medronho, da azeitona,no fabrico do queijo, do vinho, descubra o ciclo do pão,conheça segredos e receitas ancestrais, queremos com todos não animar a aldeia , mas termos uma aldeia animada.
É nesta oferta diferenciada que acreditamos, sabemos da qualidade da nossa gente, temos a firme convicção que hotéis com muitas estrelas cozinhas gourmet , masters chefes, rotas e rotinhas feiras e feirinhas estão ao alcance de todos em todo lado, nós somos diferentes , nós somos rurais autênticos e inteiros .
Oleiros 
Para uns dias que não irá certamente esquecer recomendamos algumas unidades de alojamento e restauração .
Turismo Rural

Vilar dos condes -Madeirã 
Casa da Ladeira -Ameixoeira 
S. Torcato Moradal -Estreito
O Carteiro -Oleiros
Casa dos Hospitalários -Álvaro  
Camping Oleiros - Uma forma inovadora de receber ....

Restauração 
 Maria Pinha -Oleiros 
Casa Peixoto -Oleiros 
O Prontinho -Oleiros 
Slide -Cambas 
O Cantinho -Estreito 
Cabrito estonado

Maranhos 
As nossas cerejas 
Bem hajam
Carlos Fernandes

 "CHEGÁMOS DESCONFIADOS PARTIMOS CONVENCIDOS"


sábado, 10 de maio de 2014

Ecos de revolta

INTERIOR DE PORTUGAL
Bem-vindos.
O que se pode esperar daqueles engravatados que estão lá nos gabinetes da Capital do Império? Nada. Ou pior, tudo. Fecharam Centros de Saúde, Escolas Primárias, Hospitais, Correios, Finanças, Postos de GNR, Tribunais e tudo o mais. Mas os burros somos nós, pois o Excelentíssimo Senhor Altíssimo Doutor Primeiro Ministro do Governo de Portugal disse em voz alta a esta cambada de piegas para emigrarmos. E nós, burros, ficamos cá! Somos mesmo estúpidos!!! Pobres dos nossos idosos que estão a morrer de forma miserável sem que ninguém faça algo... e quando dermos conta, algo estará feito: o extermínio do Interior de Portugal.

Maria Isabel tem 83 anos e é uma criminosa. O local do crime é o fogão, e assim foi durante muitos anos: vende bolo de laranja no café da zona. Sem recibo. E ainda consegue ir mais longe: usa os ovos das suas próprias galinhas. Juntamente com a filha, formam uma organização criminal. Eusébia, com 58 anos, produz uma pequena quantidade de queijo de cabra na sua própria cozinha que vende aos vizinhos a 1 euro a unidade. Um dos vizinhos, José Manuel, utiliza o antigo forno de barro que tem no quintal para cozer pão, faz uma quantidade a mais do que a que ele e a sua mulher necessitam para vender aos amigos, tentando assim complementar a pensão da reforma que recebe. Alguns dos habitantes mais idosos da aldeia apanham cogumelos e vendem-nos ao comprador intermediário. Novamente, sem passar recibo. Por sua vez, este intermediário distribui-os em restaurantes, passa recibo mas fá-lo pelo dobro do preço que pagou por eles. Marta, proprietária do café da zona, encomendou alface ao fornecedor mas acrescentou umas ervas e folhas de alface do seu próprio quintal. E se pedíssemos uma aguardente de medronho, típica da zona, quando a garrafa oficial, selada com o imposto fiscal, estiver vazia, o seu marido iria calmamente até à garagem e voltava a encher a garrafa com o medronho caseiro do velho Tomás. Podemos chamar a isto tradição, qualidade de vida ou colorido local – o certo é que em tempos de crise, a auto-suficiência entre vizinhos, simplesmente ajuda a sobreviver.
O Alentejo é das regiões mais afetadas pela crise que de qualquer forma afectou todo o país. A agricultura tradicional está em baixo, a indústria é quase inexistente e os turistas raramente se deixam levar pela espectacular paisagem costeira da província. Os montes alentejanos perdem-se em ruínas. Quem pode vai embora, ficando apenas a população idosa a viver nas aldeias, e para a maior parte, o baixo valor que recebem de reforma é gasto em medicamentos, logo na primeira semana do mês. Inicialmente, as pessoas fazem o que sempre fizeram para tentar sobreviver de algum modo. Vendem, a pessoas que conhecem, o que eles próprios conseguem produzir. Não conseguem suportar os custos de recibos ou facturas. Para conseguir iniciar um negócio com licença, teriam de cumprir os requisitos e fazer grandes investimentos que só compensariam num negócio de maior produção.
Ao contrário de Espanha, Portugal não negociou acordos especiais para quem tem pequenos negócios. As consequências: toda a produção em pequena escala - cafés, restaurantes , lojas e padarias que tornam este país atractivo - é de facto ilegal. Só existem duas hipóteses, ou legalizam o seu comércio tornando-se grandes produtores ou continuam como fugitivos ao fisco. Até agora e de certa forma, isto era aceitável em Portugal mas neste momento, parece que o governo descobriu os verdadeiros culpados da crise: o homem modesto e a mulher modesta como pecadores em matéria de impostos. Como resultado, as autoridades fecharam uma série de casas comerciais e mercados onde dantes eram escoadas os excedentes das parcas produções dos pequenos produtores e transformadores, que ganhavam algum dinheiro com isso, equilibrando a economia local.
Há uns meses atrás, a administração fiscal decidiu finalmente fazer algo em relação ao nível de desemprego: empregou 1.000 novos fiscais. Como um duro golpe para a fraude fiscal organizada, a autoridade autuou recentemente uma prática comum na pequena Aldeia das Amoreiras: alguns homens tinham - como o fizeram durante décadas - produzido e vendido carvão. Os criminosos têm em média 70 anos, e os modestos rendimentos do carvão mal lhes permitia ir mais do que poucas vezes beber um medronho ou pedir uma bica.
Não é benéfico acabar com os produtos locais e substituí-los por produtos industriais. Não para o Estado que, com uma população empobrecida, não tem capacidade para pagar impostos. E não é para a saúde: não são os produtos caseiros que levam a escândalos alimentares nestes últimos anos, mas a contaminação química e microbiana da produção industrial. Apenas grandes indústrias beneficiam desta política, uma política que chega mesmo a apoiar a crise. Sendo este um país que se submete cada vez mais a depender de importações, um dia não terá como se aguentar economicamente. É a realidade, até parece que a globalização venceu: os terrenos abandonados do Alentejo foram maioritariamente arrendados a indústrias agrícolas internacionais, que usam estes terrenos para o cultivo de olival intensivo e para a produção de hortícolas em estufas. Após alguns anos, os solos ficam demasiado contaminados. Em geral, os novos trabalhadores rurais temporários vêm da Tailândia, Bulgária ou Ucrânia, trabalham por pouco tempo e voltam para as suas casas antes das doenças se tornarem visíveis.
Com a pressão da Troika, o governo está a actuar contra os interesses do próprio povo. Apenas há umas semanas atrás, o Município de Lisboa mandou destruir mais uma horta comunitária num bairro carismático da cidade, a "Horta do Monte" na Graça, onde residentes produziam legumes com sucesso, contando com a ajuda da vizinhança. Enquanto os moradores do bairro protestavam, funcionários municipais arrancaram árvores pela raiz e canteiros de flores, simplesmente para que os terrenos possam ser alugados em vez de cedidos. Mais uma vez, uma parte da auto-organização foi destruída pela crise. A maioria dos portugueses não aceita isto. No último ano e por várias vezes, cerca de 1 milhão de pessoas - o equivalente a 10% da população - protestou contra a Troika. Muitos demonstram a sua criatividade e determinação durante a desobediência civil: quando saiu a lei que os clientes eram obrigados a solicitar factura nos restaurantes e cafés, em vez de darem o seu número de contribuinte, 10 mil pessoas deram o número do Primeiro Ministro. Rapidamente isto deixou de ser obrigatório. Também há alguns presidentes de freguesias que não aceitam o que foi feito aos seus mercados. E assim os pequenos mercados locais de aldeia continuam mas com um nome diferente “Mostra de produtos locais”, “Mercado de Trocas”. Se alguém quer dar alguma coisa e de seguida alguém põe dinheiro na caixa dos donativos, bem... quem irá impedi-lo?!
Existe um ditado fascinante: “quando a lei é injusta, a resistência é um dever”. É este o caso. Não são os pequenos produtores que estão errados mas sim as autoridades e quem toma as decisões - tanto moral como estrategicamente. É moralmente injustificável negar a sobrevivência diária dos idosos nas aldeias. E estrategicamente é estúpido. Um tesouro raro é destruído: uma região que ainda tem conhecimentos e métodos tradicionais, e comunidades com coesão social suficiente para partilhar e para se ajudarem entre si.
Uma economia difundida globalmente e à prova da crise é o que aqui acaba por ser criminalizado: subsistência rural e regional - o poder de auto-organização de pessoas que se ajudam mutuamente, que tentam sustentar-se com o que cresce à sua volta. Ao enfrentar a crise, não existem razões para não avançarmos juntos e nos reunirmos novamente. Existem sim, todos os motivos para nos ajudarmos mutuamente, para escolhermos a auto-suficiência e o espírito comunitário rural. Podemos ajudar a suavizar a crise, pelo menos por agora – se não, no mínimo oferecemos um elemento chave para a resolver. Quanto mais incertos são os sistemas de abastecimento da economia global, mais necessária é a subsistência regional.
Assim sendo, pedimos a todos os viajantes e conhecedores: peçam pratos caseiros e regionais nos restaurantes. Deixem que as omeletes sejam feitas por ovos que não foram carimbados nem selados. Peçam saladas das suas hortas. Mesmo em festas ou cerimónias, escolham os produtos de fabrico próprio, caseiros. Ao entrar numa loja ou café, anunciem de imediato que não vão pedir recibos ou facturas. Talvez em breve, os proprietários dos restaurantes se juntem a uma mudança local. Talvez em breve, um funcionário de uma loja será o primeiro a aperceber-se que a caixa de donativos na entrada traz mais lucro do que o registo obrigatório das vendas recentemente imposto. Talvez em breve, apareçam as primeiras moedas regionais como um método de contornar as leis fiscais.

Bem hajam 
Carlos Fernandes

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Um notável exemplo-Património

Desde muito cedo, que a Vila de Arganil me marcou na memória o esplendor da alma lusa, não só por lá ter raízes familiares como pelo seu desenvolvimento cultural em tempos de opacidade intelectual, o seu cine-teatro é um notável exemplo
O mais notável exemplo de Teatros do século XX no interior do País – e recorde-se que nos anos 50 o conceito de acessibilidade era bem diferente – encontramo-lo em Arganil no Cine–Teatro Alves Coelho, projecto do Arquitecto Mário Oliveira.Valoriza-o ainda, e não pouco os painéis  de Guilherme Filipe no interior e a escultura de Aureliano Lima na fachada principal, alegóricas das artes do espectáculo. E ainda uma lápide, onde o transmontano Miguel Torga, médico na Misericórdia de Arganil,  elogia a iniciativa de “beirões cabeçudos”…!
O Teatro Alves Coelho foi inaugurado em 5 deNovembro de 1954, num espectáculo vicentino encenado por Paulo Quintela, na presença algo insólita do Embaixador do Brasil, na altura o poeta Olegário Mariano, e do dramaturgo Silva Tavares. A construção fez-se por subscrição publica de acções  da “Empresa do Teatro Alves Coelho”, com numerosas e significativas participações financeiras de arganilenses de África e do Brasil. O nome foi também sufragado pela população, que assim homenageou um compositor conterrâneo.Alves Coelho (1882-1931), professor do ensino básico, foi sobretudo  autor talentoso e festejadíssimo da música de numerosas revistas: basta dizer que  inaugurou o Parque Mayer, no Teatro Maria Vitória , com a Revista “Lua Nova”, isto em 1 de agosto de 1922. Colaborou com Wenseslau Pinto, Raul Portela , com Eduardo Schwalbach, Luís Galhardo e outros grandes nomes da época. Em mais de 40 títulos, ficou sobretudo na memória uma célebre revista, “O 31”, que ainda hoje é evocada e que foi sucessivamente reposta em Portugal e no Brasil durante 10 anos!Inaugurado em 1954, hoje pertença da Misericórdia, constitui efetivamente um grande exemplo e um grande modelo de modernismo na arquitectura de espectáculo. A partir de uma estrutura vertical em dois corpos unidos pelo foyer e áreas de acesso, bem equipado no palco e nas zonas de bastidores e camarins, impõe-se pela volumetria
, pelo rigor do estilo modernista e ainda pela cor avermelhada, que lhe dá o devido destaque na área urbana em que se insere.

Bem hajam 
Carlos Fernandes

Maestro Alves Coelho



quarta-feira, 7 de maio de 2014

Enviem -nos o Barrete !!!

Ainda vêm pessoas de todo o lado para enfiar o Barrete na Cabana.
Fernando Andrade descende e é o digno representante de uma linhagem excepcional de humoristas. Será muito provavelmente impossível encontrar alguém que não se recorde dos gloriosos tempos dos Parodiantes de Lisboa. Foram mais de 60 anos a fazer rir o país e a popularizar Barretes, o doce que levou o nome de Salvaterra de Magos aos quatro cantos de Portugal. Os Parodiantes de lisboa acabaram em 1997 mas a Cabana dos Parodiantes perdura e está pujante, misturando memórias e muita história com conceitos de hotelaria moderna.
 
 
Conte-nos um pouco da história dos Barretes.
Os Barretes foram popularizados pelos Parodiantes de Lisboa, quando começaram a emitir há cerca de 68 anos. Eram bolos feitos pelo meu avô, que entretanto começaram a ser publicitados através da rádio nos finais dos anos 40, aquando do início das emissões dos Parodiantes. Nos anos 50 este bolo atingiu um patamar assinalável de fama e nos anos 60 foi o auge, com excursões a virem de todo o lado para levar o bolo.
Um reconhecimento que se mantém até aos dias de hoje.
De tal forma que ainda hoje vêm pessoas de todo o lado e que fazem questão de vir aqui "enfiar o Barrete".
A história do Barrete acaba por estar intimamente ligada à história dos Parodiantes.
Os Parodiantes de Lisboa tinham um grupo de teatro nos anos 40, representavam umas comédias escritas por eles próprios e começaram a dar nas vistas. Foram convidados para contar umas anedotas na Rádio Peninsular e o sucesso foi tal que passaram a ter um programa só deles. Surgiu o grupo "A Bomba", que durou dois anos, até dar origem, em 1946, aos Parodiantes de Lisboa.
Lembro-me dos Parodiantes de Lisboa no ar entre as 13 e as 14 horas já no final dos anos 70 ou mesmo no início dos anos 80.
Era o horário nobre, em que toda a gente almoçava, estava em casa ou no café com o rádio de pilhas e fazia questão de não perder o programa dos Parodiantes. Eles criaram um estilo muito próprio. Até a própria publicidade era uma autêntica obra de arte humorística e a audiência que eles tinham não era de estranhar porque as pessoas tinham prazer em ouvir o programa deles e os próprios anúncios. Foi o programa mais ouvido de sempre da rádio, até acabar em 1997.
Pode resumir a árvore genealógica dos Parodiantes?
A família era muito grande, eram sete irmãos, que passaram a seis depois de um ter falecido. Os mais velhos foram para Lisboa e fundaram os Parodiantes. o meu pai era o mais novo dos irmãos e optou por ficar perto do seu pai, o meu avô, e tomou conta deste negócio quando o meu avô faleceu. Portanto, a Cabana dos Parodiantes é uma empresa familiar e está interligada com os próprios Parodiantes e com a família.
Concorda com a ideia que os Parodiantes foram os percursores de uma forma específica de humor que deu origem a outras ideias geniais como o Contra Informação, por exemplo?
Exacto, concordo. De todos os projectos humorísticos que se têm formado nos últimos anos o que mais se aproxima do modelo dos Parodiantes é o Contra Informação. Repare que naquele tempo era necessário ter uma ginástica e uma subtileza para criticar o Salazar muito superior aos dias de hoje, nos quais se pode criticar com muita liberdade sem correr o risco de ir preso.
Há muita diferença no impacto da Cabana dos Parodiantes desse tempo e dos dias actuais?
Nessa altura o impacto era muito grande porque a publicidade era diária e estava muito fresca na cabeça das pessoas, que cá vinham em massa. Hoje ainda temos pessoas que vêm à Cabana pela memória que têm do lugar, também há pessoas que cá vêm regularmente e há os que perguntam se os Parodiantes já morreram e onde é que eles estão, confessando ser a primeira vez que cá vêm. Guardaram as memórias e vêm à Cabana à procura delas.
E o que faz o Fernando para lhes avivar a memória e satisfazer a curiosidade?
Temos aí gravações que de quando em vez passamos, sobretudo quando vêm grandes grupos, e é muito agradável e dá-nos bastante prazer verificar que as pessoas recordam com alegria e com ternura os Parodiantes de Lisboa.
Pelo que percebo, esta é mais do que uma forma de vida; é também uma forma de perpetuar uma tradição.
Exactamente. Esta é a casa do pai dos Parodiantes, uma casa que eles ajudaram a erigir e a dar fama, e cada vez que abrimos a porta às 7 da manhã estamos a prestar uma homenagem diária aos Parodiantes. Para além disso é uma casa onde se fazem exposições de pintura, de outras formas de cultura, com tertúlias todos os meses, e é um sítio que apela e motiva para a conversa, para o convívio, para a intimidade.
Sente o peso da responsabilidade de ter de dar continuidade a essa tradição?
Sempre trabalhei aqui desde pequenino ao lado do meu pai e fiquei à frente da casa quando ele faleceu. Senti a importância dessa responsabilidade, mas não foi difícil para mim uma vez que sempre aqui trabalhei.
Entretanto o tempo passa e há que acompanhar a evolução e as novas tendências. Como é que define a Cabana nos dias de hoje?
A Cabana dos Parodiantes é um espaço moderno, recentemente restaurado, um espaço hoteleiro antigo na sua decoração mas simultaneamente moderno. Esta casa foi projectada nos anos 70 com um toque de visionário, que mistura a modernidade com a história.
Já alguma vez algum político o abordou e reclamou por lhe ter roubado o protagonismo de "enfiar Barretes"?
Quando o Sócrates se demitiu, em Maio, eu tive um aumento significativo da venda dos Barretes e concluí que as pessoas descobriram que havia outros barretes mais interessantes de enfiar. Com o Passos Coelho houve alguma recessão na venda mas as pessoas depressa vão redescobrir que se trata de outro barrete.
Salvaterra de Magos tem reconhecido a Cabana e os Parodiantes como mereciam?
Como costuma dizer-se, em casa de ferreiro, espeto de pau. Ao nível do poder local não tem havido esse reconhecimento. No que diz respeito às pessoas, há salvaterrenses que têm bem presente a importância que a casa tem e sabem que é conhecida a nível nacional. A cultura sempre foi e vai continuar a ser um parente pobre da política.
Fenómenos como os Parodiantes, num mundo mais tecnológico, com internet, centenas de canais de televisão e todo o tipo de formas rápidas e diversificadas de comunicar, têm algumas possibilidades de voltar a surgir?
Um programa como o dos Parodiantes hoje, salvaguardando as diferenças em relação àquilo que são actualmente as expectativas das pessoas, fazia todo o sentido de existir, pela irreverência, pelo humor como contra-poder.
Nuno Cláudio
Bem hajam 
Carlos Fernandes      


sábado, 3 de maio de 2014

Festas e romarias de Maio






Festas N Srª do Almortão 
Idanha a Nova 
Destaca-se a procissão em honra de Nossa Srª do Almortão com os mordomos a transportarem o andor com a imagem da Santa ao som de adufes e cantigas tradicionais num "Adeus à Virgem " muito especial .

Festas da Mãe Soberana 
Loulé
                                                                            
É a grande romaria Algarvia . Quinze dias após a Páscoa, o andor com a Virgem é transportado em passo de corrida por oito homens, em direcção ao santuário por um caminho íngreme . Os devotos dão vivas à Nossa Senhora .


Festas da flor
Funchal- Madeira 

A baixa funchalense enche-se de música e cor à passagem dos carros alegóricos, que exibem conjugações originais de espécies florais.Os tapetes coloridos, as esculturas e o mercado de flores são momentos únicos e obrigatórios que, anualmente completam uma semana de festa. Destaque para o" Muro da Esperança" enfeitado com flores pelas crianças.
   

Festas Rosas ou Cestos Floridos
Vila Franca do Lima (Viana do Castelo)


O apogeu dos festejos acontece no cortejo das rosas, com cestos floridos que chegam a pesar cinquenta kg transportados pelas mordomas à cabeça .




Festas Santa Joana Princesa 
Aveiro


A celebração religiosa começa com uma missa na Sé de Aveiro, seguida de cortejo rumo ao Museu onde se encontra o túmulo de Santa Joana Princesa.

Festas Sr Santo Cristo dos Milagres 
Ponta Delgada (Açores)
A procissão é um ícone das festividades. A cidade enche-se de luz e os devotos pagam as promessas percorrendo o campo de São Francisco de joelhos no chão.


Festas:
Desfile das Maias
Portalegre 
O desfile das Maias é uma tradição infantil praticada em Portalegre, há muitos séculos com a qual se pretende festejar o início da Primavera .
Maia é uma menina a quem vestem de branco e enfeitam de malmequeres  amarelos, confeccionando com os mesmos, cordões , pulseiras, fios e coroas para adorno no cabelo.
As crianças percorrem as ruas da cidade entoando versos populares.


Viajar engrandece o espírito e enriquece a alma
Aproveitem e apareçam todas as e romarias são de entrada gratuita !!
Bem Hajam 
Carlos Fernandes

Festa das Cruzes -Barcelos


A Festa das Cruzes deve a sua origem ao ‘milagre das Cruzes’. São várias as lendas sobre a natureza da cruz em questão e ao contexto que envolveu o milagre. Mais consensual é a data da sua aparição e a pessoa a quem terá aparecido...

Reza a lenda que '(...) no ano de mil quinhentos e quatro, sexta-feira, vinte dias do mês de Dezembro, hás nove horas, pouco mais ou menos (...) vinha João Pires, sapateiro, pela dita rua que vinha da Ermida do Salvador (...) que fossemos ver e guardar uma Cruz que demonstrava um grande santo milagre que estava junto da Cruz, aos Carva-lhos do Campo da Feira. (...) Em direito da dita cruz, no chão, em um barreiro, estava feita e assinada, que fica da mão direita quando homem vê o do Salvador , uma mui proporcionada e talhada e direita Cruz, toda tão preta como esta regra em cima, de três côvados e três quartos em ancho e, de largura a quadra dela de um palmo e todo por igual'.Isto segundo Frei Pedro de Poiares, no ‘Tractado Panegyrico em Lovvor da Villa de Barcelos’, de 1672.
A ‘visão’ do sapateiro João Pires, em Dezembro de 1504, arrastou gente de perto e de longe para ver uma cruz de terra (o povo viu cruzes) no Arrabalde de Cimo de Vila. Ergueu-se o alpendre, abrigo do Sinal, onde o incrédulo viu o milagre, o povo tirava a terra e logo a cova se tornava a encher' descreve a lenda.
Outra versão deste milagre, fala da filha deste sa-pateiro barcelense João Pires, que teria trazido um madeiro encontrado numa praia, e, que parecia ser um pedaço de uma cruz vinda entre despojos de um naufrágio. João Pires não lhe terá prestado atenção ne-nhuma e atirado o madeiro para a lareira, mas logo depois, estando à porta de casa, ter-lhe-á surgido uma cruz luminosa. A notícia espalhou-se e todos acorreram para ver a cruz que voltava sempre a aparecer. 
Foi erguida uma ermida a perpetuar o ‘milagre das cruzes’ em honra do Senhor da Cruz às costas, representado por uma imagem adquirida na Flandres por um mercador barcelense.Só mais tarde, foi construído um templo que ficou concluído em 1708.
Lendas das ‘cruzes irmãs’ une Barcelos, Fão e Matosinhos
Outra lenda é a das ‘cruzes irmãs’. Em tempos remotos, países protestantes do Norte lançaram ao mar três imagens dos Senhor dos Passos.Arrastadas pelas ondas e correntes, as imagens foram ter a diferentes localidades portuguesas - uma delas terá aparecido em Matosinhos, outra na praia de Fão e a terceira, abandonou o mar e chegou às águas doces do Cávado, subindo o rio para dar à margem em Barcelos. Aí foi recolhida e transportada para a ermida do Senhor da Cruz.Lenda, crença ou realidade, a verdade é que esta versão criou ‘laços de irmandade’ entre as populações de Barcelos, Matosinhos e Fão que se reflectem no canto popular: “O Senhor de Matosinhos’/Mandou dizer ao de Fão/Que dissesse ao de Barcelos/Que eram todos irmãos”.
Milagre em Dezembro festa transferida para Maio
Pode-se dizer que até ao século XIX, a Festa das Cruzes tem um cariz essencialmente religioso. A esta acorriam milhares de romeiros, não só de Barcelos mas de outras localidades mais distantes, que vinham cumprir as promessas ao Senhor da Cruz, dando origem, assim, à romaria em sua honra. Com o decorrer do tempo, o religioso e o profano passaram a conviver.Embora não haja documentação do princípio da Irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz, crê-se que ela já existia pelo menos, em 1609.
O título honorífico de 'Real' ter-lhe-á sido outorgado no início do século XIX por D. Pedro IV, que aceitou ser seu juiz perpétuo. Também foi juiz vitalício da Real Irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz, para além doutros, D. Fernando II, D Pedro V e D. Luís I, que terá visitado as Festas das Cruzes em 7 de Maio de 1852.O ‘milagre das cruzes’ reporta-se a Dezembro e a Festa foi transferida para Maio. Há quem aponte essa mudança com base no calendário litúrgico, que em 3 de Maio festeja a Santa Cruz.





Bem hajam 
Carlos Fernandes 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Museu do trabalho rural da Abela


O polo museológico surge integrado no projecto “Revitalizar A Bella”, que resultou de uma candidatura ao Programa Operacional AGRIS.
Este projecto é promovido pela Junta de Freguesia de Abela em parceria com a Câmara Municipal de Santiago do Cacém. Esta acção consiste no aproveitamento do antigo quartel da Guarda Nacional Republicana, pertença da Junta de Freguesia de Abela, destinado a mostrar parte da vida rural do concelho.
As colecções / objectos apresentados transmitem conhecimentos de uma sociedade rural, pertencente ao passado, mas ainda suficientemente próxima para ser espaço de partilha de memórias e de referência identificada que une e identifica diferentes gerações.
Preservar memórias do quotidiano rural, assim surge o MUSEU DO TRABALHO RURAL.
A primeira exposição terá como base uma colecção de alfaia agrícola. A sua sequência acompanhará a do ciclo agro laboral e as operações específicas que lhe estão associadas em cada fase.
O polo museológico será um lugar de afectos, local de encontro do passado, do presente e do futuro, procurando garantir a transmissão de tradições e memórias.


Construído no início da década de quarenta do século XX, funcionou como Escola / Posto Médico e como quartel da Guarda Nacional Republicana.
No polo museológico pretende-se abordar a memória de uma sociedade que, nas últimas décadas, se transformou profundamente, bem como a relação de pertença de uma população com o seu território, seja à escala da localidade, da freguesia, do concelho ou eventualmente de uma micro região
.






Coleções / Património
A exposição Memória e Identidade – Alfaia Agrícola Tradicional constrói um percurso que acompanha o ciclo agro laboral e as operações específicas que lhe estão associadas em cada fase, desde a lavra, a cava, o desterroar e as sementeiras no inverno, as mondas, as regas e demais cuidados com as colheitas na primavera, até às ceifas, às debulhas e ao armazenamento dos cereais no verão. A alfaia agrícola é apresentada em grande proximidade, espacial e lógica, com os transportes e sistemas de atrelagem, estes últimos indispensáveis, por exemplo, à própria tração do arado e do trilho.
As alfaias agrícolas, “talhadas pela mão do homem em madeiras que a terra lhe fornecia espontaneamente, melhoradas depois com partes em ferro moldadas pelos ferreiros locais, em formas basilares que, em muitos casos vêm dos primórdios da agricultura, apenas ajustadas aos condicionalismos geográficos e históricos das várias regiões, estas alfaias – arados, grades, enxadas, foicinhas, manguais, jugos e carros de bois – foram através dos tempos, até aos nossos dias, a expressão mais pura do suor do rosto que fez viver a humanidade e afirmou o Homem na sua dignidade mais simples e mais alta. Feitas à nossa medida, na lei natural do espaço e do tempo, num equilíbrio perfeito, elas humanizaram a natureza, mas não a degradaram. Hoje, perante uma técnica que transformou todos os ritmos naturais, chegou para elas a hora do acaso e dos museus. Mas a hora também de dizermos a nossa gratidão e o nosso amor: só aqueles que não tenham o sentido da vida nos seus valores eternos essenciais é que ficarão insensíveis à sua beleza e à sua nobreza.”(1)
A exposição pretende ser um testemunho e uma referência imprescindível para todos aqueles que ainda recordam os tempos da lavoura e querem guardar para as novas gerações essa memória e, simultaneamente, dar a conhecer aos mais jovens parte da sua história.
Horário:
Largo 5 de Outubro 7540-011 Abela 
• Telf.: 269 902 048
E-mail:museudotrabalhorural.abela@gmail.com  



1) OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, ETAL texto do verso da capa de Alfaia Agrícola Portuguesa


De quarta a sexta-feira das 14h00 às 18h00
Sábados das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00

Encerra aos domingos, segundas, terças-feiras e feriados

Contactos


Entrada gartuita
Bem hajam 
Carlos Fernandes